sábado, 15 de abril de 2017

A REPÚBLICA BRASILEIRA ABALADA DIANTE DO TSUNAMI DE ESCÂNDALOS - ARTIGO: MARÇO/2017

O governo federal e a elite política brasileira não podem esquecer que o Brasil é uma República Federativa. O governo federal tem por obrigação constitucional garantir a integridade e segurança dos Estados Federados. O que se constata, no entanto é uma falta de compromisso com o pacto federativo.

Vivemos momentos de total impotência diante do cenário extremamente grave no campo econômico, fiscal, político e de valores morais e éticos, o que me leva a ter a percepção de que a sociedade está exaurida na sua esperança quanto à derrubada do sistema que se instalou e controla as instituições brasileiras, salvo rara exceção.

 O Estado do Rio de Janeiro se esgota, paralisado em virtude da alta corrupção e má gestão que o coloca no fundo do poço ameaçando paralisar serviços básicos fundamentais com sérios riscos de haver uma convulsão social. Vencer esse quadro, que a cada dia se revela mais difícil em virtude de tudo levar a crer que esta longe de terminar, uma vez que suas principais instituições estão apodrecidas e refém de um sistema que levou o Estado à falência.


Fazer parte do sistema institucionalizado da corrupção virou regra e sobrevivência política para muitos, que se associam aos interesses econômicos e vende seu mandato, servindo a grupos empresariais através da venda de emendas, medidas provisórias, leis e relatórios conclusivos de comissões parlamentares de inquérito, serviços bem pagos com propina, e com isso desmoralizam o parlamento. Uma vergonhosa contradição e agressão a Democracia Representativa.

Diante dessa turbulência causada pelas avalanches de denúncias e delações nos restou a confirmação de que a grande novidade é a independência do ministério público, da polícia federal e do poder judiciário, que nos revela o avanço dessas instituições, em razão de estarem denunciando o poder político no legislativo, executivo e órgãos auxiliares, causando um impacto político enorme e imediato, em alguns casos ferindo e em outros aniquilando a biografia de poderosos. É o começo do fim da moribunda pratica da velha política.

As listas que por etapas são divulgadas causam profundos abalos a República, ao implodirem o sistema político vitima da metástase da corrupção que tomou conta das instituições brasileiras. 
Embora sejam muitas as tentativas por parte dos atingidos pelas investigações de enfraquecer através da aprovação da lei de abuso de autoridade e a resistência ao fim do foro privilegiado, a operação Lava-Jato não tem volta em razão de estar dando um basta ao continuísmo da impunidade e sangrando mortalmente o sistema de corrupção que se revelou sistêmica e institucionalizada.

A nação e a sociedade brasileira estão pagando um alto preço diante da sangria de recursos públicos, proveniente da alta escala de corrupção, que nos tem levado ao atraso econômico e social. A República, diante desse tsunami de escândalos, esta diante de duas vertentes. Uma negativa, em razão da grave crise que o país atravessa, é o fato de aumentar a instabilidade política no Congresso, comprometendo a aprovação de reformas em curso da previdência, trabalhista e política, tão necessárias para tirar o país do atoleiro, colocando-o nos trilhos que irá levá-lo a saída da crise econômica e fiscal. Outra positiva, em razão da possibilidade de se iniciar uma transição face a exaustão da pratica da “velha política”, abrindo caminho para a tarefa de reconstrução da renovação da representação política, diante do vácuo político que se estabelece pela ausência de credibilidade da grande maioria da atual classe política, que sofrerão rejeição de grande parcela do eleitorado no processo eleitoral que se aproxima, cabendo a sociedade renovar através da escolha de novas lideranças nas eleições nacional de 2018.

Amaury Cardoso
site: www.fug-rj.org.br                                    


segunda-feira, 20 de março de 2017

O QUE FAZER COM O SISTEMA POLÍTICO BRASILEIRO QUE FOI CAPTURADO PELA CORRUPÇÃO SISTÊMICA?

A Democracia Brasileira está em águas turvas, uma vez que a percepção da sociedade é a de que os atuais atores políticos não merecem confiança em virtude da amplitude do envolvimento da grande maioria dos partidos políticos, onde suas principais figuras estão sendo denunciadas, indiciadas e alguns já viraram réus, pela operação Lava-Jato, que se qualificou em o maior escanda-lo de corrupção do mundo.

Diante do aprofundamento das investigações e a amplitude de oligarcas no campo político e econômico atingidos, com alguns presos e muitos em vias de ter a prisão decretada, o Congresso Nacional, mortalmente atingido, se articula para tentar se alto preservar, e em mais uma ação corporativista busca através de uma desfaçatez  anistiar o “crime do caixa 2”, numa clara tentativa de golpear as investigações da operação Lava-Jato, que neste mês (março/2017) completa três anos apresentando um significado importante através do rompimento do ciclo de corrupção no país.

Outra questão que tem sido objeto de entrave à necessária celeridade dos processos de investigação e a questão do foro privilegiado que dá tratamento jurídico desigual a aqueles que se beneficiam dele. A ministra Cármem Lúcia, presidente do STF, faz a seguinte afirmação: “É preciso que se saiba o que fazer e como fazer. Tem que ser discutido não pode ficar como está. Isso (foro) quebra a igualdade em alguns casos de maneira flagrante”. Já com relação à possibilidade de anistia do Caixa 2, afirma: “Caixa 2 é crime”. “Não existe essa história de caixa um ou caixa dois ou caixa três. Se vier de dinheiro ilícito, constituem-se em ilícitos previstos na legislação penal. E tudo que for ilícito é crime tem que ser apurado e punido”.

Com o atual sistema político e eleitoral em vigência acredito serem mínimas as chances de renovação da classe política na proporção necessária que assegure uma quebra do sistema que impõe a corrupção como modelo de parâmetro da pratica da velha política. A corrupção sistêmica levou ao colapso a gestão do Estado. Sem enfrentá-la o país não sairá da crise econômica e política. Segundo o historiador Marco Antonio Villa, “A elite dirigente tem na corrupção seu instrumento de gestão da coisa pública. Nos três poderes a corrupção é parte intrínseca do funcionamento de uma república carcomida.”

Esse sistema tenta se colocar imune às mudanças, onde seus beneficiários oligárquicos reagem a qualquer tentativa de moralização, pois não conseguem se manter no poder sem a reprodução da corrupção, e farão tudo para impedir a mudança do seu “Modus Operante”.

Um sinal da tentativa de manutenção do sistema vem com a proposta de remendo no sistema eleitoral com a retomada da tentativa de aprovar o projeto do “Voto em lista fechada”, onde a direção partidária apresenta os candidatos em lista na ordem de sua preferência possibilitando a manutenção dos mesmos que se alimentam e se beneficiam da corrupção mantida pelo atual sistema, e o eleitor vota na lista na ordem imposta pelo partido, perdendo, com isso, o direito de ter uma escolha pessoal, ou seja, do candidato que melhor lhe inspire confiança e preparo.

Uma reforma eleitoral minimamente responsável e séria, não pode se esquivar de deliberar sobre o fim das coligações proporcionais, da instituição da cláusula de barreira, da adoção do sistema do voto distrital e da extinção da figura do suplente de senador, alem, é claro, da manutenção do fim do financiamento jurídico e da redução do tempo de campanha e regulação de material de divulgação com vistas a torná-la menos onerosa e mais igualitária.

A tarefa de reconstrução de um novo sistema político, com novas lideranças em cena, caberá à sociedade através de seu processo de escolha, sendo imprescindível a sua participação e esclarecimento político, que lhe assegurará o voto qualificado.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O PERIGO DA INDIFERENÇA AO CLAMOR SOCIAL - ARTIGO: JANEIRO/2017

O clamor pela ética na política, transparência e seriedade na condução da gestão pública e respeito ao cidadão tem sido a tônica da sociedade. Contudo, diante do cinismo e resistência de alguns poderosos em avançar no processo de mudança, fica claro que a elite brasileira não está tendo a devida noção de perigo. A crise de valores morais que extrapolou no campo político, que tem sido fortemente criticada pela sociedade, parece não estar sendo tratada com a devida seriedade pela classe política, que, a meu ver, perdeu a noção da grande gravidade da indignação popular que pode levar a uma ruptura social de consequências imprevisíveis, cujos sinais de alerta já estão sendo dados.

Alguns membros em posição de grande poder de influência nos três poderes da República insistem em não levar a sério o recado levado as ruas pelos grandes movimentos populares contra a corrupção e a impunidade dos que se locupletam, enriquecendo, com o dinheiro público. Há uma revolta crescente da população que já da sinais de que não aceita mais ser conduzido por essa classe política, e está enojada com as sórdidas manobras e conchavos na tentativa de desarticular a operação Lava-Jato.

Como militante político e dirigente da Fundação Ulysses Guimarães no Estado do Rio de Janeiro, me constrange e entristece ver lideranças do meu partido (PMDB), alguns ocupando posições importantes, promoverem condutas deploráveis, maculando a história de luta do PMDB na condução da Resistência Democrática e na luta pelo resgate dos direitos democráticos liderados por Dr. Ulysses Guimarães. Ao denegrirem a imagem do partido perante a sociedade, e não justifica o fato de não sermos o único partido uma vez que as instituições partidárias são vistas com descrédito, é destruir um patrimônio político que levará tempo para ser resgatado.

A sociedade não suporta mais o cinismo e a continuidade da pratica da velha política patrimonialista e fisiológica. O nível de tolerância do cidadão brasileiro, que tradicionalmente ao longo dos anos tem sido complacente, está no limite, preste a transbordar resultando em uma convulsão social.
A sociedade espera sinais de mudança e o governo Temer precisa ter ousadia e coragem para fazer essa “Travessia Reformista” no campo político, econômico e social, realizando o processo de reformas na esfera do sistema Político e Eleitoral, Previdenciário, Trabalhista e Tributário, fundamentais para a concretização das mudanças que o nosso país necessita e a sociedade exige.
Um governo comprometido com mudança precisa defender valores e passar através de ações concretas sua visão de país em sintonia com os anseios da sociedade.

Não há como recuar diante do caos em que o país se encontra nos aspectos: Moral, Ético, Fiscal e Econômico. O momento político extremamente delicado exige uma discussão profunda a respeito de para onde queremos ir, e a que fins chegaremos. Não há escolha sem valor, e os valores se apresentam a partir de referências. “Quando o indivíduo, a família, a escola, a empresa, a comunidade, a sociedade, as instituições, enfim, admite uma ética “capenga”, a corrupção encontra terreno propício e estende seus tentáculos encontrando, mais frequentemente do que gostaríamos muito poucos obstáculos. A corrupção é uma das formas mais agressivas de comportamento porque está no campo público e no campo privado, sendo, portanto, algo da esfera da vida. A sociedade bem ou mal resulta de nossas deliberações, então é claro que podemos fazer com que os sistemas sejam diferentes.”

Diante deste entendimento, podemos afirmar que a corrupção na política é tanto mais provável quanto mais pobre culturalmente e educacionalmente for à sociedade.

                                                                           

sábado, 31 de dezembro de 2016

2017: NADA IRÁ MUDAR SEM REFORMAS ESTRUTURAIS! - ARTIGO: DEZEMBRO/2016

É triste ter que iniciar esse artigo com a constatação de que estamos diante da dilapidação da ética em nosso país, que, infelizmente, atinge grande parcela da sociedade que por anos se mostrou indiferente e muitas das vezes conivente em razão do fato de reeleger representantes de caráter no mínimo duvidoso. A putrefação moral da classe política ao longo dos anos e mais evidente a cada legislatura, salvo poucas exceções, agrava a crise de valores morais e éticos e coloca a atual Democracia Representativa como uma das piores dos últimos anos.

O processo de investigação da operação Lava-Jato, após dois anos de seu início, chega a uma etapa decisiva neste final de 2016 com reflexos no campo político totalmente imprevisível. A “delação do fim do mundo”, que virá a tona no início de 2017 através de depoimentos de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht, principal empresa corruptora, irá causar uma hecatombe no circulo político brasileiro provocando um enorme estrago aos cardeais que à décadas dominam e ditam as decisões políticas em nosso país, através da prática de uma política ultrapassada e em exaustão, que corrompeu a República e desviou bilhões de dólares dos cofres públicos.

O processo de investigação no estágio em que chegou, confirma que a corrupção sistêmica se instalou em todas as esferas do poder público, sendo responsável pelo atraso social brasileiro, que agoniza o país em razão da indecência moral e ética da grande maioria da classe política, agravada pela ineficiência administrativa de gestores, salvo raríssimas exceções, que condenaram um país de grandes riquezas minerais a se perpetuar na mediocridade e miséria social e educacional de seu povo, sendo o atraso educacional seu maior sintoma falimentar.

Nada irá mudar sem a ocorrência do saneamento das relações entre a convivência responsável e transparente entre o público e o privado. Os casos escabrosos de corrupção e ineficiência de gestão que estão sendo revelados nos últimos anos tem causado uma grande insatisfação social com relação ao sistema político vigente, cuja indignação e descrédito alcançaram um elevado grau que ameaça atingir às instituições, o que irá abalar a nossa nova república com sérias consequências para a nossa jovem democracia, caso não ocorram mudanças no comportamento da elite dirigente, principalmente, no aspecto da transparência, na gestão eficiente, na responsabilidade orçamentária, na adoção da interlocução direta com a sociedade civil e compromisso claro com a renovação de princípios e valores.

Para que nosso país passe a ter reais esperanças de futuro a que se tentar, efetivamente, promover as reformas estruturais, que em razão de não terem sido realizadas acumulam décadas de atraso e são responsáveis pela exclusão social, baixo crescimento devido a fragilidade econômica, forte concentração de renda em uma pequena classe e segregação educacional de uma grande parcela da sociedade brasileira.
Continuar adiando as reformas que o país tanto necessita, no campo político, previdenciário, trabalhista, tributário e educacional, é soterrar as chances de reconstrução da nossa nação, levando-a a desagregação.

Diante do atual quadro político e econômico que o país atravessa não será fácil realizar as reformas estruturais que o país precisa, principalmente, diante da falta de uma liderança nacional que reúna competência, coragem e credibilidade para implementá-la. Contudo, não há alternativa. A sociedade brasileira precisa entender seu importante papel nesse momento e sua responsabilidade em liderar esse processo, onde 2018 se apresenta como uma grande oportunidade!
                                                                                              

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

ATÉ QUANDO SER ÍNTEGRO SERÁ VISTO COMO FORA DE MODA? - ARTIGO: NOVEMBRO/2016

                           
Uma das celebres frases do saudoso deputado Ulysses Guimarães, um visionário político, afirmava: “Um novo congresso será sempre pior do que o anterior”. Infelizmente é o que se vem confirmando, razão pela qual se explica a falência da nossa representação política.


São poucos parlamentares, e aí incluo as três esferas do legislativo brasileiro – Municipal, Estadual e Federal – que exercem um mandato honesto, eficiente e bem intencionado, com atuação política voltada para os interesses da maioria da sociedade a que representam, não se permitindo ser cooptado pelo sistema de vantagens, privilégios e as inúmeras oportunidades de negócios que levam em curto prazo ao enriquecimento ilícito. Admiro esses poucos homens e mulheres que resistem ao aliciamento do atual sistema político, pois é duro resistir às tentações e não se corromper.

Transmitir valores se tornou o grande desafio do cidadão. Gerações que se formaram nas últimas décadas assistiram a enormes mudanças nas famílias, aonde a educação dos jovens vem sofrendo perda de valores. O tempo do padrão de honestidade e integridade moral e ética ficou no passado, para as gerações que se formam assistindo a prevalência da facilidade da prática da corrupção, em razão do sentimento coletivo do “todo mundo faz” e da certeza da impunidade. Se para adultos é difícil se opor a este princípio que virou norma de ascensão social, imagine para os jovens carentes de exemplos de princípios éticos e valores morais. 

É inegável que o atual contexto é desfavorável a cultura da integridade moral, no momento em que os inúmeros casos de corrupção cometidos, principalmente, por pessoas que pela posição que ocupam deveriam dar exemplo de correção moral, e ao contrário se mostram indignas da confiança que a sociedade nelas depositou.

Essa descrença no ser humano, com relação ao aspecto moral e ético, tem levado as novas gerações a perderem o sentido da importância dos valores morais e éticos para a sua formação, e, consequentemente, de uma sociedade avançada, digna e justa. Nossas imperfeições não pode ser alimento para a desesperança na possibilidade de um mundo melhor no campo moral e ético.

A saída para essa crise de valores esta na formação do cidadão através da educação de qualidade de forma universal, uma educação igual para todos, ricos e pobres. O avanço social, a eliminação das desigualdades e a garantia de oportunidades iguais, estão na profunda reforma do sistema educacional, que possibilite que filhos de pobres tenham condições de disputar no campo do conhecimento e profissional com a mesma chance que tem o filho dos ricos. Desigualdade se elimina igualando a educação para todos!



domingo, 9 de outubro de 2016

O ELEITOR FOI IMPLACÁVEL, E O RECADO FOI DADO COM O CRESCENTE DESINTERESSE EM VOTAR - ARTIGO: OUTUBRO/2016

Em vários momentos somos confrontados por fatos que nos remetem a tomada de decisões. É nesses momentos que somos testados com relação a nossa capacidade de admitir erros e de mudar de rumo. Se não o fazemos, e nossa decisão nos leva a perdas pelo fato de não cedermos ao excesso de confiança que nos leva a arrogância, pagamos o preço da nossa teimosia.


No campo político se constata que a recusa em aceitar evidências que revelam a falência do atual sistema político e eleitoral tem levado a nossa Democracia Representativa a descer ladeira abaixo. Este sintoma ficou claro diante da rejeição a classe política traduzida nos autos índices de abstenções, votos nulos e votos em branco.

Ao termino das eleições municipais de 2016, como vinha sinalizando, a sociedade confirmou que esta contra o sistema político-partidário em razão do elevado índice de abstenções, ou seja, o “não voto”.
Os eleitores promoveram uma derrota fragorosa à prática do coronelismo político, onde poucos “líderes partidários” escaparam da humilhação eleitoral em razão de apostarem em métodos ultrapassados.

A ineficiência administrativa e, sobretudo o crescimento da corrupção nos últimos anos, evidenciado principalmente pela operação Lava-Jato, fez com que o eleitor fosse implacável com o PT, que perdeu 60% das prefeituras conquistadas na eleição de 2012, e entre as capitais vencendo tão somente em Boa Vista, capital do estado do Acre. O PMDB foi outro partido que embora tenha se mantido a nível nacional como o partido com maior número de prefeituras, perdeu força eleitoral em importantes cidades, com destaque para o Rio de Janeiro.

Esta eleição evidência o abismo político entre a sociedade e a classe política, atingindo profundamente as instituições partidárias, implodindo os pilares dos grandes partidos, e confirmou, através do alto índice de abstenções, votos nulos e brancos, o desencanto da população com os rumos que a política tomou. É inegável a exaustão do atual modelo que sinaliza o prenúncio do que poderá ocorrer nas eleições de 2018 caso o Congresso não sinalize com uma reforma política e eleitoral a altura da expectativa da sociedade brasileira.

A descrença do eleitor transbordou e a insatisfação diante dos inúmeros casos de corrupção aguçou a rejeição a classe política. Aos que alimentavam a ilusão de que o voto estaria assegurado através da gratidão em virtude de uma gestão de grandes realizações, se surpreendeu com uma derrota eleitoral que em outros tempos não ocorreria. Ficou claro que o eleitor não perdoa expectativas não atendidas e comportamentos que firam o padrão de humildade e respeito.
Diante do resultado dessas eleições o recado foi dado. Cresce o desinteresse em votar!!!
                                                                                     
Amaury Cardoso


sábado, 8 de outubro de 2016

O PATRIMONIALISMO E A FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO - ARTIGO: SETEMBRO/2016.


O patrimonialismo no Brasil tem causado consequências profundas no processo de condução dos governos brasileiros. Partindo desta constatação entendo que uma das características que se espera que o Estado moderno desempenhe é o que diz respeito ao desenvolvimento de uma burocracia eficiente e transparente, destituída de interesses particularistas. No entanto, na realidade, e na visão de alguns estudiosos sobre o tema o que se constata é que o sistema político brasileiro continua a exibir traços patrimonialistas dentro dos quais tem se verificado a proliferação de mistificações auto justificáveis que permitem às classes políticas boicotar reformas que visem estabelecer um contrato social mais eficiente, constrangendo, desse modo, uma melhor distribuição da riqueza e a constituição de uma cidadania plena.

Nestas circunstâncias, os cidadãos de maneira geral descreem nas instituições políticas e nos gestores públicos e, consequentemente tentam negociar suas demandas diretamente com o “poder”. Assim, tendo em vista o imediatismo exigido pelas pessoas para o atendimento de suas necessidades essenciais, se cria um cenário para o ressurgimento de práticas políticas que inibem o desenvolvimento democrático. Uma dessas práticas é justamente o patrimonialismo.

Este tipo de prática estabelecido entre Estado e sociedade, em pleno século XXI, onde se continua a observar o uso do Estado e de recursos públicos por parte dos gestores públicos, como dispositivo de dominação e subserviência política. Estas práticas patrimonialistas criaram raízes culturais no Estado brasileiro, determinando a formação, desenvolvimento e o modo de funcionamento de nosso Estado e burocracia.

É evidente que esta prática não é nova, pois a prática patrimonialista remonta à época de Max Weber, quando elaborou as fórmulas de dominação existentes no sistema político. Para Sérgio Buarque de Holanda e Raimundo Faoro, existem três formas de dominação: 1- dominação legal; 2- dominação tradicional e 3- dominação carismática. Para efeitos deste artigo, enfatizo o significado e consequência do Estado moderno, dos resquícios de uma dominação tradicional, a qual se materializa na direção patrimonialista.

Destaco que este conceito se refere a uma estrutura política de relações sociais típicas, as quais se constituem no prolongamento dos poderes do patriarca familiar. De acordo com Max Weber, o patrimonialismo não conhece nem o conceito de competência, nem o de alteridade ou magistratura no sentido moderno, principalmente pelo fato de que o processo de apropriação da coisa pública num sentido familista se difunde. A burocracia, em geral, assume posições de gerenciamento da coisa pública e dos recursos públicos como se propriedade privada e familiar fosse.

O conceito de patrimonialismo é desenvolvido por Raymundo Faoro, um dos principais pensadores da política brasileira, que tem o entendimento que o atraso político brasileiro no ponto de vista da incorporação da sociedade civil, tem  a ver com a forma de estruturação da burocracia no país. Fruto do avanço sistemático do poder político no controle da economia e da diferenciação social, o patrimonialismo estatal destruiu a institucionalização dos direitos individuais.

Este conjunto de fatores da sociabilidade brasileira propiciou, segundo Sérgio Buarque de Holanda, o estabelecimento de quatro elementos que caracterizaram a organização social brasileira: ausência da tendência de autogoverno, a qual significava a ausência de solidariedade comunitária e de maneiras espontâneas de auto-organização política; virtudes inativas, ou seja, o ser social não reflete ativamente para transformar a realidade mas procura uma razão externa à sua existência; é razão reflexiva, a qual provoca um pensamento que impede rompimentos, sustenta uma consciência conservadora e um domínio dos interesses pelas paixões.

De acordo com essa concepção, a sociabilidade brasileira nasceu influenciada pela pirâmide familiar, tendo como fundamentos a organização patriarcal, a fragmentação social, as lutas entre famílias, as virtudes inativas e a ética da aventura. Originalmente, o caudilhismo e, posteriormente, o coronelismo, que implicava a existência de lideranças carismáticas, substituíam a racionalidade dos interesses individuais e estabeleciam a matriz sobre a qual a organização social e as fundações da política e do Estado foram delineadas.

Com efeito, na medida em que as relações afetivas ou familiares precederam a constituição do espaço público, o poder incorporou uma dimensão personalista em que o carisma-onipotente e a dependência do homem comum geraram uma atitude instrumental em relação à política.
A base da estrutura de atitudes e comportamentos políticos, neste tipo de sistema político, se dá num sentido pessoal. Desse modo, o patrimonialismo  produz uma práxis política dos representantes eleitos que somente se interessam pela sorte e bem- estar daqueles que dele dependem, pois desses grupos dependem sua sobrevivência política.

Quando o gestor público usa os recursos de maneira patrimonialista, a tendência à geração de figuras chamadas de “salvadores da pátria”.
No Brasil ainda persistem práticas de caráter patrimonialista, produzindo uma cultura política que mistura relações políticas de natureza pessoal com estruturas razoavelmente eficientes de mediação política.

A entidade privada precede sempre a entidade pública. O resultado é a prevalência de sentimentos próprios à comunidade doméstica, naturalmente particularista a antipolítica, uma invasão do público pelo privado, do Estado pela família, segundo a visão de Sérgio Buarque de Holanda.
Concluo com a afirmação de que nossas instituições públicas são tomadas pelos governantes como algo de interesse próprio, com finalidades pessoais e particulares, diferentemente do ideal da burocracia expressado por Weber.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

ULYSSES GUIMARÃES, UMA VIDA DE LUTA PELA DEMOCRACIA - ARTIGO: OUTUBRO/2016

Em 06 de outubro de 1916 nascia Ulysses Silveira Guimarães. Hoje o Brasil comemora os 100 anos de  Ulysses Guimarães, um político admirável e respeitado que deixou um grande legado, construído na sua trajetória política iniciada em 1947, quando se elegeu deputado estadual pelo estado de São Paulo, tendo sido eleito deputado federal em 1950, função que exerceu por 11 mandatos consecutivos, que deixou um grande legado.

Dr. Ulysses foi reconhecido como o líder da "Resistência Democrática", que derrubou a ditadura militar. O "Senhor Diretas ", ao liderar a campanha das "Diretas Já ", tendo sido o grande timoneiro da oposição à ditadura militar e o principal condutor do nosso país a retomada da Democracia, sendo fundamental a sua condução como presidente da Câmara Federal do processo de construção da Constituição Federal de 1988, que consagrou o avanço dos direitos sociais e libertários, assegurando a participação cidadã, com isso sendo reconhecido como o mentor da "Constituição cidadã".

Ulysses Guimarães é reconhecido como uma referência nacional, em razão de sua luta e seus feitos durante o processo da ditadura militar e da reconstrução do processo democrático em nosso país.


Ulysses Guimarães pregava que a política não se faz com ódio, pois não é função hepática. É filha da consciência, irmã do caráter, hóspede do coração. Eventualmente, pode até ser açoitada pela mesma cólera com que Jesus Cristo, o político da Paz e da Justiça, expulsou os vendilhões do tempo. Nunca com raiva dos invejosos, maledicentes, frustrados ou ressentidos. Sejamos fiéis ao Evangelho de Santo Agostinho: Ódio ao pecado, amor ao pegador. Quem não se interessa pela política, não se interessa pela vida...

Defensor ferrenho da Democracia, foi, também, intransigente contra a corrupção, onde afirmava: "Não roubar. Não deixar roubar. E colocar na cadeia quem rouba..."
A política de hoje, desacreditada por falta de escrúpulos morais e éticos, prescinde da presença no cenário político contemporâneo da figura firme, corajosa, integra e implacável contra a prática da má política de Dr. Ulysses.

Para mim tem sido um privilégio presidir, desde 2011, a Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de Janeiro, uma experiência que tem me enriquecido politicamente, por ser uma entidade que tem como principal finalidade o compromisso de levar conhecimento e capacitação política a todos os cidadãos, por entender que só o conhecimento e a educação libertam e constrói cidadania.

É só para você ter uma ideia - Ep. 24 - Amaury Cardoso

Essa entrevista concedida a minha amiga Teresa Couri - professora, psicanalista, terapeuta ocupacional- foi para mim muito especial. Por nos...