Se há uma afirmação que posso fazer com total segurança é de que há um preocupante descrédito da população por dias melhores. O Brasil atravessa uma grave crise de desconfiança nas instituições, marcada pela descrença no sistema político, no Judiciário e no Legislativo, alimentada por corrupção, impunidade, privilégios e desigualdade. Pesquisas indicam que a população percebe o sistema político como falido ou um "esquema de elite", gerando um sentimento de indignação e desejo de mudanças radicais.
A crescente insatisfação popular com o rumo que tomou a política não é recente e vem ganhando uma proporção que ameaça o processo democrático brasileiro, em especial a democracia representativa. Os principais fatores estão na corrupção, que é frequentemente citada como o problema mais grave do país, gerando sensação de impunidade e lentidão na justiça. A grave crise no sistema político que tem levado a percepção e até em certo grau a certeza de que os poderes operam para interesses próprios, em detrimento do público o que tem gerado frustração crônica, especialmente em relação ao Legislativo. A desconfiança no Judiciário em especial o STF, devido a decisões vistas como contraditórias, arbitrárias e parciais, a exemplo da anulação dos julgamentos de combate à corrupção, visto pela grande maioria como um grave retrocesso que abriu caminho para a corrupção sistêmica que voltou a ocorrer com mais constância. A permanência da desigualdade e a insatisfatória qualidade de vida causadas pelo desemprego, subemprego informal e a inflação que corrói o poder de compra e a baixa qualidade de vida, em comparação com outros países, impulsionam a desesperança. E por fim, a erosão democrática que tem causado a falta de confiança pública em virtude de um processo constante de promessas não cumpridas, gerando uma sensação de instabilidade institucional permanente.
Mesmo entendendo os fortes motivos que tem levado a grande maioria da população a nutrir um sentimento de desencanto com a política, tenho defendido a posição de que não devemos desconsiderar o que ocorre em nosso país. Aceitar e aprender com o errado passando a encarar como algo normal, como se fosse natural a corrupção, a venda de sentenças, os privilégios absurdos, o assistencialismo eleitoral, as ameaças, as inversões de valores, estamos contribuindo para a extinção dos valores morais e éticos, consequentemente a degradação da sociedade.
A sociedade está adoecendo e caminha para o desalento diante de tudo que assiste estarrecida. A cura desse mal só virá quando deixarmos de aceitar tudo passivamente. A mudança sempre esteve e estará na participação política consciente de todos. Pode para alguns parecer uma utopia, mas estou convencido do contrário. Pode levar tempo, mas essa consciência do dever de cada um com a mudança do atual status quo surgirá. O que precisa estar claro é que não devemos continuar achando que nada irá mudar. Não podemos abandonar a política por sentirmos repulsa do que ela se transformou. Ao contrário, a única forma de mudarmos esse sistema político elitista e perverso é participando cada vez mais do processo político, não só com nosso voto consciente e qualificado, mas, principalmente, nos preparando para promovermos a mudança, pois sem a efetiva participação no sentido de melhorar as nossas escolhas política eleitoral a mudança não acontecerá.
O caminho da mudança, da transformação, está nas mãos de todos nós, de cada cidadão e cidadã buscando adquirir maior poder de pensamento crítico e com isso ampliando o seu poder de análise sobre as causas e consequências sobre as questões que nos afetam não se esquivando de suas responsabilidades. Esse é o meu ponto de vista!
Amaury Cardoso
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