A DEMOCRACIA ESTÁ SENDO SEQUESTRADA PELA CORRUPÇÃO. - ARTIGO: OUTUBRO/2017

“O PODER NÃO CORROMPE O HOMEM, É O HOMEM QUE CORROMPE O PODER”.
                                                                                                     ULYSSES GUIMARÃES.
 


Diante que tudo que tenho assistido durante os longos anos de minha militância política posso afirmar que não há elegância na política. O atual momento político brasileiro tem revelado um parlamento composto na sua maioria por políticos egoístas, ávidos por dinheiro e poder a qualquer preço e que podem ser seduzidos ou chantageados para aceitar o jogo do sistema corrupto que atua fortemente na condução e garantia de seus interesses.
Os valores morais e éticos atravessam uma profunda crise. Essa cultura corrupta tem se alastrado de forma perigosa por gerações cujos seus efeitos destruidores na sociedade são extremamente preocupantes. A ambição nas pessoas é um elemento positivo quando pode ser controlada, quando não dominada é presa fácil da ganância e do suborno.
Infelizmente o que se percebe é que no atual jogo político têm faltado escrúpulos, tem faltado ética, o que torna as chances de mudar o establishment, ou seja, seu status quo,  com a atual composição das peças que jogam, bastante difícil. Contudo, é fato que as investigações em curso da operação Lava-Jato irão soterrar a carreira política de muitos políticos que detém grande influência política no atual sistema vigente, o que já contribui para o processo de renovação.
O aprofundamento da renovação está, como sempre esteve, nas mãos do cidadão eleitor, só que agora o componente do sentimento aflorado da indignação tem sido responsável pelo alto descrédito com a classe política o que leva a uma forte predisposição em não votar em nomes tradicionais da política.
A sociedade faz uma leitura de que há uma denuncia ao sistema político vigente através da corrupção que esta sendo revelada em ampla escala englobando as cúpulas partidárias, as adjetivando como “organização criminosa”. Percebo que esta é a interpretação da maioria das pessoas, confirmadas pelos institutos de pesquisa, o que compromete a sobrevivência de muitos atores políticos.
Estamos diante de um grande desafio que é o de repensar e montar outro sistema representativo. Se tudo isso for verdade a falência desse sistema político se confirma com a morte política dos seus sustentáculos políticos.
A descrição trazida a público através das investigações da polícia federal e do ministério público federal são arrasadoras ao sistema político atual e sua classe política, salvando-se um percentual pequeno do atual parlamento nas três esferas do legislativo, e tem sido responsável pelo nítido crescimento do desinteresse do eleitor em votar, também associada a  pratica política da venda de esperança para obter o voto fácil, muito comum nas comunidades carentes e em bairros da periferia, que na grande maioria das vezes não se concretiza, se transformando em desilusão que tem sido outro fator que tem levado ao descrédito a classe política. 
Os discursos de vários membros do Supremo Tribunal Federal deixam clara a posição de que se chegou à falência do sistema político brasileiro. É evidente que a sociedade esta frustrada, os índices dos que optam pelo “não voto”, que tem crescido nas últimas eleições, é uma comprovação. O quadro eleitoral hoje é de partidos degradados, que abre espaço para o preenchimento de figuras populistas, o que não é novidade no processo político em crise.
Percebo que já existem conversas de grupos políticos descontentes e preocupados com o atual momento da política e que querem emergir e se contrapor a esse sistema político corrupto. Resta saber se serão capazes de convencer a sociedade de que não será outra fraude como foi o PT de Lula que se apresentou como diferente dos outros, guardião da ética e da moralidade e que combateria a corrupção.
É difícil perceber o poder que esta por trás do poder. Há pessoas que não se importam se são amadas ou odiadas. Só se importam em tirar proveito do sistema corrupto, em seguir o fluxo e sair ganhando. Essa atitude tem causado uma perda de confiança na democracia diante da frustração que a classe política vem causando.
A recuperação da confiança da sociedade na classe política e nas instituições partidárias dependerá da capacidade de autocrítica que possam ter e o grau de mudança nos métodos de atuação, no seu comportamento e sua predisposição de se renovarem, e essa atitude só irá acontecer após vencer muitas resistências internas. Só dessa forma haverá, de maneira muito lenta, junto a sociedade a recuperação da esperança de que a política será exercida de forma ética voltada para os interesses da coletividade.

                                                                 Amaury Cardoso
                         Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de Janeiro
                                  Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com
                                  e-mail de contato: amaurycardosopmdb@yahoo.com.br


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