terça-feira, 20 de março de 2018

DEVEMOS EVITAR O RETROCESSO - ARTIGO: MARÇO/2018



Deixou-me intrigado a citação em artigo no jornal “O GLOBO” feita pelo fundador da ONG “Contas Abertas”, Gil Castelo Branco sobre um argumento do escritor italiano Giuseppe Di Campedusa no romance Il Gattopardo, de 1958, portanto a 60 anos atrás. Ele citava a elite encastelada que dominava a Sicilia e fazia de tudo para se manter no poder e evitar que o caos das ruas a afetasse.

Podemos fazer um paralelo com a indecorosa pressão das elites envolvidas nos escândalos de corrupção junto a juízes, ministro da Suprema Corte, e este junto à presidente do Supremo Tribunal Federal ministra Carmem Lúcia, no intuito de desfazer uma decisão aprovada no STF, por maioria, a cerca de um ano e meio atrás, acabando com a prisão após condenação em segunda instância.

Se tal fato vier a ocorrer, o que espero que não, será um enorme retrocesso a árdua luta contra a impunidade e tratamento diferenciado usufruído pela pequena nata da elite brasileira, além, é claro, de ser um golpe mortal ao avanço das penalizações em primeira e segunda instância, em especial na operação “Lava-Jato”.

Essa trama do sistema de poder em vigor, com o beneplácito de alguns magistrados, se vencedora, irá revelar, como afirma a ministra Carmem Lúcia, “ Que o STF se apequenará” diante da figura de Lula em razão da sua prisão.

No momento em que a sociedade saturada e indignada clama pelo fim da impunidade aos crimes que envolvem membros da elite política e econômica, este retrocesso, se vier a ocorrer, terá considerável conseqüência no seio da sociedade com reflexos no processo eleitoral que se aproxima.

Há quem ache que nada irá mudar nas próximas eleições, eu, particularmente, acredito que irá ocorrer um percentual acima de 50% de eleitores que irão optar pelo “NÃO VOTO”, somatório de votos nulos e brancos. Contudo, também acho que tal fato irá beneficiar grande parcela da atual elite política nesta legislatura, que terão junto a seus partidos um montante maior de recursos financeiros, que no atual modelo político, e com uma prevalência de uma sociedade de baixa educação, baixa cultura de participação política e por conseguinte, baixo poder de discernimento político e análise crítica, continuará presa a prática da velha e indecente política da relação assistencialista, clientelista e corrupta da compra e venda voto, possibilitando a permanência através da reeleição de um percentual elevado dos atuais políticos na faixa entre 60% e 70%.

Sinceramente torço e espero que o contágio da indignação seja forte o suficiente para fazer com que o cidadão eleitor não aceite mais ser desrespeitado na sua dignidade por aquele político mal intencionado que compra o seu voto.

É claro que quem vende o voto é culpado pela eleição da crescente parcela de maus políticos, políticos na maioria despreparados e mal intencionados, que visam seu benefício pessoal, ou seja, seu enriquecimento, e dessa forma contribui para denegrir o processo político brasileiro e manter a continuidade das mazelas sociais, não permitindo a ascensão da classe marginalizada em nosso país. 
Isto é um fato irrefutável!



Amaury Cardoso
Presidente da FUG/RJ


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