quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A RESPOSTA DAS URNAS - ARTIGO: NOVEMBRO/2018


Concluímos mais um processo eleitoral, e estas eleições de 2018 se caracterizaram como uma das eleições mais imprevisíveis que já participei. Foi uma eleição marcada pelo repúdio a política, com forte rejeição a velha aristocracia política, onde a sociedade brasileira deixou claro o seu desapontamento com a degradação da estrutura política em nosso país.

O sistema político foi sendo destruído ao longo dos anos pós redemocratização e chega nesta eleição com evidencias claras de estar destroçado, razão pela qual se compreende o fato de afastar inúmeras lideranças da atividade política partidária e, por conseguinte, da busca de um mandato.

Chegamos a esse ponto em razão da falta de interesse de grupos dominantes da política brasileira em permitir o surgimento de novas lideranças que possibilitem uma renovação na representação política. Agindo desta forma tenta impedir a aproximação de novas expressões políticas junto ao conjunto da sociedade, o que se comprova na relutância em realizar uma profunda reforma na estrutura do sistema político e eleitoral.

Diante disso, o Brasil esta vivendo um momento dos mais preocupantes da sua história. As eleições de 2018 se tornaram um enfrentamento sem precedentes, culminando com uma disputa dos extremos ideológicos, sendo vencedor a corrente que incorporou a onda conservadora e anti-petista.

Esta eleição apresentou vários resultados que para muitos eram inesperados. Um desses resultados foi o fato de que o eleitorado nacional governado pelos três maiores partidos (MDB, PT e PSDB), em comparação as eleições passadas, em especial a de 2014, perderam considerável parcela de eleitores. O MDB foi o partido que mais encolheu no comparativo com 2014. Perdeu cerca de 19 milhões, ou seja, 66% do patamar que alcançou nas eleições estaduais de 2014, ao passar de 7 para 3 governadores, sendo um do Distrito Federal. Em seguida vem o PT que perdeu 13 milhões de eleitores ao passar de 5 para 4 estados governados pela legenda. O PSDB, mesmo mantendo o controle no estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, perdeu cerca de 8 milhões do eleitorado governado.

Outro resultado evidente foi o fato dos partidos tradicionais, que acostumados a dividirem a grande parcela do eleitorado e com isso obterem maior representação política, sofreram uma grande perda eleitoral em razão do fato da pulverização dos votos entre os partidos em disputa.

Fazendo um comparativo entre a eleição de 2014 e 2018, os maiores partidos tiveram perdas significativas em suas bancadas no senado, na câmara federal e nas assembléias legislativas.

SENADO:
2014 – 1º MDB 18  -  2º PSDB 12  -  3º PT 9
2018 -  1º MDB 11  -  2º PSDB   8  -  6º PT 6

Observamos que os três maiores partidos no senado (MDB, PSDB e PT) que atualmente tem juntos quase a metade do senado, na próxima legislatura passa a representar menos de um terço das cadeiras do senado.
CÂMARA FEDERAL:
2014 -  1º PT 69  -  2º MDB 65  -  3º PSDB 54
2018 -  1º PT 56  -  4º MDB 34  -  9º PSDB 29

Observamos que a bancada do MDB e PSDB tiveram uma grande baixa na câmara.

ASSEMPLÉIAS ESTADUAIS:
2014 -  1º MDB  142  -  2º PT 110  -  3º PSDB 97
2018 -  1º MDB    93  -  2º PT   85  -  4º PSDB 73

Esse quadro configura que ocorreu uma pulverização na representação legislativa no senado, na câmara federal e nas assembléias legislativas, onde os partidos tradicionais e maiores perderam poder e força.

Outro dado significativo ocorrido na câmara federal nas eleições de 1998 à 2018 envolve a relação do percentual da representação feminina e a taxa de renovação.

MULHERES NA CÂMARA:
1998 – 28 – 5,5%
2002 -  42 -  8,2%
2006 -  45 -  8,8%
2010 -  45 -  8,8%
2014 -  51 -  9,9%
2018 -  77 – 15%

RENOVAÇÃO NA CÂMARA:
     (deputados novatos)
1998 -  183 – 35,7%
2002 -  184 -  35,9%
2006 -  193 -  37,6%
2010 -  189 -  36,8%
2014 -  198 -  38,6%
2018 -  243 -  47,3%

A pulverização das forças políticas também se deu na representação dos governos estaduais e seu eleitorado por partido.
MDB – Elegeu três governadores (PA, AL e DF), totalizando 6,9% do eleitorado nacional.
PT – Elegeu quatro governadores (BA, CE, PI e RN), totalizando 14,5% do eleitorado nacional.
PSDB – Elegeu três governadores (MS, SP e RS), totalizando 29,4% do eleitorado nacional.
PP – Elegeu um governador (AC), totalizando 0,4% do eleitorado nacional.
DEM – Elegeu dois governadores (MT e GO), totalizando 4,6% do eleitorado nacional.
PSB – Elegeu três governadores (ES, PB, e PE), totalizando 8,31% do eleitorado nacional.
PDT – Elegeu um governador (AP), totalizando 0,3% do eleitorado nacional.
PSL – Elegeu três governadores (RO, RR, e SC), totalizando 4,4% do eleitorado nacional.
PSC – Elegeu dois governadores (RJ e AM), totalizando 10% do eleitorado nacional.
PHS – Elegeu um governador (TO), totalizando 0,71% do eleitorado nacional.
NOVO – Elegeu um governador (MG), totalizando 10,6% do eleitorado nacional.
PC do B – Elegeu um governador (MA), totalizando 3% do eleitorado nacional.
PSD – Elegeu dois governadores (SE e PR), totalizando 6,5% do eleitorado nacional.

Nesta nova configuração a posição dos partidos por número de eleitores em relação aos estados governados, fica:

1º - PSDB  -  29,4%
2º - PT       -  14,5%
3º - NOVO - 10,6%
4º - PSC     - 10.0%
5º - PSB     -   8,3%
6º - MDB   -   6,9%
7º - PSD     -   6,5%
8º - DEM   -   4,6%
9º - PSL     -   4,4%
10° PC do B  3,0%
11° PHS     -   0,7%
12º PP        -   0,4%
13º PDT     -   0,3%

Por fim, é importante destacar que os votos nulos, brancos e abstenções, os chamados “Não Votos”, alcançou o significativo patamar de 42,5 milhões de eleitores, sendo que o voto nulo teve alta de 3%, em comparação a 2014.

Abstenções – 21,25 %
Nulos          -    7,44%
Brancos      -    2,15%
Totalizando   30,84% ( Média nacional de “Não votos”)

EVOLUÇÃO DOS VOTOS NULOS, BRANCOS E ABSTENÇÕES
                  (Período eleitoral entre 2002 e 2018)

Nulos                                 Brancos                   Abstenções
2002 – 4,12%                      1,88%                         20,47%
2006 – 4,71%                      1,33%                         18,99%
2010 – 4,40%                       2,30%                        21,50%
2014 -  4,63%                      1,71%                         21,10%
2018 -  7,44%                      2,15%                         21,25%

O que se conclui diante do resultado das eleições de 2018 é que a resposta foi dada nas urnas, aqueles que no meio político e partidário não entenderam o clamor da sociedade, ou se entenderam relutaram em aceitar os novos tempos da política arcaram com as conseqüenciais.
                                                      



Amaury Cardoso
Presidente Estadual da FUG/RJ
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

       




terça-feira, 9 de outubro de 2018

A SOCIEDADE DEU UM BASTA A VELHA POLÍTICA. - ARTIGO: OUTUBRO / 2018





Sinceramente, o resultado das eleições de 2018, não me surpreendeu. O clamor por renovação ganhou força a partir de 2013 e as manifestações de desencanto e indignação com a corrupção na política e a ineficiência na gestão pública, só aumentaram. Os atores políticos que subestimaram e preferiram ignorar o clamor da sociedade por mudanças no sistema político e eleitoral, foram, na grande maioria, rejeitados nas urnas. O fato é que estas eleições desorganizou o sistema político-partidário que durante anos ditou as normas no país.

Essa eleição deixa claro que o atual sistema político pós-nova república se esgotou. O golpe final veio diante da crise de valores morais e ético que assolou a classe política iniciada em 2014 em razão dos escândalos evidenciados nas etapas da operação lava jato, que implodiu a credibilidade da maioria dos partidos política junto à sociedade que se viu indignada e em desencanto com a velha prática política. O discurso do combate a corrupção, a impunidade e privilégios tiveram um grande eco nas eleições de 2018.

Além do apelo do discurso anticorrupção, o tema segurança pública e a defesa dos valores familiares, foram priorizados pelo eleitor. Forças tradicionais da política, em várias regiões do país foram derrotadas provocando uma renovação na média de 50%, a maior dos últimos 20 anos, na câmara federal e na maioria das assembleias legislativas, sendo que no senado federal, chegou a 85% onde de 54 cadeiras foram renovadas 46. Os grandes partidos tiveram suas bancadas reduzidas, o que causou um abalo nos partidos tradicionais, evidenciando uma clara mudança no eleitorado brasileiro.

Essa eleição também encerra um longo ciclo de polarização entre PT e PSDB e pulveriza a representação partidária, deixando de existir a supremacia de grandes partidos sobre as pequenas correntes partidárias.

Fazendo um comparativo da composição ideológica na câmara federal entre as forças de esquerda, centro e direita nas três eleições regionais/nacionais (2010-2014-2018), temos o seguinte quadro:

ESQUERDA:
Em 2010 elegeu 126 parlamentares;
Em 2014 Elegeu 138 parlamentares;
Em 2018 Elegeu 137 parlamentares;
·        CENTRO:
Em 2010 elegeu 157 parlamentares;
Em 2014 elegeu 137 parlamentares;
Em 2018 elegeu   75 parlamentares;
·        DIREITA:
Em 2010 elegeu 190 parlamentares;
Em 2014 elegeu 238 parlamentares;
Em 2018 elegeu 301 parlamentares;

Outro dato importante a ser comparado, é com relação à participação de mulheres na câmara federal entre as eleições de 2014 e 2018. Em 2014, foram eleitos 462 homens e 51 mulheres, já em 2018 foram eleitos 436 homens e 77 mulheres o que configura um aumento da representação feminina em 51% em comparação a 2014. Contudo, ainda a quem do peso eleitoral do voto feminino do país.

O resultado das eleições de 2018 deixa claro que ela foi tomada por uma forte onda conservadora que seduziu grande parcela da sociedade que se vê amedrontada pelo alto índice de violência, associada a grande indignação com o atual processo político que se vê afundada na lama da corrupção.

Cabe destacar que os novos eleitos não podem deixar de priorizar o compromisso com a garantia e avanço da democracia, bem como não fugir da responsabilidade de realizar reformas estruturais, fundamentais para o momento que o Brasil atravessa, a começar pela reforma política e eleitoral. A sociedade tem sinalizado no sentido da mudança desse sistema político aristocrático e corrompido.

Por fim destaco, por concordar, com o ponto de vista do imortal e jornalista Merval Pereira ao afirmar que “De forma clara e plebiscitária, a tese do golpe foi rechaçada. O povo chancelou o impeachment de Dilma e enterrou a narrativa do golpe”. 


Amaury Cardoso
Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de Janeiro
www.amaurycardoso.blogspot.com.br

                                                                               

domingo, 23 de setembro de 2018

O TEMPO PERDIDO NO AVANÇO POLÍTICO. - ARTIGO: Setembro/2018


Fazendo uma retrospectiva dos momentos políticos vividos pela minha geração, tendo passado por longo tempo (1964 à 1989) sem eleições gerais para presidente, período de cassações, perseguições política e proibições de manifestações, vivi intensamente um movimento de resistência ao regime militar, participei de campanhas fundamentais para o restabelecimento do regime democrático de pleno direito.


Recordo-me da campanha pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, que permitiu a volta dos exilados, a campanha das Diretas Já e a campanha da Redemocratização, com a importante eleição indireta de Tancredo Neves a presidente no colégio eleitoral, que pôs fim ao ciclo de mais de 20 anos de governo militar, depois as passeatas pelo impeachment de Collor e, logo após, o movimento pela estabilização da economia, em meados dos anos 90, realizadas no governo FHC, e finalmente, assisti a eleição de Lula e o avanço do processo social da década passada. As conquistas foram lentas, mas alimentavam o sentimento de querer mais.


Com tristeza, percebo que essas lutas políticas que alimentaram os meus sonhos de juventude de mudar o Brasil, embora tenham provocado mudanças importantes, estão demorando a se concretizarem. É angustiante você perceber que seus sonhos do passado, sonhos e ideais políticos de 30 anos atrás, com o passar do tempo se tornam mais distantes.

Os processos eleitorais dos últimos anos, e o deste ano com mais evidência, tem revelado que o ciclo a que me referi acima, iniciado com o golpe militar de 64, esta terminando. Os partidos de hoje passam ao largo da maioria das pessoas, em especial para a juventude em razão do esgotamento de suas propostas, confirmando um quadro institucional partidário falido.


O que vivíamos a 30 anos atrás, a mobilização das ruas levantando a bandeira das eleições diretas, hoje se reflete numa descrença no processo político eleitoral, com a juventude inclinada para o voto branco e nulo, e muitos não interessados em se inscrever para votar, com o agravante do considerável número de abstenções.


Essa recusa é sintomática, que atinge diretamente os políticos e a instância partidária. Essa mensagem precisa ser entendida como advertência e alerta no sentido da necessidade da melhora da qualidade política, onde os valores morais e éticos sejam primordiais, condição fundamental ao aperfeiçoamento da democracia representativa.

A cada processo eleitoral fica mais claro que a sociedade não aceita mais “alianças” para sustentação da tal “governabilidade” em troca de espaços de poder, que passa a ser sustentada por uma base fisiológica e corrupta, com forte aparelhamento partidário, a exemplo do projeto de poder construído nos 13 anos e meio de governo do PT, que foi, a meu ver, responsável pelo aprofundamento da vergonhosa degeneração de práticas políticas corruptas. A polarização dessa eleição entre os eleitores anti-petista e os simpáticos ao lulopetismo confirmam a indignação e desencanto de uma grande parcela da sociedade, que em resposta consagram a vitória daquele que incorpora o sentimento anticorrupção e anti PT. A decepção com os erros no campo moral e ético agravados no governo do PT forjou o fenômeno Bolsonaro.


Essa perda de confiança e indignação com as práticas de governabilidade que se sustentam no aprofundamento da sucessão de escândalos praticados no governo petista gerou uma crise institucional que atingiu frontalmente a necessária decência no trato da coisa pública, que precisa ser contida.


Não podemos nos eximir da responsabilidade de provocar a necessária mudança e, tão pouco podemos perder tempo. O novo congresso, cuja renovação poderá influenciar nesse sentido, devido às evidências colhidas nesta eleição, onde a sociedade deixou clara sua rejeição e intenção de não aceitar mais o atual, viciado, excludente e elitizado jogo eleitoral, razão pela qual a reforma política não tem como não entrar na pauta do novo Congresso. Esta eleição é uma prova incontestável de que o atual sistema político eleitoral esta falido.


Não há outro caminho para a regeneração senão as urnas oficializando a mudança.
Contudo, a mudança nem sempre é garantia de avanço.




Amaury Cardoso
Presidente Estadual da Fundação Ulysses Guimarães/RJ

Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A REFUNDAÇÃO DO SISTEMA POLÍTICO, DIANTE DE UM CONGRESSO QUE NÃO REPRESENTA AS DEMANDAS DEMOCRÁTICAS DA SOCIEDADE. ARTIGO: JULHO/2018



O Brasil experimenta uma longa crise cuja sua permanência por mais tempo pode comprometer o seu futuro. Não falo de uma crise qualquer, mas de um conjunto de cinco crises – financeira, política, policial (com a Operação Lava Jato), de retração no mercado internacional e de valores morais, agravada por um déficit de liderança diante de um Brasil sem estratégia. E isso acontece em um momento onde o mundo se organiza em grandes espaços comerciais e de investimentos. 

O Brasil se encontra nesta situação em razão de nos últimos 15 anos ter negligenciado em fazer a lição de casa, o que lhe permitiria competir internacionalmente. Refiro-me ao fato de não terem sido feitas as reformas estruturais importantes para o nosso país aparecer bem lá fora. Em resumo, os governos passados não utilizarão os bons tempos da economia internacional para se preparar para os dias difíceis, que chegaram. Em razão desse irresponsável erro o Brasil paga um preço muito alto. Eu acredito que estamos no pior dos mundos neste momento. O presente não é bom e as perspectivas de futuro também não são boas. 

Como ter uma democracia forte diante do grande desencanto da sociedade com política? Como incorporar a sociedade a massa marginal de 27 milhões de desempregados? O que fazer com os milhões de não empregáveis, em razão de estarem fora do mercado de trabalho por baixa escolaridade, e que irá se agravar em razão do processo industrial de automatização?

O quadro é gravíssimo, e os cidadãos em desencanto e indignados já não percebem a democracia representativa como um canal de solução dos seus anseios.

È fato que estamos experimentando no sistema político uma transição do velho para o novo, onde a saída é a refundação do atual modelo político brasileiro, com fortes bases na ética política.

Diante deste quadro, o que mais nos preocupa é o fato de que seja qual for o próximo presidente eleito, ele terá uma enorme dificuldade de desarmar a “Bomba relógio” que irá assumir na elaboração do orçamento e, principalmente, resolver o grave desafio de eliminar o oportunismo no Congresso que inviabiliza qualquer governo. Temos presenciado que o executivo fica a mercê de corporações. Refiro-me as corporações do Serviço Público, a Ruralista e a Evangélica.

Há um desarranjo no sistema político com a prevalência do domínio das corporações no Congresso, onde seus interesses estão acima dos interesses do país e das necessidades primárias da sociedade.

Mesmo diante de um cidadão que clama por renovação na representação política, em razão de entender que o atual Congresso não representa as demandas democráticas da sociedade, arisco afirmar que muito embora tenhamos um crescimento no número de “Não Votos” a renovação esperada será alguém da vontade popular, pelo fato do parlamento brasileiro ter criado um sistema político/eleitoral que preserva seus mandatos. Entendo que de cada 10 parlamentares do atual Congresso, em torno de sete irão se reeleger.

As grandes reformas estruturais: Sistema Previdenciário, Sistema Político e Sistema Tributário são imprescindíveis para viabilizar investimentos que provoque o desenvolvimento, e desta forma garantindo o crescimento econômico e social do país. Essas medidas, pelas razões citadas acima, vem sendo proteladas pelos atores políticos no Executivo e no Legislativo, e a sociedade vem atravessando eleições sem que essas reformas estruturantes sejam aplicadas.

O que se observa nos processos eleitorais são, na maioria das vezes, propostas superficiais que são feitas sem sustentação pelos candidatos a presidente, e que não foram implantadas antes por uma simples razão: Os grupos que ditam o poder não têm interesse que essas reformas ocorram. E nesse campo estão às necessárias reformas estruturantes, em especial a do sistema político.

Por fim, diante de um cenário de grave crise econômica é obvio que se torna necessário que toda a política de gastos esteja assegurada em uma fonte de receita, bem como toda política pública de viés social tem que estar assegurada no amplo retorno social.


Amaury Cardoso
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br
E-mail: amaurycardosopmdb@yahoo.com.br

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A INADMISSÍVEL VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - ARTIGO: JUNHO/2018


Durante o processo histórico da humanidade a sociedade comumente determina as diferenças de gênero baseadas na construção cultural de que o homem, por ser superior, engloba, e representa a mulher. Este modelo social é bidimensional, ou seja, a relação hierárquica é composta de dois níveis, o superior representado pelo homem e o inferior representado pela mulher. A representação das mulheres como sujeitos inferiores é fortemente difundida em diversos tempos históricos.

Foi no início dos anos 60 que se iniciou uma revolução dentro dos setores das ciências humanas. Áreas como filosofia, sociologia e história criaram departamentos exclusivos para discussões sobre as questões de gênero. Assim, o feminismo revolucionário passou das fogueiras de sutiãs e das passeatas às cadeiras das universidades com os “estudos de gênero”. 

No Brasil, a luta pela conquista da emancipação da mulher se manifesta tardiamente, apesar das primeiras duas décadas do século XX ser palco de uma breve emergência do movimento caracterizado, principalmente, nas greves de 1917, na Semana de Arte Moderna de 1922 e, nesse mesmo ano, na fundação do Partido Comunista do Brasil. 

Em 1932 as mulheres conquistam o direito de votar no Brasil, mas é também neste período que os padrões normativos da ideologia da domesticidade se constituem como ponto comum no meio social, diante de uma cultura forjada no forte domínio da figura do homem, cabendo ressaltar que o Brasil se organizou desde 1500 numa estrutura patriarcal, onde as filhas mulheres saiam da dominação do pai para passarem à dominação de seu marido. 

Foi entre os anos 30 e 60 que assistimos à emergência de um expressivo movimento feminista, organizado como “Movimento de Mulheres”, de origem das camadas médias e na maioria intelectualizadas, que buscavam novas formas de expressão da individualidade, questionador não só da opressão machista, mas dos códigos da sexualidade feminina e dos modelos de comportamento impostos pela sociedade de consumo. 

A partir dos anos 80, iniciou-se com mais intensidade um movimento de recusa radical dos padrões sexuais e do modelo de feminilidade vigente. Mais do que nunca, as luta pela emancipação e igualdade de direitos passou questionar o conceito de mulher que as afirmavam enquanto sombra do homem e que lhes dava o direito à existência apenas como apêndice de uma relação, no público ou no privado. 

Sem dúvida, ao longo do século XX, foi no seu final que se passou a registrar as muitas das conquistas alcançadas pela mulher brasileira em todos os campos da vida social, especialmente no que se refere à aceitação das mulheres no mercado de trabalho e ao seu reconhecimento profissional. 

 No entanto, não há como negar o fato de que todas as conquistas arduamente ganhas ao longo dessas últimas décadas não estão consolidadas. Ao contrário, são continuamente ameaçadas por pressões machistas, pelo mercado de consumo e pelo conservadorismo desenfreado. 

 Este ano a Lei Maria da Penha completou 12 anos de existência e se tornou um marco essencial da conquista feminina, somando-se a ela a Lei 11.340, promulgada em 2006, que visa coibir agressões dentro de casa, e a Lei 13.104, conhecida como Lei do Feminicídio, promulgada em 2015. Contudo, infelizmente, tem se revelado insuficiente ao combate a permanência da brutalidade machista, que está enraizada por ser uma herança cultural do Brasil. 

 O que se constata é que as agressões e homicídios fazem parte do cotidiano das mulheres brasileiras, independente da classe social, mas, especialmente as negras pertencentes à baixa camada social. Pesquisas revelam que essa taxa de homicídios e crimes contra a mulher tem crescido em nosso país, onde o aumento da violência contra a mulher – crime de feminicídio - subiu cerca de 22%, colocando o Brasil entre os piores países nesse tipo de crime. O que se percebe é que as medidas de proteção ao crime contra a mulher através das leis existentes, embora fundamentais, não têm inibido a intolerância e atos de brutalidade contra elas.

Amaury Cardoso
Blog: amaurycardoso.blogspot.com.br

terça-feira, 24 de julho de 2018

A REVOLUÇÃO EDUCACIONAL DO SÉCULO 21 DIANTE DA QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. - ARTIGO: MAIO/2018



É evidente a desconexão entre o sistema de ensino inspirado na sociedade de cerca de 200 anos atrás e a realidade que vivenciamos no século 21. Com o forte dinamismo tecnológico que impõe mudanças constantes no modo de vida da sociedade contemporânea, é certo que dois terços das crianças matriculadas no ensino fundamental trabalharão em carreiras que ainda não existem, bem como muitas das carreiras profissionais diante do acelerado avanço tecnológico deixarão de existir em breve espaço de tempo.
Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), estima-se que 35% das habilidades mais demandadas atualmente mudem em menos de 24 meses, ou seja, até 2020, influenciando no desaparecimento de 7,1 milhões de empregos.
O avanço tecnológico e a necessidade de desenvolver novas aptidões têm provocado uma grande mudança no setor educacional a nível mundial. O Brasil amarga um profundo atraso no campo da educação comprometendo fortemente sua condição de competitividade no mercado de trabalho, com risco de perder o atrativo de importantes investidores.
Torna-se imprescindível a mudança de mentalidade na visão e metodologia da educação brasileira, e essa mudança se inicia na forma tradicional de ensinar, permitindo ao aluno um maior protagonismo em sala de aula.
A universalização do ensino de qualidade precisa ser um compromisso da educação brasileira. O acesso a oportunidade de um ensino igual para todos, independente da classe social, é a garantia da igualdade de oportunidades para todos no campo educacional e profissional.
Se levarmos em consideração que oito em cada dez estudantes brasileiros estão em colégios públicos, a necessidade da garantia de um ensino de qualidade é condição fundamental e determinante para o nosso país, uma vez que a realidade do nosso atraso no campo educacional nos coloca em desvantagem absurda no campo do conhecimento e da inovação tecnológica.
Outro dado alarmante vem de um estudo da UNESCO, feito em 2017, que mapeou a educação de 35 países emergentes, entre eles o Brasil - que tem a maior quantidade de trabalhadores -, revelando estarem abaixo da média mundial em educação e podem se ver em meio a dificuldades na próxima década se não tiver o seu serviço público educacional revisado e reestruturado sua metodologia e grade curricular de ensino, visando seu fortalecimento no campo da qualidade.
Fato é que entre a educação desejada e a real há um abismo no sistema público brasileiro. E o método de ensino atrasado, ultrapassado, com infraestrutura escolar deficitária, com falta de profissionais preparados para trabalhar dentro de um moderno modelo de educação, com recursos financeiros insuficientes e/ou ineficientes gestão desses recursos, dentre outros óbices, tem sido durante décadas obstáculos ao avanço da revolução educacional pela qualidade em nosso país.
Na sociedade contemporânea, diferentemente do passado, os mestres/professores não são os detentores absolutos do conhecimento e sim facilitadores que devem adotar métodos mais colaborativos e flexíveis em sala de aula. Essa concepção de comportamento falta a uma grande parcela do nosso corpo docente. O Ministério da Educação precisa aceitar que com a aproximação da quarta revolução industrial, há uma necessária emergência na reformulação dos métodos de ensino, abraçando as novas tecnologias e reinventando nova metodologia, mais efetiva, de passar o conhecimento.
“Seja para professores, seja para empreendedores, seja para operários, seja para empresários, se existe uma habilidade que será imprescindível nesse novo contexto é a capacidade de aprender constantemente. Com o surgimento de novas carreiras e o aumento da expectativa de vida, grande parte da população continuará trabalhando depois de 60,70, 80 anos.”
Para nos mantermos competitivos e desejados pelo mercado atual e futuro, teremos de nos tornar eternos estudantes, pois as transformações que ocorrem nos exigem, de forma cada vez mais latente, constante atualização profissional. O processo do conhecimento é continuo e não mais, tão somente, construído nos bancos escolares até o inicio da fase adulta como ainda ocorre. A busca por novos conteúdos – seja através de jornais, revistas, aplicativos ou cursos de extensão/especialização – será necessária, e para tal devemos intensificar a prática do bom e velho método do autodidatismo.
Por fim, precisamos entender que o ensino ocorre fora dos espaços formais e tradicionais de educação.

Amaury Cardoso
Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de janeiro – FUG/RJ.

A RESPOSTA DAS URNAS - ARTIGO: NOVEMBRO/2018

Concluímos mais um processo eleitoral, e estas eleições de 2018 se caracterizaram como uma das eleições mais imprevisíveis que já partic...