terça-feira, 9 de outubro de 2018

A SOCIEDADE DEU UM BASTA A VELHA POLÍTICA. - ARTIGO: OUTUBRO / 2018





Sinceramente, o resultado das eleições de 2018, não me surpreendeu. O clamor por renovação ganhou força a partir de 2013 e as manifestações de desencanto e indignação com a corrupção na política e a ineficiência na gestão pública, só aumentaram. Os atores políticos que subestimaram e preferiram ignorar o clamor da sociedade por mudanças no sistema político e eleitoral, foram, na grande maioria, rejeitados nas urnas. O fato é que estas eleições desorganizou o sistema político-partidário que durante anos ditou as normas no país.

Essa eleição deixa claro que o atual sistema político pós-nova república se esgotou. O golpe final veio diante da crise de valores morais e ético que assolou a classe política iniciada em 2014 em razão dos escândalos evidenciados nas etapas da operação lava jato, que implodiu a credibilidade da maioria dos partidos política junto à sociedade que se viu indignada e em desencanto com a velha prática política. O discurso do combate a corrupção, a impunidade e privilégios tiveram um grande eco nas eleições de 2018.

Além do apelo do discurso anticorrupção, o tema segurança pública e a defesa dos valores familiares, foram priorizados pelo eleitor. Forças tradicionais da política, em várias regiões do país foram derrotadas provocando uma renovação na média de 50%, a maior dos últimos 20 anos, na câmara federal e na maioria das assembleias legislativas, sendo que no senado federal, chegou a 85% onde de 54 cadeiras foram renovadas 46. Os grandes partidos tiveram suas bancadas reduzidas, o que causou um abalo nos partidos tradicionais, evidenciando uma clara mudança no eleitorado brasileiro.

Essa eleição também encerra um longo ciclo de polarização entre PT e PSDB e pulveriza a representação partidária, deixando de existir a supremacia de grandes partidos sobre as pequenas correntes partidárias.

Fazendo um comparativo da composição ideológica na câmara federal entre as forças de esquerda, centro e direita nas três eleições regionais/nacionais (2010-2014-2018), temos o seguinte quadro:

ESQUERDA:
Em 2010 elegeu 126 parlamentares;
Em 2014 Elegeu 138 parlamentares;
Em 2018 Elegeu 137 parlamentares;
·        CENTRO:
Em 2010 elegeu 157 parlamentares;
Em 2014 elegeu 137 parlamentares;
Em 2018 elegeu   75 parlamentares;
·        DIREITA:
Em 2010 elegeu 190 parlamentares;
Em 2014 elegeu 238 parlamentares;
Em 2018 elegeu 301 parlamentares;

Outro dato importante a ser comparado, é com relação à participação de mulheres na câmara federal entre as eleições de 2014 e 2018. Em 2014, foram eleitos 462 homens e 51 mulheres, já em 2018 foram eleitos 436 homens e 77 mulheres o que configura um aumento da representação feminina em 51% em comparação a 2014. Contudo, ainda a quem do peso eleitoral do voto feminino do país.

O resultado das eleições de 2018 deixa claro que ela foi tomada por uma forte onda conservadora que seduziu grande parcela da sociedade que se vê amedrontada pelo alto índice de violência, associada a grande indignação com o atual processo político que se vê afundada na lama da corrupção.

Cabe destacar que os novos eleitos não podem deixar de priorizar o compromisso com a garantia e avanço da democracia, bem como não fugir da responsabilidade de realizar reformas estruturais, fundamentais para o momento que o Brasil atravessa, a começar pela reforma política e eleitoral. A sociedade tem sinalizado no sentido da mudança desse sistema político aristocrático e corrompido.

Por fim destaco, por concordar, com o ponto de vista do imortal e jornalista Merval Pereira ao afirmar que “De forma clara e plebiscitária, a tese do golpe foi rechaçada. O povo chancelou o impeachment de Dilma e enterrou a narrativa do golpe”. 


Amaury Cardoso
Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de Janeiro
www.amaurycardoso.blogspot.com.br

                                                                               

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A REFUNDAÇÃO DO SISTEMA POLÍTICO, DIANTE DE UM CONGRESSO QUE NÃO REPRESENTA AS DEMANDAS DEMOCRÁTICAS DA SOCIEDADE. ARTIGO: JULHO/2018



O Brasil experimenta uma longa crise cuja sua permanência por mais tempo pode comprometer o seu futuro. Não falo de uma crise qualquer, mas de um conjunto de cinco crises – financeira, política, policial (com a Operação Lava Jato), de retração no mercado internacional e de valores morais, agravada por um déficit de liderança diante de um Brasil sem estratégia. E isso acontece em um momento onde o mundo se organiza em grandes espaços comerciais e de investimentos. 

O Brasil se encontra nesta situação em razão de nos últimos 15 anos ter negligenciado em fazer a lição de casa, o que lhe permitiria competir internacionalmente. Refiro-me ao fato de não terem sido feitas as reformas estruturais importantes para o nosso país aparecer bem lá fora. Em resumo, os governos passados não utilizarão os bons tempos da economia internacional para se preparar para os dias difíceis, que chegaram. Em razão desse irresponsável erro o Brasil paga um preço muito alto. Eu acredito que estamos no pior dos mundos neste momento. O presente não é bom e as perspectivas de futuro também não são boas. 

Como ter uma democracia forte diante do grande desencanto da sociedade com política? Como incorporar a sociedade a massa marginal de 27 milhões de desempregados? O que fazer com os milhões de não empregáveis, em razão de estarem fora do mercado de trabalho por baixa escolaridade, e que irá se agravar em razão do processo industrial de automatização?

O quadro é gravíssimo, e os cidadãos em desencanto e indignados já não percebem a democracia representativa como um canal de solução dos seus anseios.

È fato que estamos experimentando no sistema político uma transição do velho para o novo, onde a saída é a refundação do atual modelo político brasileiro, com fortes bases na ética política.

Diante deste quadro, o que mais nos preocupa é o fato de que seja qual for o próximo presidente eleito, ele terá uma enorme dificuldade de desarmar a “Bomba relógio” que irá assumir na elaboração do orçamento e, principalmente, resolver o grave desafio de eliminar o oportunismo no Congresso que inviabiliza qualquer governo. Temos presenciado que o executivo fica a mercê de corporações. Refiro-me as corporações do Serviço Público, a Ruralista e a Evangélica.

Há um desarranjo no sistema político com a prevalência do domínio das corporações no Congresso, onde seus interesses estão acima dos interesses do país e das necessidades primárias da sociedade.

Mesmo diante de um cidadão que clama por renovação na representação política, em razão de entender que o atual Congresso não representa as demandas democráticas da sociedade, arisco afirmar que muito embora tenhamos um crescimento no número de “Não Votos” a renovação esperada será alguém da vontade popular, pelo fato do parlamento brasileiro ter criado um sistema político/eleitoral que preserva seus mandatos. Entendo que de cada 10 parlamentares do atual Congresso, em torno de sete irão se reeleger.

As grandes reformas estruturais: Sistema Previdenciário, Sistema Político e Sistema Tributário são imprescindíveis para viabilizar investimentos que provoque o desenvolvimento, e desta forma garantindo o crescimento econômico e social do país. Essas medidas, pelas razões citadas acima, vem sendo proteladas pelos atores políticos no Executivo e no Legislativo, e a sociedade vem atravessando eleições sem que essas reformas estruturantes sejam aplicadas.

O que se observa nos processos eleitorais são, na maioria das vezes, propostas superficiais que são feitas sem sustentação pelos candidatos a presidente, e que não foram implantadas antes por uma simples razão: Os grupos que ditam o poder não têm interesse que essas reformas ocorram. E nesse campo estão às necessárias reformas estruturantes, em especial a do sistema político.

Por fim, diante de um cenário de grave crise econômica é obvio que se torna necessário que toda a política de gastos esteja assegurada em uma fonte de receita, bem como toda política pública de viés social tem que estar assegurada no amplo retorno social.


Amaury Cardoso
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br
E-mail: amaurycardosopmdb@yahoo.com.br

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A INADMISSÍVEL VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - ARTIGO: JUNHO/2018


Durante o processo histórico da humanidade a sociedade comumente determina as diferenças de gênero baseadas na construção cultural de que o homem, por ser superior, engloba, e representa a mulher. Este modelo social é bidimensional, ou seja, a relação hierárquica é composta de dois níveis, o superior representado pelo homem e o inferior representado pela mulher. A representação das mulheres como sujeitos inferiores é fortemente difundida em diversos tempos históricos.

Foi no início dos anos 60 que se iniciou uma revolução dentro dos setores das ciências humanas. Áreas como filosofia, sociologia e história criaram departamentos exclusivos para discussões sobre as questões de gênero. Assim, o feminismo revolucionário passou das fogueiras de sutiãs e das passeatas às cadeiras das universidades com os “estudos de gênero”. 

No Brasil, a luta pela conquista da emancipação da mulher se manifesta tardiamente, apesar das primeiras duas décadas do século XX ser palco de uma breve emergência do movimento caracterizado, principalmente, nas greves de 1917, na Semana de Arte Moderna de 1922 e, nesse mesmo ano, na fundação do Partido Comunista do Brasil. 

Em 1932 as mulheres conquistam o direito de votar no Brasil, mas é também neste período que os padrões normativos da ideologia da domesticidade se constituem como ponto comum no meio social, diante de uma cultura forjada no forte domínio da figura do homem, cabendo ressaltar que o Brasil se organizou desde 1500 numa estrutura patriarcal, onde as filhas mulheres saiam da dominação do pai para passarem à dominação de seu marido. 

Foi entre os anos 30 e 60 que assistimos à emergência de um expressivo movimento feminista, organizado como “Movimento de Mulheres”, de origem das camadas médias e na maioria intelectualizadas, que buscavam novas formas de expressão da individualidade, questionador não só da opressão machista, mas dos códigos da sexualidade feminina e dos modelos de comportamento impostos pela sociedade de consumo. 

A partir dos anos 80, iniciou-se com mais intensidade um movimento de recusa radical dos padrões sexuais e do modelo de feminilidade vigente. Mais do que nunca, as luta pela emancipação e igualdade de direitos passou questionar o conceito de mulher que as afirmavam enquanto sombra do homem e que lhes dava o direito à existência apenas como apêndice de uma relação, no público ou no privado. 

Sem dúvida, ao longo do século XX, foi no seu final que se passou a registrar as muitas das conquistas alcançadas pela mulher brasileira em todos os campos da vida social, especialmente no que se refere à aceitação das mulheres no mercado de trabalho e ao seu reconhecimento profissional. 

 No entanto, não há como negar o fato de que todas as conquistas arduamente ganhas ao longo dessas últimas décadas não estão consolidadas. Ao contrário, são continuamente ameaçadas por pressões machistas, pelo mercado de consumo e pelo conservadorismo desenfreado. 

 Este ano a Lei Maria da Penha completou 12 anos de existência e se tornou um marco essencial da conquista feminina, somando-se a ela a Lei 11.340, promulgada em 2006, que visa coibir agressões dentro de casa, e a Lei 13.104, conhecida como Lei do Feminicídio, promulgada em 2015. Contudo, infelizmente, tem se revelado insuficiente ao combate a permanência da brutalidade machista, que está enraizada por ser uma herança cultural do Brasil. 

 O que se constata é que as agressões e homicídios fazem parte do cotidiano das mulheres brasileiras, independente da classe social, mas, especialmente as negras pertencentes à baixa camada social. Pesquisas revelam que essa taxa de homicídios e crimes contra a mulher tem crescido em nosso país, onde o aumento da violência contra a mulher – crime de feminicídio - subiu cerca de 22%, colocando o Brasil entre os piores países nesse tipo de crime. O que se percebe é que as medidas de proteção ao crime contra a mulher através das leis existentes, embora fundamentais, não têm inibido a intolerância e atos de brutalidade contra elas.

Amaury Cardoso
Blog: amaurycardoso.blogspot.com.br

terça-feira, 24 de julho de 2018

A REVOLUÇÃO EDUCACIONAL DO SÉCULO 21 DIANTE DA QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. - ARTIGO: MAIO/2018



É evidente a desconexão entre o sistema de ensino inspirado na sociedade de cerca de 200 anos atrás e a realidade que vivenciamos no século 21. Com o forte dinamismo tecnológico que impõe mudanças constantes no modo de vida da sociedade contemporânea, é certo que dois terços das crianças matriculadas no ensino fundamental trabalharão em carreiras que ainda não existem, bem como muitas das carreiras profissionais diante do acelerado avanço tecnológico deixarão de existir em breve espaço de tempo.
Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), estima-se que 35% das habilidades mais demandadas atualmente mudem em menos de 24 meses, ou seja, até 2020, influenciando no desaparecimento de 7,1 milhões de empregos.
O avanço tecnológico e a necessidade de desenvolver novas aptidões têm provocado uma grande mudança no setor educacional a nível mundial. O Brasil amarga um profundo atraso no campo da educação comprometendo fortemente sua condição de competitividade no mercado de trabalho, com risco de perder o atrativo de importantes investidores.
Torna-se imprescindível a mudança de mentalidade na visão e metodologia da educação brasileira, e essa mudança se inicia na forma tradicional de ensinar, permitindo ao aluno um maior protagonismo em sala de aula.
A universalização do ensino de qualidade precisa ser um compromisso da educação brasileira. O acesso a oportunidade de um ensino igual para todos, independente da classe social, é a garantia da igualdade de oportunidades para todos no campo educacional e profissional.
Se levarmos em consideração que oito em cada dez estudantes brasileiros estão em colégios públicos, a necessidade da garantia de um ensino de qualidade é condição fundamental e determinante para o nosso país, uma vez que a realidade do nosso atraso no campo educacional nos coloca em desvantagem absurda no campo do conhecimento e da inovação tecnológica.
Outro dado alarmante vem de um estudo da UNESCO, feito em 2017, que mapeou a educação de 35 países emergentes, entre eles o Brasil - que tem a maior quantidade de trabalhadores -, revelando estarem abaixo da média mundial em educação e podem se ver em meio a dificuldades na próxima década se não tiver o seu serviço público educacional revisado e reestruturado sua metodologia e grade curricular de ensino, visando seu fortalecimento no campo da qualidade.
Fato é que entre a educação desejada e a real há um abismo no sistema público brasileiro. E o método de ensino atrasado, ultrapassado, com infraestrutura escolar deficitária, com falta de profissionais preparados para trabalhar dentro de um moderno modelo de educação, com recursos financeiros insuficientes e/ou ineficientes gestão desses recursos, dentre outros óbices, tem sido durante décadas obstáculos ao avanço da revolução educacional pela qualidade em nosso país.
Na sociedade contemporânea, diferentemente do passado, os mestres/professores não são os detentores absolutos do conhecimento e sim facilitadores que devem adotar métodos mais colaborativos e flexíveis em sala de aula. Essa concepção de comportamento falta a uma grande parcela do nosso corpo docente. O Ministério da Educação precisa aceitar que com a aproximação da quarta revolução industrial, há uma necessária emergência na reformulação dos métodos de ensino, abraçando as novas tecnologias e reinventando nova metodologia, mais efetiva, de passar o conhecimento.
“Seja para professores, seja para empreendedores, seja para operários, seja para empresários, se existe uma habilidade que será imprescindível nesse novo contexto é a capacidade de aprender constantemente. Com o surgimento de novas carreiras e o aumento da expectativa de vida, grande parte da população continuará trabalhando depois de 60,70, 80 anos.”
Para nos mantermos competitivos e desejados pelo mercado atual e futuro, teremos de nos tornar eternos estudantes, pois as transformações que ocorrem nos exigem, de forma cada vez mais latente, constante atualização profissional. O processo do conhecimento é continuo e não mais, tão somente, construído nos bancos escolares até o inicio da fase adulta como ainda ocorre. A busca por novos conteúdos – seja através de jornais, revistas, aplicativos ou cursos de extensão/especialização – será necessária, e para tal devemos intensificar a prática do bom e velho método do autodidatismo.
Por fim, precisamos entender que o ensino ocorre fora dos espaços formais e tradicionais de educação.

Amaury Cardoso
Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de janeiro – FUG/RJ.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O FATO É QUE ESSE SISTEMA POLÍTICO DIFICULTA A RENOVAÇÃO - ARTIGO: ABRIL/2018



O cansaço do brasileiro com a política sinaliza uma onda de renovação crescente na representação política que se traduz no reflexo da indignação da sociedade com a corrupção endêmica que atingiu um elevado percentual da classe política. Segundo pesquisas 96% dos eleitores não se sentem representados pelos políticos e 93% sinalizam a necessidade de surgirem novas lideranças. Esse sentimento deve causar um impacto nas próximas eleições. Contudo, não sabemos se essa reação será forte o suficiente para inibir a força do dinheiro, diante de uma cultura política e eleitoral, em especial nas periferias onde se situam a camada social de baixa renda e com menos consciência política onde o assistencialismo e a compra de votos ainda vigoram.

Existem fatores que vão além da revolta com a classe política que podem, e eu espero que não, ter peso maior nas urnas em 2018. Destaco o fato dos recursos que irão financiar as campanhas estarem vinculado ao fundo partidário e ao fundo eleitoral, este criado com recursos públicos para esta eleição com a finalidade de suprir recursos privados obtidos com empresas que foram proibidos. Fica claro que o congresso ao aprovar o fundo eleitoral tinha o objetivo de favorecer os caciques partidários e a um significativo grupo de parlamentares que já tem mandato. É obvio que com mais dinheiro as chances de renovarem mandatos é grande, o que se confirma através da movimentação de parlamentares em trocar de partidos, preferencialmente para os grandes partidos em razão de terem mais dinheiro, onde a barganha da garantia de recursos para campanha é a mercadoria principal. Para muitos candidatos o alinhamento ideológico e programático não é mais referencia na escolha do partido político que irá concorrer.

Outro fator relevante é o fato da esperada alta taxa de abstenção de eleitores, em razão da desilusão com a política, e com isso caindo o coeficiente eleitoral, o que favorece a eleição de políticos com mandato, e conseqüentemente, com dinheiro que irá possibilitar alimentar a pratica da velha política da compra de votos através de pseudas “lideranças”, obtendo o mandato através de crime eleitoral.

Não podemos ser indiferente a sensação disseminada na maioria da sociedade que tudo não passa de um jogo de cartas marcadas, favorecido por essa estrutura política eleitoral viciada. Contudo, rejeitar a política parece fazer bem a nossa indignação, mas não resolve nada. Tenho afirmado em minhas publicações nas redes, artigos e palestras que o caminho da verdadeira reforma que nos interessa está na participação, no engajamento, na vigilância e cobrança daqueles que escolhemos para nos representar, e que esta escolha deve ser pautada no voto consciente e qualitativo de cada cidadão.

Não haverá mudança na atual pratica política sem que o eleitor desempenhe com responsabilidade e consciência seu papel. A reforma desse sistema político e eleitoral começa por mim, por você, por nós. Não percamos essa oportunidade!!!


Amaury Cardoso
Presidente Estadual da FUG/RJ
Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

terça-feira, 27 de março de 2018

O STF ESTA DIANTE DE UM DILEMA, RECUPERAR SUA CREDIBILIDADE OU PERMANECER SEM ELA - ARTIGO: MARÇO/2018



O STF atravessa uma crise de sérias conseqüências diante da sua frágil credibilidade junto à sociedade. Depois do episódio ocorrido com o senador Renan Calheiros, a época presidente do Senado, que na condição de réu viu sua permanência na linha sucessória da presidência da republica e, conseqüentemente sua condição de presidente do senado ameaçada, o que acabou tendo um desfecho esdrúxulo de ficar impedido de constar na linha sucessória, mas continuar a frente da presidência do senado federal. Houve outro episódio de extremo desgaste ocorrido com o senador Aécio Neves, que fora, provisoriamente, afastado do exercício do mandato tendo que permanecer em casa, e por pressão do senado federal o STF abriu mão de sua prerrogativa concedendo ao senado o poder de revisar decisão do supremo relativa aos senadores. 

O episódio ocorrido na sessão do Supremo Tribunal Federal do dia 22/03/18, onde por maioria seus ministros concederam uma liminar como salva guarda ao ex-presidente Lula, com o objetivo claro de impedir a sua prisão, foi uma vergonha. No momento em que o STF aceita, por 7 votos a favor e 4 contra, julgar o pedido de habeas corpus do petista, fica caracterizado para a grande maioria da sociedade que a Suprema Corte do Brasil não honra sequer as próprias decisões.

A Súmula 691 determina que a Corte não tome conhecimento de habeas corpus rejeitado por instância inferior, no caso o Supremo Tribunal de Justiça, tendo a quinta turma do STJ negado por unanimidade o provimento do pedido pautado na jurisprudência em vigor. Fosse o solicitante do pedido de habeas corpus um cidadão comum por certo passaria a Páscoa atrás das grades.

O princípio da presunção da inocência não impede o início da execução provisória da pena. Esse é o entendimento jurídico em vigor, onde a execução provisória não desrespeita a Constituição. Assisti estarrecido o STF acatar uma liminar verbal solicitado pelo advogado do Lula, concordando liminarmente mantê-lo solto até o julgamento do habeas corpus, que ocorrerá depois do descanso do feriado da semana santa. Triste absurdo!

Os magistrados do STF não conseguem enxergar o óbvio: a visão que a sociedade tem é a de que a Corte foi transformada em escritório de advocacia de bandidos notórios e de interesses escusos. O STF é motivo de vergonha! Como pode o STF cogitar julgar outra vez o tema da prisão em segunda instância se tomou a decisão de repercussão geral sobre a matéria em outubro de 2016? Difícil não acreditar que o fato do STF voltarem a discutir a prisão em segunda instância porque o TRF4 recusou os embargos de declaração da defesa de Lula e, com essa decisão, sua prisão será decretada.

Concordo com os que afirmam que se o STF aceitar o habeas corpus que livra o Lula da prisão estará readmitindo a volta da impunidade, o que será horrível, significando que Lula e todos os condenados com sentença confirmada estarão livres.

O dilema que envolve o julgamento do habeas corpus do Lula é de extrema gravidade. Caso seja concedido pelo STF, não só Lula, mas todos serão beneficiados. Abre-se a porta para a impunidade, o que será um retrocesso jurídico.


Amaury Cardoso
Presidente da FUG/RJ
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

terça-feira, 20 de março de 2018

DEVEMOS EVITAR O RETROCESSO - ARTIGO: MARÇO/2018



Deixou-me intrigado a citação em artigo no jornal “O GLOBO” feita pelo fundador da ONG “Contas Abertas”, Gil Castelo Branco sobre um argumento do escritor italiano Giuseppe Di Campedusa no romance Il Gattopardo, de 1958, portanto a 60 anos atrás. Ele citava a elite encastelada que dominava a Sicilia e fazia de tudo para se manter no poder e evitar que o caos das ruas a afetasse.

Podemos fazer um paralelo com a indecorosa pressão das elites envolvidas nos escândalos de corrupção junto a juízes, ministro da Suprema Corte, e este junto à presidente do Supremo Tribunal Federal ministra Carmem Lúcia, no intuito de desfazer uma decisão aprovada no STF, por maioria, a cerca de um ano e meio atrás, acabando com a prisão após condenação em segunda instância.

Se tal fato vier a ocorrer, o que espero que não, será um enorme retrocesso a árdua luta contra a impunidade e tratamento diferenciado usufruído pela pequena nata da elite brasileira, além, é claro, de ser um golpe mortal ao avanço das penalizações em primeira e segunda instância, em especial na operação “Lava-Jato”.

Essa trama do sistema de poder em vigor, com o beneplácito de alguns magistrados, se vencedora, irá revelar, como afirma a ministra Carmem Lúcia, “ Que o STF se apequenará” diante da figura de Lula em razão da sua prisão.

No momento em que a sociedade saturada e indignada clama pelo fim da impunidade aos crimes que envolvem membros da elite política e econômica, este retrocesso, se vier a ocorrer, terá considerável conseqüência no seio da sociedade com reflexos no processo eleitoral que se aproxima.

Há quem ache que nada irá mudar nas próximas eleições, eu, particularmente, acredito que irá ocorrer um percentual acima de 50% de eleitores que irão optar pelo “NÃO VOTO”, somatório de votos nulos e brancos. Contudo, também acho que tal fato irá beneficiar grande parcela da atual elite política nesta legislatura, que terão junto a seus partidos um montante maior de recursos financeiros, que no atual modelo político, e com uma prevalência de uma sociedade de baixa educação, baixa cultura de participação política e por conseguinte, baixo poder de discernimento político e análise crítica, continuará presa a prática da velha e indecente política da relação assistencialista, clientelista e corrupta da compra e venda voto, possibilitando a permanência através da reeleição de um percentual elevado dos atuais políticos na faixa entre 60% e 70%.

Sinceramente torço e espero que o contágio da indignação seja forte o suficiente para fazer com que o cidadão eleitor não aceite mais ser desrespeitado na sua dignidade por aquele político mal intencionado que compra o seu voto.

É claro que quem vende o voto é culpado pela eleição da crescente parcela de maus políticos, políticos na maioria despreparados e mal intencionados, que visam seu benefício pessoal, ou seja, seu enriquecimento, e dessa forma contribui para denegrir o processo político brasileiro e manter a continuidade das mazelas sociais, não permitindo a ascensão da classe marginalizada em nosso país. 
Isto é um fato irrefutável!



Amaury Cardoso
Presidente da FUG/RJ


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

SEM GARANTIA DO AVANÇO SOCIAL NÃO SE CONQUISTA A PAZ - ARTIGO: FEVEREIRO/2018


A intervenção federal na segurança do Estado do Rio de Janeiro evidência que falta comando no executivo estadual. Infelizmente não há governo. Contudo, o mais agravante é que a ineficiência que leva ao caos não é fato isolado de uma unidade da federação. A falta de governabilidade atinge várias instâncias do poder executivo, tornando preocupante o momento que o país atravessa.

Entendo ter sido uma medida necessária e de suma importância diante do quadro de gravidade, beirando o caos, que se instalou através das ações crescentes de violência praticadas pelo crime organizado que aterrorizam a população em nosso Estado. Contudo, a meu ver, a intervenção só como instrumento único de combate a violência não será suficiente, arriscando que esta medida drástica se torne um fracasso caso não venha acompanhada de ações mais amplas, onde entendo deva ser observados quatro pontos primordiais como garantia de êxito dessa delicada intervenção federal.

Primeiro, é fundamental a realização de um profundo diagnóstico da situação interna e externa do setor da segurança pública que balize o necessário planejamento estratégico, bem como promover as ações calcadas em um rigoroso serviço de inteligência e, obviamente, ter garantido os recursos financeiros necessários a ampla operação;
Segundo, será um erro estratégico atacar a violência sem antes promover uma limpeza na estrutura de segurança do Estado, retirando da instituição da segurança pública os vícios de corrupção praticados pela chamada “Banda Podre”, enraizada em varias instancias de comando. Não fazê-lo é permitir que todo o esforço que for empreendido seja minado na sua cadeia de execução;
Terceiro, atacar a violência sem, concomitantemente, tratar dos graves problemas sociais, em especial nas áreas subjugadas ao crime, tem tudo para fracassar, pois é da exclusão social, da miséria e ignorância que o crime se alimenta e mantém o ciclo vicioso da dependência e do medo.

O combate ao crime organizado, para ter chance de êxito, precisa estar atrelado à implantação de projetos sociais, investimento humano que promova cidadania e garantia de serviços básicos: creches que ajudem as famílias de baixa renda na formação infantil, escolas em regime de ensino integral e de qualidade, postos de saúde e clinicas da família com acompanhamento preventivo, saneamento básico, policiamento comunitário e programas de incentivo ao esporte e cultura.

Se a ação for só de repressão não estará atacando a causa da violência que vem da carência social e falta de oportunidades, que gera o crime. Para o verdadeiro sucesso torna-se indispensável implantar projetos e programas sociais como forma de oportunizar o desenvolvimento da cidadania, criando a perspectiva de uma vida melhor para as pessoas que vivem a margem da sociedade, em especial os jovens que vivem sem perspectiva de se inserir no mercado de trabalho, por conseguinte sem futuro.

Se esta intervenção federal na segurança ficar com foco na garantia da lei e da ordem e não aproveitar a oportunidade para adotar medidas que ataquem o núcleo do problema gerador da violência e do crime que é a exclusão social, alimentada pela pobreza extremada e a forte concentração de renda entre poucos, irá, repito, fracassar abrindo a oportunidade para o retorno da violência, e desta vez em maior proporção, com graves conseqüências de desagregação social.

Uma nação só avança com produtividade e distribuição de oportunidade e renda, e, para tal, só através de educação de qualidade para os excluídos socialmente. A garantia do avanço social é a única forma de tirá-los da exclusão e da opressão da ignorância possibilitando a conquista da Paz Social.

O fato é que sem credibilidade o atual modelo político, social e econômico faliu, não tem futuro.

                                                              
AMAURY CARDOSO
Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de Janeiro.
Email: amaurycardosopmdb@yahoo.com.br

A SOCIEDADE DEU UM BASTA A VELHA POLÍTICA. - ARTIGO: OUTUBRO / 2018

Sinceramente, o resultado das eleições de 2018, não me surpreendeu. O clamor por renovação ganhou força a partir de 2013 e as ma...