sábado, 31 de agosto de 2019

A EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA PRECISA TER SENTIDO PARA ALUNOS E PROFESSORES! - ARTIGO: JULHO/2019





Uma democracia se fragiliza pelo fato de não garantir oportunidades iguais para todos, principalmente, no campo da EDUCAÇÃO.

Tenho defendido o ponto de vista, em vários artigos onde abordo o tema da educação, destacando a importância da educação de qualidade na vida das pessoas e o fato dela ser vital para o desenvolvimento de uma nação. Tenho afirmado, também, que o sistema dominante em nosso país tem impedido o acesso à educação de qualidade a grande maioria dos brasileiros e que esse sistema é sustentado por uma significativa parcela da classe política, que por longo tempo tem servido como instrumento desse sistema, em razão de por ele ser financiado.

Para mim esta claro que o nosso sistema político não consegue apoiar o desenvolvimento da educação em nosso país, o que é lastimável uma vez que nós precisamos de uma evolução emergencial do nosso sistema de ensino que entenda as questões do mundo real que ocorrem em decorrência das grandes transformações trazidas com a revolução industrial 4.0, onde as transformações no campo da tecnologia são avassaladores.

O ensino convencional brasileiro, além de ser de baixa qualidade, esta atrasado diante da realidade do mundo contemporâneo em constante e rápida transformação. Se cidadãos não tiverem esperança de futuro, e a educação é o alimento a essa esperança de futuro, como as gerações se sentirão vendo suas oportunidades serem negadas por esse sistema elitista, perverso ao negar oportunidades iguais e, em razão disso, excludente?

As pessoas precisam ter a oportunidade de acreditar que podem construir o seu futuro, e o futuro está no direito de todos a ter acesso a uma educação de qualidade, voltada para o seu mundo real!

É um crime negar as pessoas o direito de ter um sentido para suas vidas. A negação do direito a educação é um crime hediondo que tem levado milhões a marginalidade social por conta de submeta-las a ignorância, dificultando seu desenvolvimento humano e excluindo-as do mercado de trabalho cada vez mais competitivo que exige alto conhecimento tecnológico agregado.
O que se percebe é que com o crescente avanço da tecnologia, o processo educacional tem utilizado o aparato tecnológico, mas são poucas as instituições de ensino fundamental e médio que disponibilizam essas ferramentas, e as que disponibilizam são na grande maioria escolas privadas, o que evidência o aumento da desigualdade no campo educacional, visível entre o ensino público e o privado, salvo poucas exceções.

O mundo caminha para o aumento da desigualdade no campo da educação, caso não ocorra à democratização e universalização do ensino qualificado em todas suas etapas de aprendizado. A educação é um campo em disputa e neste século XXI tornou-se urgente que a metodologia de ensino renove sua capacidade de ensinar, pensando e aprendendo maneiras diferentes de ensinar, utilizando metodologia pedagógica que atendam as expectativas dos alunos que vivem o cotidiano de uma sociedade cada vez mais interativa, imperativa e impulsionada por constantes avanços tecnológicos.

O educador do século XXI precisa não só utilizar ferramentas tecnológicas, mas, sobretudo utilizar o aporte de redes sociais, principalmente, saber utilizar conhecimentos de diversas áreas, no formato interdisciplinar, resolvendo-as de forma concreta. A educação do século XXI precisa estabelecer relação com outros saberes, respeitando as diferenças.
A educação é um campo em disputa no sentido de produzir conhecimento e enfrentar o desafio da mesmice. Ela precisa de um professor fortalecido no campo intelectual, que o torne um transformador, um líder acadêmico e político com protagonismo no processo de transformação da metodologia de ensino, que precisa ter como objetivo principal ensinar o aluno, a saber, o que fazer com o conhecimento adquirido.

A educação contemporânea precisa ter sentido para alunos e professores! É fato que o desafio transformador da educação brasileira é enorme e antigo, contudo, também é fato que transformar a atual, e ao mesmo tempo antiga e ultrapassada metodologia de ensino em nosso país é imprescindível. É preciso romper paradigmas que sustentam há décadas o atual sistema educacional que não tem acompanhado as grandes transformações sociais, tecnológicas, culturais e econômicas, e aprendermos com essas transformações que moldam novos comportamentos, a construir e implementar a nossa educação do futuro, com isso, evitando vir à sofrer apagões de talento e insuficiência de mão de obra com alto valor de especialização profissional.


Amaury Cardoso

segunda-feira, 24 de junho de 2019

O RITMO ASSUSTADOR DAS MUDANÇAS E TRANSFORMAÇÕES QUE SE APRESENTAM COM ESTRONDOSO AVANÇO TECNOLÓGICO - ARTIGO: JUNHO/2019



Os grandes desafios do século XXI serão de natureza global e provocarão fortes mudanças na sociedade, em especial as catástrofes climáticas e os efeitos do avassalador avanço da tecnologia.
Os sintomas da ameaça climática são visíveis através dos desastres climáticos que se apresentam cada vez com maior freqüência. É fato que os humanos estão desestabilizando a biofesra global em múltiplas frentes. Estamos explorando em condições desproporcionais os recursos naturais do meio ambiente, e despejando nele enormes quantidades de dejetos tóxicos, lixo e veneno, que são responsáveis por mudanças na composição do solo, da água e do ar em nossa atmosfera.

É evidente que a mudança climática é uma realidade presente com conseqüências assustadoras sobre o clima da terra em razão da elevação da temperatura que já vem apresentando resultados na expansão de desertos, no desaparecimento de calotas de gelo, na elevação dos oceanos e constantes ocorrências de desastres climáticos extremos.

Os resultados para este século serão drásticos para a produção agrícola, com repercussão no aumento da fome, e resultarão na inundação de cidades próximas a oceanos pelo fato do nosso planeta passar a absorver mais calor tendo como resultado a elevação da temperatura.  



Contudo, existem outras mudanças que causarão fortes transformações no modo de vida em sociedade. Refiro-me as transformações advindas em conseqüência do avanço tecnológico, que já são sentidos com a chegada da quarta revolução industrial, através do fato de computadores, a chamada inteligência artificial (IA), desafiarem os humanos em proporção cada vez maior em tarefas profissional, principalmente em decorrência da participação da robótica, cada vez mais presente no processo de produção, o que já vem causando a extinção de inúmeros empregos, além de expulsar muitos do mercado de trabalho em razão do fraco nível educacional que atingi as grandes massas populares, que já sentem e sentirão mais fortemente esse processo face a baixa qualificação educacional e frágil capacitação profissional que descarta milhões de pessoas do mercado de trabalho contemporâneo, por exigir um profissional inovador, com conhecimento em várias áreas, capacidade de adaptação e habilidade para atuar em grupos. Com essas mudanças fica claro que quem não se preparar perderá importância e espaço no mercado de trabalho.

Não temos noção de onde chegaremos com o avanço da tecnologia, mas precisamos estar preparados, pois o ser humano, principalmente os dotados de conhecimento será sempre necessário nesta nova concepção de produção, serviços e na interface com a máquina. O mundo se especializou, as profissões ganharam novos rumos, novas perspectivas. A sociedade contemporânea como um todo precisa mergulhar numa ampliação profunda do conhecimento, trazendo isto para o cotidiano, do mais trivial ao mais complexo dos trabalhos, a especialização é necessária e benéfica. Os choques sociais que estão por vir serão imprevisível, principalmente para sociedades mais atrasadas no campo do desenvolvimento humano, educacional e econômico.



Amaury Cardoso
Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

terça-feira, 4 de junho de 2019

OS GRANDES DESAFIOS DO SÉCULO XXI E SEUS REFLEXOS NA SOCIEDADE - ARTIGO: Maio/2019





Nossas sociedades enfrentam crescentes crises em decorrência do agravamento das desigualdades, das questões climáticas, do aumento da fome, da imigração desordenada, da intolerância, da descriminalização, do terrorismo, da xenofobia, do protecionismo e do autoritarismo, que se revezam no seu grau de gravidade nos cinco continentes dependendo do nível de desenvolvimento econômico, social e humano de cada pais. Contudo, dentre esses males sociais que atingem fortemente as sociedades contemporâneas, e que vem causando em alguns países maiores riscos de convulsão social, destaco como maior relevância a questão das desigualdades no campo da oportunidade ao acesso a educação de qualidade e ao trabalho e renda.


Embora a Globalização seja um fator relevante no sentido de ter retirado centenas de milhões de pessoas da linha da pobreza pelo fato de ter barateado os produtos básicos e, com isso, alavancado o desenvolvimento de vários países que por séculos viviam no atraso econômico e social, por outro lado aprofundou a desigualdade de renda entre os que têm acesso a uma educação de qualidade, ao conhecimento e dominam as profissões que exigem o domínio de alto valor tecnológico agregado, e com isso se tornam inovadores, tendo esses aspectos resultado no aumento da concentração de riqueza em algumas pessoas espalhadas em regiões do planeta.

Diante dessa cruel realidade, o grande desafio do século XXI será equilibrar a distribuição da riqueza de forma a torná-la mais equitativa, principalmente diante das grandes transformações causadas com a chegada da quarta revolução industrial, a chama “Revolução 4.0” e seus efeitos adventos da competição sofrida pelo ser humano através dos algoritmos, responsável pelo avanço da robótica e da Inteligência Artificial, que fazem as máquinas analisar dados em uma velocidade que um humano não conseguiria em uma vida inteira. Esse diferencial tem ocupado espaços na produção, retirando empregos e, em razão disso, resultando na formação de uma enorme contingente de pessoas sem trabalho, o que vem ampliando as desigualdades. No livro “A segunda era das Maquinas”, Brynjolfsson afirma que a sociedade precisa discutir a distribuição da prosperidade com urgência. Afinal, a indústria 4.0 trará riqueza para alguns, mas a demissão de milhões. Uma pesquisa realizada em 2016 junto a empresários de 15 países de forte economia estimou que as novas tecnologias suprimiriam até 7 milhões de postos de trabalho em países industrializados nos próximos cinco anos seguintes, e tal previsão vem ocorrendo.

 

Devemos ter o entendimento de que o avanço da tecnologia industrial é inevitável e está cada vez mais eficiente, mais inteligente, mais rápida e mais precisa, em razão desse fato, não devemos enxergá-la como algo ruim e sim buscar compreender o momento para melhor aproveitar os impactos positivos e minimizar os negativos. 


No caso específico brasileiro, os principais desafios da Indústria 4.0 é o fato da nossa economia ser baseada em serviços e em produtos de pouco valor agregado, altamente sujeitos à volatilidade do mercado internacional e com margens de lucro pequenas. Nossa indústria, mesmo se comparados a outros países em desenvolvimento, se encontra estagnada, com baixo valor tecnológico agregado, o que deixa claro que implantar a realidade da Quarta Revolução Industrial em nosso país é um desafio, tendo em vista que além de atrasados sempre engatinhamos nas revoluções anteriores.



Para mudar essa realidade, o Brasil precisa formar profissionais qualificados, para PLANEJAR, EXECUTAR E GERENCIAR as inovações tecnológicas. Além do conhecimento técnico, se faz necessário a CRIATIVIDADE, PROATIVIDADE E GOSTO DE INOVAÇÃO, ofertando uma melhor infraestrutura em logística e telecomunicações. Diante da realidade da falta de vontade política de governos passados em tratar a nossa educação e a pesquisa em Ciência & Tecnologia como elementos fundamentais e imprescindíveis ao desenvolvimento de uma nação, temos como certa a permanência do atraso do nosso país, impossibilitando a curto e médio prazo ingressar no cenário das potencias desenvolvidas, o que resulta constatar que a permanência da nossa, já muito tempo grave, desigualdade social e baixo IDH será responsável por resultados num futuro próximo alarmantes e de conseqüência previsível.


Amaury Cardoso
Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

segunda-feira, 20 de maio de 2019

A IMPORTÂNCIA DE UMA GESTÃO EFICAZ E MODERNA DIANTE DO COLAPSO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS. Artigo: Abril/2019



Até quando vamos permanecer com a injusta situação tributária em nosso país que favorece demais a União e prejudica em demasia os municípios?

A legislação brasileira, através da Constituição de 1988, estabelece que cabe aos municípios a renda de alguns impostos, taxas e contribuições como fontes de arrecadação própria. A estas fontes somam-se o direito que os municípios têm a parte da receita dos tributos estaduais e federais e a formas de compensação financeira pela exploração de riquezas de seu território, os chamados royalties. Contudo, o que se constata ao longo dos anos é que a grande maioria dos municípios brasileiros se depara com a grave situação de déficit fiscal em face da soma dessas receitas não serem suficientes. 

O que se tem observado é a grave situação de falência financeira dos municípios brasileiros, salvo raras exceções, de responderem as suas atribuições junto à sociedade, o que os tornam eternos dependentes dos repasses estaduais e federais, que muitas das vezes atrasam por meses devido à situação de déficit fiscal que atinge os Estados e a União, o que vem comprometendo a governabilidade nas três esferas da federação, bem como sua dependência da liberação de recursos das emendas ao orçamento da União, apresentadas por deputados federais.

O poder público de um modo geral e os municípios em especial se depara com sérias dificuldades em atender a crescente demanda da sociedade local por melhores serviços em razão da escassez de recursos financeiros, um dos graves e frequentes problemas enfrentados pelos gestores públicos. As necessidades são muitas, e grandes, enquanto os recursos a serem obtidos são escassos e demorados. Nessas circunstâncias a busca de soluções criativas como alternativas é um caminho para se obter bons resultados com pouco dinheiro, e a adoção de medidas preventivas devem ser tomadas com o objetivo de evitar que muitos dos problemas enfrentados no dia a dia das cidades deixem de surgir ou, pelo menos, crescer.

Por entender que é no plano local que o poder público mais se aproxima das necessidades do cidadão, sobretudo quando há forte participação popular, é que sou um defensor do fortalecimento dos municípios por entender que não se constrói cidadania se o Município não conseguir cumprir com suas atribuições legais. Em razão de ser um gestor público, possuo o entendimento de que o municipalismo é parte integrante de minha visão de Brasil. Minhas experiências em anos de atuação no serviço público me levaram a convicção de que um país como o Brasil só é forte quando tem municípios fortes em sua base, por entender que é no plano local que o poder público mais se aproxima das necessidades do cidadão, sobretudo quando há forte participação popular.

Com a chegada do século XXI tornou-se cada vez mais difícil de definir e identificar determinados aspectos da cidade e seus problemas fundamentais, diante de sua evolução no tempo, dos fatores que afetam as estruturas sociais e as diferenças culturais. O novo conceito de cidade moderna exigirá do poder público municipal estabelecer a maior diversidade de oportunidades, de escolhas econômicas e de emprego para todos que nela habitam e trabalham, devendo assegurar melhor acesso a educação, à saúde e ao maior número de equipamentos. Enfim, novas formas de estruturas sociais e econômicas a fim de corrigir as grandes disparidades sociais, causadas pela exclusão, pobreza, desemprego e criminalidade. Os serviços urbanos e a habitação deverão estar adaptados à evolução muito rápida das necessidades básicas que devem ser asseguradas em condições acessíveis, principalmente financeiras, em condições que os cidadãos possam suportar.

Nesse contexto, as cidades precisarão cada vez mais fazer escolhas estratégicas, uma vez que as economias locais e regionais se tornarão cada vez mais interligadas às economias de outras regiões, em face a tendência do crescimento de sistemas de inter-relações econômicas entre cidades, criando redes urbanas de desenvolvimento, sem perda da sua diversidade.
Muitos dos importantes problemas financeiros e sociais com os quais as cidades se debatem atualmente conduzem a deficiências na prática da democracia local em razão dos cidadãos se sentirem abandonados pelos seus representantes democraticamente eleitos e perdem a confiança no poder estabelecido.

Por fim, devo destacar que o grande responsável pelo colapso dos serviços públicos é, na maioria das vezes, o despreparo e alto grau de ineficiência e irresponsabilidade fiscal do poder executivo, ou seja, do gestor público cuja má gestão por vezes se agrava com práticas ilícitas de corrupção.

Diante das constantes decepções, frustrações e revoltas a que são acometidos os cidadãos, as exigências da população ante os agentes políticos cresceram muito o que fez surgir no eleitor o interesse pelo candidato que se apresentar como um gestor moderno, com compromisso com uma gestão transparente, que apresente propostas para temas essenciais bem fundamentadas, que demonstre estar devidamente preparado para administrar com competência e eficiência e tenha propostas criativas de soluções para as principais e emergenciais demandas da sociedade e que acima de tudo se apresente como um gestor que seja capaz de fazer mais e melhor.
                                                                               

                                                                                            Amaury Cardoso

                                                             Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Século XXI: o século do empreendedorismo e oportunidades para as novas gerações - Artigo: Março/2019.

"O empreendedorismo é uma revolução silenciosa, 
que será para o século XXI mais do que a revolução industrial foi 
para o século XX" (Jeffry Timmons, 1990)



O processo histórico civilizatório sempre foi marcado por grandes revoluções que provocaram mudanças bruscas na sociedade, em especial no aspecto dos costumes e culturas. As transformações provocadas durante o tempo quebraram paradigmas e causaram significativas mudanças de comportamento na sociedade. A luta travada entre ciência e religião é milenar, e seus conflitos foram e são sentidos pela sociedade. Entender e aceitar sem resistência essas mudanças sempre foi um dilema societário.

A humanidade viveu três revoluções industriais desde o século XIX. A primeira introduziu a máquina a vapor, passou pela segunda caracterizada pelo uso da eletricidade e da produção em massa, em seguida a terceira, que teve como referência a tecnologia e a automação, chegando à atual, a quarta, da era digital.

Essas transformações sucessivas na civilidade humana permitiram o atual grau de civilização e o desenvolvimento de nossa época, no entanto, esse processo não seria obra de planejamento de uma única pessoa ou grupo de pessoas. Foi a somatória dessas transformações que permitiu a constituição da atual civilização. A primeira revolução industrial, ocorrida no século XIX, talvez por ter promovido a passagem de um longo período agrícola feudal para um ciclo industrial, onde a partir dela passou a influenciar fortemente a cadeia de ciclos sociais futuro, razão pela qual foi considerado o maior impacto civilizatório em vários aspectos da forma de vida em sociedade, em especial o sócio econômico, onde o cotidiano da população foi mudado completamente.

O século XXI se apresenta como uma nova onda de mudanças radicais na produção industrial, resultado da convergência da robótica, da nanotecnologia, da biotecnologia, das tecnologias de informação e da inteligência artificial. Esta nova revolução industrial, a quarta, também conhecida como Indústria 4.0, está provocando mudanças muito rápidas na indústria e no modo como os negócios ocorrem no mercado de trabalho, na relação com os clientes e na demanda de seus produtos.

A revolução que estamos vivenciando é mais rápida que as anteriores e provoca sensíveis mudanças na forma como produzimos, distribuímos e consumimos. A quarta revolução industrial em curso se caracteriza pela aceleração de todos os processos inovadores. De acordo com Klaus Schwab, em seu livro “A quarta revolução industrial”: “Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”. A atual e futuras gerações precisam urgentemente entender essa forte revolução que o atinge, pois ela transforma sistemas econômicos, políticos, sociais e ambientais, exigindo se preparar constantemente para enfrentá-la e saber conviver com ela.

É fato que as tecnologias emergentes criam novas formas de mobilidade, de comercialização, de geração de valor e distribuição de oportunidades. O desafio mais importante que temos hoje é garantir que essas oportunidades sejam distribuídas de modo equitativo. A história nos ensina que todas as revoluções têm ganhadores e perdedores.

Há, portanto, urgente necessidade de garantir que mais pessoas, tanto quanto seja possível, participem desse futuro de tecnologias cada vez mais sofisticadas. Ao governo cabe aumentar seus investimentos em educação, fortalecendo o ensino como um todo e, em especial, de ciências e matemática com base em novos valores. A produção industrial dependerá, cada vez mais, da educação em áreas que possibilitem a formação de talentos capacitados a criarem e gerirem processos de alto desempenho com base em valores como respeito ao meio ambiente e à diversidade humana.

Sinto a necessidade e poderia aprofundar um pouco mais sobre os impactos da Revolução Industrial 4.0 para sociedade contemporânea, contudo corro o risco de ficar muito longo, pois pretendo, também, fazer um paralelo sobre a fundamental importância para a atual e próximas gerações de vir a ter uma forte atuação no aspecto do Empreendedorismo, ou seja, no mercado globalizado Empreendedor.



”Com cerca de 27 milhões de pessoas envolvidas num negócio próprio ou na criação de um, o Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de empreendedorismo. O país fica atrás da gigante China, com 369 milhões de empresários e Estados Unidos, com 39 milhões de empreendedores.” A conclusão é de uma recente pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor feita entre 54 países, considerado o principal mapa do empreendedorismo do planeta.

Segundo opinião de vários especialistas sobre o tema, dos quais concordo, Não há cenário mais apropriado para se tratar de empreendedorismo que o cenário globalizado. Afinal o empreendedor busca oportunidades, e a Globalização por sua vez, às oferece. Globalização é a integração econômica, social, cultural e política, entre os países, é o encurtamento das distâncias. Ela afeta todas as áreas da sociedade, ao mesmo tempo em que isso nos permite maior acessibilidade às novas tecnologias, medicamentos, estudos, comércio, etc.

Nesse cenário tão controverso, multicultural, e extremamente competitivo o empreendedor, profissional que além de recursos e conhecimento, deve ser dotado de talento para empreender, é capaz de identificar os pontos negativos da Globalização, e criar barreiras para eles. E ainda aproveitar-se das tantas oportunidades oferecidas, e transformá-las em negócio lucrativo. Com todo seu conhecimento e experiência, esse profissional é essencial para o desenvolvimento econômico e social do seu Município, Estado e até seu País, atuando não só nas empresas privadas, mas também em empresas públicas, na própria Administração Pública ou de forma autônoma, o que chamamos de empresário independente. Nesse contexto, é possível observar a importância do empreendedorismo no sucesso profissional e das organizações.

Definir um perfil empreendedor não é fácil, mas para aproximar do ideal não podemos deixar de reunir os aspectos: liderança, riscos, independência, criatividade, energia, tenacidade e originalidade. Segundo Cavalcanti (2001) no Brasil, somente há pouco tempo as escolas e o ensino superior apresentaram a preocupação com a formação de novos empreendedores. Entidades voltadas às Micro, Pequenas e Médias empresas têm apresentado uma preocupação maior, como Sebrae, Senac, Senai e Simpi.

Os empreendedores genuínos possuem o sentimento aguçado de realizar coisas novas, são aqueles que dão importância às pequenas coisas, pois acreditam que elas se tornarão, no futuro, grandes conquistas. Inovação e crescimento são considerados duas palavras-chave para se definir um empreendedor.

Para um grande empreendedor o dinheiro não é o mais importante, e sim mais uma ferramenta. Talvez a melhor definição para qualificar o que torna um empreendedor diferente é o modo como “ele se posiciona e o seu foco na sua área de negócios”. Um empreendedor busca transformar um sonho, uma visão de oportunidade, num negócio que gere valor e riqueza para a sociedade. Segundo Cavalcanti, ele deve estar sempre pensando no futuro!

Na visão do sociólogo Carl Rhode, os empreendedores precisam escolher entre dois caminhos: trabalhar para atender as necessidades de um mundo digital, ou focar em todas as coisas que os computadores não podem fazer que envolvam experiência, empatia, hospitalidade. “Uma opção interessante para os empreendedores é focar em todas as coisas que os computadores não podem fazer. Smartphones podem fazer um monte de coisas, mas não pode oferecer empatia, criatividade, afetividade. Então há espaços para quem souber investir em hospitalidade, autenticidade, trabalhos feitos à mão, turismo de experiência, comidas típicas. Há espaço para quem souber contar boas histórias, que sobreviveram ao teste do tempo.”

Finalizando, cabe destacar que a concepção do jovem do mundo contemporâneo esta mudando e muito. Os jovens do século XXI, a chamada geração Y, possui um perfil de empreendedores, questionador e, até certo ponto, revolucionário por querer mudar o mundo. Parecem querer contrariar tudo que seus pais ou outras pessoas de mais experiência tentam lhes fazerem acreditar ser o correto.

O que se verifica é que um elevado percentual de jovens, o que atribuo à baixa oportunidade de ocupar um emprego convencional de carteira assinada, tem trilhado a experiência no ramo do empreendedorismo em razão de oferecer muitas vertentes, contudo a vertente mais procurada é o Marketing Multinível ou Marketing de Rede em razão da oportunidade de criar seus próprios ativos e adquirir Riqueza, sendo algo sem grande risco e sem grande investimento onde o jovem entra no empreendedorismo com relativa facilidade, realizando o sonho de, através de treinamento apropriado, ser autônomo não tendo chefes pegando no pé, submetendo os resultados, tão somente, as conseqüências direta de seu esforço.


sexta-feira, 12 de abril de 2019

Uma Análise Estratégica do Livro O Príncipe de Maquiavel. Artigo: Fevereiro/2019




“O Príncipe” tornou-se um livro referência aos estudiosos da Ciência Política, trata-se de uma coletânea dos pensamentos de Maquiavel os quais ele considera importante para o Príncipe Lorenze Di Pierro. O livro aborda vários temas, sempre buscando lições da história para confirmar seu ponto de vista. Esta coletânea de Maquiavel oportuniza um grande aprendizado não só no campo político, mas nos permite estudar a história para saber o que é possível. Neste curto texto irei destacar alguns pontos que reputo ser de grande ensinamento, muito embora toda a obra seja de grande relevância para o difícil campo do exercício da política.
Destaco que o ponto interessante na leitura dessa obra é o fato de que embora o livro “O Príncipe” seja largamente lido, em especial aos que se dedicam a área de humanas, poucas pessoas realmente interpreta o que está lendo, pois alguns insights são difíceis de retirar. Isso faz do livro ao mesmo tempo conhecido e obscuro em razão de poucas pessoas extraírem o verdadeiro conhecimento dele.
Na sua dedicatória, quando Maquiavel se reporta “Ao Magnificente Lorenze Di Pierro de Medici” destaco o trecho: “Aqueles que lutam para obter as boas graças de um príncipe estão acostumados a vir até ele com coisas que consideram mais preciosas, ou nas quais eles o vêem com mais prazer; por isso, freqüentemente se vê cavalos, exércitos, roupas de ouro, pedras preciosas e ornamentos similares presenteados aos príncipes, validos de suas grandezas.
Desejando, portanto, me apresentar para sua Magnificência com algum testimônio de minha devoção, eu encontrei em minhas posses nada que goste mais, ou valorize tanto quanto, o CONHECIMENTO das ações dos grandes homens, obtido por longa experiência....”. Trata-se de um trecho no mínimo interessante, pelo fato dele destacar que a posse mais valiosa que ele tem é o conhecimento.
Como Maquiavel afirmava e a história ensina, não devemos fazer coisas pela metade. “ O homem é sábio deve sempre seguir as estradas pavimentadas pelos Grandes e imitar aqueles que tiveram maior sucesso, de modo que se ele não alcançar a perfeição, ele pode pelo menos adquirir um pouco de seu sabor”.
Lição: Não faça as coisas pela metade. “O homem sábio deve sempre seguir as estradas pavimentadas pelos Grandes e imitar aqueles que tiveram maior sucesso, de modo que se ele não alcançar a perfeição, ele pode pelo menos adquirir um pouco de seu sabor.”
Uma lição devemos tirar desse ensinamento. Isso não quer dizer que não devemos buscar inovar e sempre repetir o velho. Por mais importante que seja seguir o caminho da Grandeza, não podemos nos pegar tentando copiar atitudes; os cenários são diferentes, nos cabe absorver os princípios e aplicá-los a sua realidade. É nosso papel, também, abrir novo caminho como legado para aqueles que estão por vir. No futuro, nossos ombros também servirão de apoio para escalada de outros.
Outra afirmação de grande ensinamento podemos encontrar neste trecho: “Aquelas crueldades nós podemos dizer são bem empregadas, se é permitido falar bem de coisas malignas, que são feitas de uma vez por todas pela necessidade de auto preservação e não são continuadas a seguir, mas só o suficiente para modificar a vantagem do governado. Crueldades mal impostas, por outro lado, são aquelas que começam pequenas e aumentam, ao invés de diminuir com o tempo. Ferimentos, por tanto, devem ser causados de uma vez, para que seu sabor seja menos duradouro e menos ofensivo, enquanto que benefícios devem ser conferidos pouco a pouco, de modo que eles sejam completamente saboreados.”
De modo resumido, Maquiavel quer dizer: ferimentos devem ser infringidos de uma vez e com intensidade, enquanto bondade deve ser demonstrada pouco a pouco. Isso faz as pessoas terem uma imagem poderosa de você: por um lado, há pulso firme, capaz de atingir com violência; por outro, há bondade e, como ela é prolongada e distribuída ao longo do tempo, permanece por mais tempo na mente do povo.
Esse insight pode ser importante na formação de alianças no mundo de hoje. Nós devemos ser sempre uma pessoa boa, mas se alguém errar com conosco, na primeira oportunidade, devemos ser enérgico e não deixarmos o outro se safar com aquilo. A imagem que vamos projetar é de  alguém sério, bom, confiável, mas com quem não se pode agir de má fé. Exatamente a imagem que Maquiavel sugeriu que o príncipe desenvolvesse.
Uma passagem do Velho Testamento aplicável a situações que enfrentamos ocorreu com a história de David e Golias. “David se ofereceu a Saul para lutar com Golias, o campeão filistino e, para encorajá-lo, Saul arma ele com suas próprias armas; o que David rejeita assim que ele as coloca, dizendo que não podia fazer uso delas, e que ele desejava encontrar o inimigo com seu batoque e espada. Em uma palavra, a armadura de outros ou é muito larga ou muito apertada; ou falha ou pesa em nosso corpo.”
No momento da batalha devemos jogar o nosso jogo; fazermos o que sabemos. Na hora em que tem muita coisa em jogo, devemos usar as nossas regras as quais nos sentimos mais confiante.
Outra lição importante que podemos tirar de Maquiavel é sobre um trecho de sua citação quando diz: “... é muito mais seguro ser temido do que amado, quando dos dois um deles tem que ser escolhido...” “... o príncipe que, confiando inteiramente em suas promessas, negligencia outras precauções, está arruinado; porque amizades que são obtidas por pagamentos, e não pela grande ou nobilidade da mente, pode de fato serem ganhas, mas elas não estão asseguradas e em tempos de necessidade não podem ser confiadas; e homens tem menos escrúpulos em ofender um a quem amam do que é temido, por amor é preservado pelo link de obrigação, mas medo preserva você pelo temor de punição que nunca falha.”
Segundo uma passagem de Sebastian Marshall: “se você não pode ser os dois (amado e temido), o modo mais alto seria ser amado, estimado e respeitado durante o dia a dia, com algo povoando o canto da mente das pessoas que se eles agirem de má fé com você, você vai ser fonte de inferno e miséria para eles. Isso mantém as traições e destruições arbitrárias em cheque.
Eu acho que o amor é mais forte do que o medo. Um comandante amado Poe seus soldados vai derrotar o comandante temido pelos seus soldados em quase todas as batalhas..., mas o comandante temido é menos sujeito a chances arbitrárias. Então, os dois têm valor. Esse trecho do livro destaca como os seres humanos têm muito em comum.
“É necessário, de fato, colocar uma bola cor nessa natureza e para ser hábil em simular e dissimular. Mas homens são tão simples, e governados tão absolutamente por  suas necessidades atuais, que aquele que deseja enganar nunca falha em encontrar patetas inclinados.”
Talvez isso explique como sempre tem gente caindo em golpes manjados de estelionato, muito embora eles tenham sempre fatores em comum.
“Não é essencial, então, que um príncipe deva ter todas as boas qualidades que eu enumerei acima, mas é muito essencial que ele pareça ter todas elas; eu mesmo me aventuro a afirmar que se ele tenha invariavelmente praticado todas elas, eles causam danos, enquanto que a aparência de tê-las é útil (misericórdia, boa fé, integridade, humanidade e religião).”
Para o príncipe, é mais importante aparentar ser algo do que realmente ser algo, pelo menos em termos de status social. Talvez isso explique o peso evolutivo da sinalização, quando você indica para outros que tem um comportamento, para ganhar as vantagens sociais de possuí-lo, mas não o tem na verdade. Só deixando claro que isso é ruim. Muitas vezes nos enganamos com comportamentos ineficientes sem realmente alcançarmos o que queremos.
Lição: Algumas pessoas vão te odiar, invariavelmente. Tente não levantar o ódio de pessoas com potencial de ameaçar seu poder.
Lição: Em momentos de incerteza, as pessoas acreditam no que é mais conveniente para elas, não necessariamente na verdade. Aparências são coisas poderosas.
“...ao príncipe é muito mais fácil conquistar a amizade daqueles homens que estavam satisfeitos com o regime passado, sendo, pois, seus inimigos, do que a daqueles que, por estarem descontentes, tornaram-se seus amigos e aliados, auxiliando-o na conquista do Estado.”
Neste trecho Maquiavel revela que ser mais fácil se aliar com o antigo status quo para se manter no poder do que com a facção revolucionária.
No capítulo XXI do “Príncipe” Maquiavel transmite uma lição de extrema importância quando diserta sobre “O QUE CONVÉM A UM PRÍNCIPE PARA SER ESTIMADO”. Em resumo destaco o trecho: “... quando surge a oportunidade de alguém ter realizado alguma coisa extraordinária de bem ou de mal na vida civil, obtendo meio de premiá-lo ou puni-lo por forma que seja bastante comentada, acima de tudo, um príncipe deve empenhar-se em dar de si, com cada ação, conceito de grande homem e de inteligência extraordinária.
Um príncipe é estimado, ainda, quando verdadeiro amigo e vero inimigo, isto é, quando sem qualquer consideração se revela em favor de um, contra outro. Esta atitude é sempre mais útil do que ficar neutro, ...” “...o príncipe deve ter a cautela de jamais fazer aliança com um mais poderoso que ele para atacar os outros, senão quando a necessidade o compelir, torna-se seu prisioneiro...”
Fazer uma análise estratégica do livro “O Príncipe” não é tarefa fácil, uma vez que a cada releitura de seus capítulos novas interpretações tiramos, tamanha a riqueza de seus conceitos e lições. Resolvi construir essa análise bastante resumida, motivado pelas observações feitas pela minha amiga Grace Anne, a quem agradeço por me provocar uma releitura dessa magnífica obra de Nicolau Maquiavel.

                                                                     Amaury Cardoso
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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

TRAGÉDIAS NÃO PODEM FICAR SEM RESPOSTA! - ARTIGO: JANEIRO/2019



A tragédia em decorrência do rompimento de uma barragem da empresa Vale, ocorrida no município de Brumadinho/MG, é totalmente inaceitável. Até quando vamos conviver com crimes socioambientais de grande proporção, em razão de envolver rejeitos tóxicos que são de difícil reparação,  que tem como justificativa a ganância irresponsável de empresários, que por lucros fáceis e com a complacência de um seguimento político que são por essas empresas sem escrúpulos financiados, negligenciam suas responsabilidades sem se importar com as conseqüências que possam trazer?

A reincidência de mais um acidente de proporções catastróficas expõe o descaso, a incompetência técnica e de gestão do setor privado e público, agravada pela fragilidade na fiscalização ambiental em nosso país, cujas tentativas de fortalecer a legislação ambiental atual, conferindo mais rigor no combate e penalização por crimes ambientais são barrados no Congresso por um considerável numero de parlamentares que tem suas eleições financiadas por empresas mineradoras.

Por outro lado, não se pode eximir de culpa o poder judiciário, que em de razão de sua morosidade em julgar e sentenciar crimes, em especial os que envolvem setores que se encontram no topo da pirâmide socioeconômica, contribuem para a sensação de impunidade dos poderosos em nosso país.

É uma vergonha termos que assistir a repetição de mais um desastre ambiental causado por rompimento de barreira, com o agravante de ter sido em razão das mesmas circunstâncias do desastre ocorrido há três anos (2015) em Mariana/MG, cabendo destacar o fato de não ter ocorrido a criminalização dos responsáveis, bem como a devida indenização a população, as famílias que tiveram perdas de entes queridos e bens materiais e o meio ambiente local que sofreu perdas irreparáveis com o aniquilamento da sua fauna e flora.

Esse inaceitável desastre ambiental com mais de uma centena de mortos e desaparecidos, a grande maioria funcionários da própria empresa, evidencia a ineficácia do aparato burocrático de preservação ambiental no setor da mineração que precisa emergencialmente ser reformado.  O que não se pode continuar permitindo é que empresas, através de executivos inescrupulosos, continuem negligenciando na construção, manutenção e monitoramento de empreendimentos de alto risco, e muito menos continuar a leniência do poder público (Estado) na concessão de licenciamento e ineficácia na fiscalização.

Mais uma vez a sociedade espera e exige que o governo e a justiça responsabilizem severamente os responsáveis por essa tragédia, e que estes tenham o tratamento de criminosos. Só assim se inibira negligencias futuras e a permanência de executivos inescrupulosos na direção de empresas que operam grandes investimentos.

Tragédias não podem ficar sem resposta. Quanto às perdas, essas são irreparáveis!


Amaury Cardoso
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O HOMEM, SEU TEMPO E SUAS INQUIETAÇÕES - Artigo: Dez/2018



Recentemente li um artigo de Cacá Diegues publicado no jornal O GLOBO, o qual destaco um pequeno trecho: “ Sabemos, por experiência tanto teológica, quanto científica, que Deus criou o universo dinâmico, em constante evolução. Sua preocupação não é apenas com o que é, mas sobretudo com o que virá a ser. A principal linguagem descoberta pelos humanos é a da esperança.”

 Achei muito interessante, o que me instigou uma profunda reflexão,  que inicio com uma das afirmações de Pasteur: ...” Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muita, nos aproxima”.

Somos acometidos de muitas perguntas sendo algumas tão intrigantes que chegam a nos inquietar: Quem somos? Como é o mundo? Como são as coisas? Que lugar ocupamos no mundo? Afinal para onde vamos?

Essas indagações expressam nosso desejo de descoberta, de conhecer cada vez mais sobre algo que seja do nosso interesse e aguçam nossas reflexões, uma vez que observamos o mundo e os acontecimentos que nos cercam a partir de perspectivas diferentes.

Baseado no sentido de moral e ética que nos remete a um conjunto de questões comportamentais ligados ao dever, a como devemos agir em relação aos conceitos e valores pré-estabelecidos, Platão e Aristóteles concordavam que a finalidade de todos os indivíduos é a felicidade, contudo ela é vista por cada ser humano de forma diferenciada. Já o filósofo Kant observava que o nosso comportamento deve servir de  máxima universal, ou seja,  deve servir de exemplo para todos os homens.

Há os que encontram a felicidade no prazer das coisas mais simples, outros não concebem felicidade sem liberdade, tem os que condicionam a felicidade a bens materiais. Enfim, os elementos que levam a felicidade são dispares.

Dentro do plano das relações humanas, somos seres profundamente sociais. Estudos confirmam que tanto a vida familiar e conjugal, bem como o convívio com amigos e a relação com a comunidade são fundamentais para a constituição de nossa identidade pessoal e do sentido de nossas vidas. Esses ingredientes definem em grande medida a forma com que nos posicionamos em relação ao mundo e nossas possibilidades de sermos felizes. Uma coisa tenho certeza, a vida seria muito diferente se não houvesse tanta necessidade de afirmação pessoal e competição.

Percebo que a busca desenfreada de felicidade na sociedade contemporânea sinaliza no sentido de que grande parte das pessoas tomou um rumo equivocado. A vida feliz é uma construção nossa de cada dia, que sofre mudanças na medida da nossa compreensão de vida e elevação interior (espiritual).
Ambas  proporcionam o nosso alto conhecimento.

Muitas vezes nos deparamos com temas para os quais não encontramos respostas imediatas, e ficamos com dúvidas, com uma necessidade inquietante de explicação racional para algo da existência humana que nos parece incompreensível, ou cuja compreensão existe, mas não satisfaz, tais como: Porque tanta maldade? O que é o ser humano; e sentimos a necessidade de construir uma explicação lógica, bem fundamentada, clara e confiável, uma vez que investigar o mundo em que vivemos é uma experiência básica e necessária para nossa adaptação à realidade, à vida, à existência, o que é esse mundo que nos envolve e nos absorve.

Partindo do conceito elaborado pelo filósofo Aristóteles, “Não acreditamos conhecer nada antes de ter apreendido cada vez o seu porque”, devemos entender que esse algo mais é o efeito, justamente aquilo que queremos compreender, o que nos remete a uma causa, pois concordamos que para tudo que nos acontece existe um porque, uma razão, que nos faça entender os acontecimentos, como as coisas são de verdade, livres das aparências, ou seja, na essência.

As diversas religiões existentes apresentam explicações para o mundo, sobre como são as coisas. No entanto, as explicações religiosas são conflitantes e insuficientes, não estão fundadas em conhecimentos científicos obtidos por meio da razão, e sim se baseiam nas chamadas verdades reveladas, ou seja, em concepções consideradas verdadeiras pelo fato de constarem dos textos sagrados de cada religião, já que estes seriam a transcrição de revelações trazidas pela divindade, como no caso do Cristianismo, para ficar só neste exemplo, cuja crença predominante no mundo ocidental baseia-se nos relatos bíblicos do novo e velho testamento, especialmente aquele contido no livro do Gênesis: “Deus criou o universo e tudo o que nele existe a partir do nada”.

Com o passar dos séculos ocorreram uma série de transformações nas sociedades, no campo político, econômico e social, que foram responsáveis pela construção de novas maneiras de entender as coisas. Filósofos, e cientistas no passar dos tempos construíram novas teorias que não apenas modificaram sistemas antigos de explicação da natureza e do real, como também destruíram um mundo, substituindo-o por outro, que causaram uma reforma na estrutura do pensamento e a maneira de entender a realidade, situação que provavelmente irá perdurar nos séculos futuros, o descobrimento se redescobrindo numa verdadeira revolução espiritual vinculada, em grande parte, à física e à astronomia, cujos sucessivos êxitos em explicar a realidade se apresentam e se transformam em função do tempo, trazendo a evolução, em virtude da revolução do pensamento e novos experimentos.

Sou um homem inquieto, que vive a angústia da busca do conhecimento, que diante de uma gama profusamente variada de concepções sobre a origem, estrutura e organização das realidades já formuladas por profetas, sábios, filósofos e cientistas de todas as partes, que construíram distintas visões de mundo, se depara em desesperadora conclusão de que nesta curta existência, que sequer sei o meu tempo, não decifrarei as minhas várias dúvidas sobre inúmeras respostas que se acumulam na minha mente.

Sobre as coisas da vida e do meu mundo, parafraseando Sócrates, o pouco que sei me revela que na verdade menos ainda sei diante da grandiosidade de incertezas sobre determinadas coisas.

Concluo agradecendo a essa energia suprema que rege o imenso universo, que chamamos de Deus, pela oportunidade de estar neste plano astral chamado por nós de planeta terra, em busca do conhecimento, alimento da minha alma, tão fundamental a minha evolução.

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa tudo sempre passará. A vida tem milhões de ondas como o mar, num indo e vindo do infinito”.


Amaury Cardoso
Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

É só para você ter uma ideia - Ep. 24 - Amaury Cardoso

Essa entrevista concedida a minha amiga Teresa Couri - professora, psicanalista, terapeuta ocupacional- foi para mim muito especial. Por nos...