sexta-feira, 12 de abril de 2019

Uma Análise Estratégica do Livro O Príncipe de Maquiavel. Artigo: Fevereiro/2019




“O Príncipe” tornou-se um livro referência aos estudiosos da Ciência Política, trata-se de uma coletânea dos pensamentos de Maquiavel os quais ele considera importante para o Príncipe Lorenze Di Pierro. O livro aborda vários temas, sempre buscando lições da história para confirmar seu ponto de vista. Esta coletânea de Maquiavel oportuniza um grande aprendizado não só no campo político, mas nos permite estudar a história para saber o que é possível. Neste curto texto irei destacar alguns pontos que reputo ser de grande ensinamento, muito embora toda a obra seja de grande relevância para o difícil campo do exercício da política.
Destaco que o ponto interessante na leitura dessa obra é o fato de que embora o livro “O Príncipe” seja largamente lido, em especial aos que se dedicam a área de humanas, poucas pessoas realmente interpreta o que está lendo, pois alguns insights são difíceis de retirar. Isso faz do livro ao mesmo tempo conhecido e obscuro em razão de poucas pessoas extraírem o verdadeiro conhecimento dele.
Na sua dedicatória, quando Maquiavel se reporta “Ao Magnificente Lorenze Di Pierro de Medici” destaco o trecho: “Aqueles que lutam para obter as boas graças de um príncipe estão acostumados a vir até ele com coisas que consideram mais preciosas, ou nas quais eles o vêem com mais prazer; por isso, freqüentemente se vê cavalos, exércitos, roupas de ouro, pedras preciosas e ornamentos similares presenteados aos príncipes, validos de suas grandezas.
Desejando, portanto, me apresentar para sua Magnificência com algum testimônio de minha devoção, eu encontrei em minhas posses nada que goste mais, ou valorize tanto quanto, o CONHECIMENTO das ações dos grandes homens, obtido por longa experiência....”. Trata-se de um trecho no mínimo interessante, pelo fato dele destacar que a posse mais valiosa que ele tem é o conhecimento.
Como Maquiavel afirmava e a história ensina, não devemos fazer coisas pela metade. “ O homem é sábio deve sempre seguir as estradas pavimentadas pelos Grandes e imitar aqueles que tiveram maior sucesso, de modo que se ele não alcançar a perfeição, ele pode pelo menos adquirir um pouco de seu sabor”.
Lição: Não faça as coisas pela metade. “O homem sábio deve sempre seguir as estradas pavimentadas pelos Grandes e imitar aqueles que tiveram maior sucesso, de modo que se ele não alcançar a perfeição, ele pode pelo menos adquirir um pouco de seu sabor.”
Uma lição devemos tirar desse ensinamento. Isso não quer dizer que não devemos buscar inovar e sempre repetir o velho. Por mais importante que seja seguir o caminho da Grandeza, não podemos nos pegar tentando copiar atitudes; os cenários são diferentes, nos cabe absorver os princípios e aplicá-los a sua realidade. É nosso papel, também, abrir novo caminho como legado para aqueles que estão por vir. No futuro, nossos ombros também servirão de apoio para escalada de outros.
Outra afirmação de grande ensinamento podemos encontrar neste trecho: “Aquelas crueldades nós podemos dizer são bem empregadas, se é permitido falar bem de coisas malignas, que são feitas de uma vez por todas pela necessidade de auto preservação e não são continuadas a seguir, mas só o suficiente para modificar a vantagem do governado. Crueldades mal impostas, por outro lado, são aquelas que começam pequenas e aumentam, ao invés de diminuir com o tempo. Ferimentos, por tanto, devem ser causados de uma vez, para que seu sabor seja menos duradouro e menos ofensivo, enquanto que benefícios devem ser conferidos pouco a pouco, de modo que eles sejam completamente saboreados.”
De modo resumido, Maquiavel quer dizer: ferimentos devem ser infringidos de uma vez e com intensidade, enquanto bondade deve ser demonstrada pouco a pouco. Isso faz as pessoas terem uma imagem poderosa de você: por um lado, há pulso firme, capaz de atingir com violência; por outro, há bondade e, como ela é prolongada e distribuída ao longo do tempo, permanece por mais tempo na mente do povo.
Esse insight pode ser importante na formação de alianças no mundo de hoje. Nós devemos ser sempre uma pessoa boa, mas se alguém errar com conosco, na primeira oportunidade, devemos ser enérgico e não deixarmos o outro se safar com aquilo. A imagem que vamos projetar é de  alguém sério, bom, confiável, mas com quem não se pode agir de má fé. Exatamente a imagem que Maquiavel sugeriu que o príncipe desenvolvesse.
Uma passagem do Velho Testamento aplicável a situações que enfrentamos ocorreu com a história de David e Golias. “David se ofereceu a Saul para lutar com Golias, o campeão filistino e, para encorajá-lo, Saul arma ele com suas próprias armas; o que David rejeita assim que ele as coloca, dizendo que não podia fazer uso delas, e que ele desejava encontrar o inimigo com seu batoque e espada. Em uma palavra, a armadura de outros ou é muito larga ou muito apertada; ou falha ou pesa em nosso corpo.”
No momento da batalha devemos jogar o nosso jogo; fazermos o que sabemos. Na hora em que tem muita coisa em jogo, devemos usar as nossas regras as quais nos sentimos mais confiante.
Outra lição importante que podemos tirar de Maquiavel é sobre um trecho de sua citação quando diz: “... é muito mais seguro ser temido do que amado, quando dos dois um deles tem que ser escolhido...” “... o príncipe que, confiando inteiramente em suas promessas, negligencia outras precauções, está arruinado; porque amizades que são obtidas por pagamentos, e não pela grande ou nobilidade da mente, pode de fato serem ganhas, mas elas não estão asseguradas e em tempos de necessidade não podem ser confiadas; e homens tem menos escrúpulos em ofender um a quem amam do que é temido, por amor é preservado pelo link de obrigação, mas medo preserva você pelo temor de punição que nunca falha.”
Segundo uma passagem de Sebastian Marshall: “se você não pode ser os dois (amado e temido), o modo mais alto seria ser amado, estimado e respeitado durante o dia a dia, com algo povoando o canto da mente das pessoas que se eles agirem de má fé com você, você vai ser fonte de inferno e miséria para eles. Isso mantém as traições e destruições arbitrárias em cheque.
Eu acho que o amor é mais forte do que o medo. Um comandante amado Poe seus soldados vai derrotar o comandante temido pelos seus soldados em quase todas as batalhas..., mas o comandante temido é menos sujeito a chances arbitrárias. Então, os dois têm valor. Esse trecho do livro destaca como os seres humanos têm muito em comum.
“É necessário, de fato, colocar uma bola cor nessa natureza e para ser hábil em simular e dissimular. Mas homens são tão simples, e governados tão absolutamente por  suas necessidades atuais, que aquele que deseja enganar nunca falha em encontrar patetas inclinados.”
Talvez isso explique como sempre tem gente caindo em golpes manjados de estelionato, muito embora eles tenham sempre fatores em comum.
“Não é essencial, então, que um príncipe deva ter todas as boas qualidades que eu enumerei acima, mas é muito essencial que ele pareça ter todas elas; eu mesmo me aventuro a afirmar que se ele tenha invariavelmente praticado todas elas, eles causam danos, enquanto que a aparência de tê-las é útil (misericórdia, boa fé, integridade, humanidade e religião).”
Para o príncipe, é mais importante aparentar ser algo do que realmente ser algo, pelo menos em termos de status social. Talvez isso explique o peso evolutivo da sinalização, quando você indica para outros que tem um comportamento, para ganhar as vantagens sociais de possuí-lo, mas não o tem na verdade. Só deixando claro que isso é ruim. Muitas vezes nos enganamos com comportamentos ineficientes sem realmente alcançarmos o que queremos.
Lição: Algumas pessoas vão te odiar, invariavelmente. Tente não levantar o ódio de pessoas com potencial de ameaçar seu poder.
Lição: Em momentos de incerteza, as pessoas acreditam no que é mais conveniente para elas, não necessariamente na verdade. Aparências são coisas poderosas.
“...ao príncipe é muito mais fácil conquistar a amizade daqueles homens que estavam satisfeitos com o regime passado, sendo, pois, seus inimigos, do que a daqueles que, por estarem descontentes, tornaram-se seus amigos e aliados, auxiliando-o na conquista do Estado.”
Neste trecho Maquiavel revela que ser mais fácil se aliar com o antigo status quo para se manter no poder do que com a facção revolucionária.
No capítulo XXI do “Príncipe” Maquiavel transmite uma lição de extrema importância quando diserta sobre “O QUE CONVÉM A UM PRÍNCIPE PARA SER ESTIMADO”. Em resumo destaco o trecho: “... quando surge a oportunidade de alguém ter realizado alguma coisa extraordinária de bem ou de mal na vida civil, obtendo meio de premiá-lo ou puni-lo por forma que seja bastante comentada, acima de tudo, um príncipe deve empenhar-se em dar de si, com cada ação, conceito de grande homem e de inteligência extraordinária.
Um príncipe é estimado, ainda, quando verdadeiro amigo e vero inimigo, isto é, quando sem qualquer consideração se revela em favor de um, contra outro. Esta atitude é sempre mais útil do que ficar neutro, ...” “...o príncipe deve ter a cautela de jamais fazer aliança com um mais poderoso que ele para atacar os outros, senão quando a necessidade o compelir, torna-se seu prisioneiro...”
Fazer uma análise estratégica do livro “O Príncipe” não é tarefa fácil, uma vez que a cada releitura de seus capítulos novas interpretações tiramos, tamanha a riqueza de seus conceitos e lições. Resolvi construir essa análise bastante resumida, motivado pelas observações feitas pela minha amiga Grace Anne, a quem agradeço por me provocar uma releitura dessa magnífica obra de Nicolau Maquiavel.

                                                                     Amaury Cardoso
                                               www.amaurycardoso.blogspot,com.br

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

TRAGÉDIAS NÃO PODEM FICAR SEM RESPOSTA! - ARTIGO: JANEIRO/2019



A tragédia em decorrência do rompimento de uma barragem da empresa Vale, ocorrida no município de Brumadinho/MG, é totalmente inaceitável. Até quando vamos conviver com crimes socioambientais de grande proporção, em razão de envolver rejeitos tóxicos que são de difícil reparação,  que tem como justificativa a ganância irresponsável de empresários, que por lucros fáceis e com a complacência de um seguimento político que são por essas empresas sem escrúpulos financiados, negligenciam suas responsabilidades sem se importar com as conseqüências que possam trazer?

A reincidência de mais um acidente de proporções catastróficas expõe o descaso, a incompetência técnica e de gestão do setor privado e público, agravada pela fragilidade na fiscalização ambiental em nosso país, cujas tentativas de fortalecer a legislação ambiental atual, conferindo mais rigor no combate e penalização por crimes ambientais são barrados no Congresso por um considerável numero de parlamentares que tem suas eleições financiadas por empresas mineradoras.

Por outro lado, não se pode eximir de culpa o poder judiciário, que em de razão de sua morosidade em julgar e sentenciar crimes, em especial os que envolvem setores que se encontram no topo da pirâmide socioeconômica, contribuem para a sensação de impunidade dos poderosos em nosso país.

É uma vergonha termos que assistir a repetição de mais um desastre ambiental causado por rompimento de barreira, com o agravante de ter sido em razão das mesmas circunstâncias do desastre ocorrido há três anos (2015) em Mariana/MG, cabendo destacar o fato de não ter ocorrido a criminalização dos responsáveis, bem como a devida indenização a população, as famílias que tiveram perdas de entes queridos e bens materiais e o meio ambiente local que sofreu perdas irreparáveis com o aniquilamento da sua fauna e flora.

Esse inaceitável desastre ambiental com mais de uma centena de mortos e desaparecidos, a grande maioria funcionários da própria empresa, evidencia a ineficácia do aparato burocrático de preservação ambiental no setor da mineração que precisa emergencialmente ser reformado.  O que não se pode continuar permitindo é que empresas, através de executivos inescrupulosos, continuem negligenciando na construção, manutenção e monitoramento de empreendimentos de alto risco, e muito menos continuar a leniência do poder público (Estado) na concessão de licenciamento e ineficácia na fiscalização.

Mais uma vez a sociedade espera e exige que o governo e a justiça responsabilizem severamente os responsáveis por essa tragédia, e que estes tenham o tratamento de criminosos. Só assim se inibira negligencias futuras e a permanência de executivos inescrupulosos na direção de empresas que operam grandes investimentos.

Tragédias não podem ficar sem resposta. Quanto às perdas, essas são irreparáveis!


Amaury Cardoso
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O HOMEM, SEU TEMPO E SUAS INQUIETAÇÕES - Artigo: Dez/2018



Recentemente li um artigo de Cacá Diegues publicado no jornal O GLOBO, o qual destaco um pequeno trecho: “ Sabemos, por experiência tanto teológica, quanto científica, que Deus criou o universo dinâmico, em constante evolução. Sua preocupação não é apenas com o que é, mas sobretudo com o que virá a ser. A principal linguagem descoberta pelos humanos é a da esperança.”

 Achei muito interessante, o que me instigou uma profunda reflexão,  que inicio com uma das afirmações de Pasteur: ...” Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muita, nos aproxima”.

Somos acometidos de muitas perguntas sendo algumas tão intrigantes que chegam a nos inquietar: Quem somos? Como é o mundo? Como são as coisas? Que lugar ocupamos no mundo? Afinal para onde vamos?

Essas indagações expressam nosso desejo de descoberta, de conhecer cada vez mais sobre algo que seja do nosso interesse e aguçam nossas reflexões, uma vez que observamos o mundo e os acontecimentos que nos cercam a partir de perspectivas diferentes.

Baseado no sentido de moral e ética que nos remete a um conjunto de questões comportamentais ligados ao dever, a como devemos agir em relação aos conceitos e valores pré-estabelecidos, Platão e Aristóteles concordavam que a finalidade de todos os indivíduos é a felicidade, contudo ela é vista por cada ser humano de forma diferenciada. Já o filósofo Kant observava que o nosso comportamento deve servir de  máxima universal, ou seja,  deve servir de exemplo para todos os homens.

Há os que encontram a felicidade no prazer das coisas mais simples, outros não concebem felicidade sem liberdade, tem os que condicionam a felicidade a bens materiais. Enfim, os elementos que levam a felicidade são dispares.

Dentro do plano das relações humanas, somos seres profundamente sociais. Estudos confirmam que tanto a vida familiar e conjugal, bem como o convívio com amigos e a relação com a comunidade são fundamentais para a constituição de nossa identidade pessoal e do sentido de nossas vidas. Esses ingredientes definem em grande medida a forma com que nos posicionamos em relação ao mundo e nossas possibilidades de sermos felizes. Uma coisa tenho certeza, a vida seria muito diferente se não houvesse tanta necessidade de afirmação pessoal e competição.

Percebo que a busca desenfreada de felicidade na sociedade contemporânea sinaliza no sentido de que grande parte das pessoas tomou um rumo equivocado. A vida feliz é uma construção nossa de cada dia, que sofre mudanças na medida da nossa compreensão de vida e elevação interior (espiritual).
Ambas  proporcionam o nosso alto conhecimento.

Muitas vezes nos deparamos com temas para os quais não encontramos respostas imediatas, e ficamos com dúvidas, com uma necessidade inquietante de explicação racional para algo da existência humana que nos parece incompreensível, ou cuja compreensão existe, mas não satisfaz, tais como: Porque tanta maldade? O que é o ser humano; e sentimos a necessidade de construir uma explicação lógica, bem fundamentada, clara e confiável, uma vez que investigar o mundo em que vivemos é uma experiência básica e necessária para nossa adaptação à realidade, à vida, à existência, o que é esse mundo que nos envolve e nos absorve.

Partindo do conceito elaborado pelo filósofo Aristóteles, “Não acreditamos conhecer nada antes de ter apreendido cada vez o seu porque”, devemos entender que esse algo mais é o efeito, justamente aquilo que queremos compreender, o que nos remete a uma causa, pois concordamos que para tudo que nos acontece existe um porque, uma razão, que nos faça entender os acontecimentos, como as coisas são de verdade, livres das aparências, ou seja, na essência.

As diversas religiões existentes apresentam explicações para o mundo, sobre como são as coisas. No entanto, as explicações religiosas são conflitantes e insuficientes, não estão fundadas em conhecimentos científicos obtidos por meio da razão, e sim se baseiam nas chamadas verdades reveladas, ou seja, em concepções consideradas verdadeiras pelo fato de constarem dos textos sagrados de cada religião, já que estes seriam a transcrição de revelações trazidas pela divindade, como no caso do Cristianismo, para ficar só neste exemplo, cuja crença predominante no mundo ocidental baseia-se nos relatos bíblicos do novo e velho testamento, especialmente aquele contido no livro do Gênesis: “Deus criou o universo e tudo o que nele existe a partir do nada”.

Com o passar dos séculos ocorreram uma série de transformações nas sociedades, no campo político, econômico e social, que foram responsáveis pela construção de novas maneiras de entender as coisas. Filósofos, e cientistas no passar dos tempos construíram novas teorias que não apenas modificaram sistemas antigos de explicação da natureza e do real, como também destruíram um mundo, substituindo-o por outro, que causaram uma reforma na estrutura do pensamento e a maneira de entender a realidade, situação que provavelmente irá perdurar nos séculos futuros, o descobrimento se redescobrindo numa verdadeira revolução espiritual vinculada, em grande parte, à física e à astronomia, cujos sucessivos êxitos em explicar a realidade se apresentam e se transformam em função do tempo, trazendo a evolução, em virtude da revolução do pensamento e novos experimentos.

Sou um homem inquieto, que vive a angústia da busca do conhecimento, que diante de uma gama profusamente variada de concepções sobre a origem, estrutura e organização das realidades já formuladas por profetas, sábios, filósofos e cientistas de todas as partes, que construíram distintas visões de mundo, se depara em desesperadora conclusão de que nesta curta existência, que sequer sei o meu tempo, não decifrarei as minhas várias dúvidas sobre inúmeras respostas que se acumulam na minha mente.

Sobre as coisas da vida e do meu mundo, parafraseando Sócrates, o pouco que sei me revela que na verdade menos ainda sei diante da grandiosidade de incertezas sobre determinadas coisas.

Concluo agradecendo a essa energia suprema que rege o imenso universo, que chamamos de Deus, pela oportunidade de estar neste plano astral chamado por nós de planeta terra, em busca do conhecimento, alimento da minha alma, tão fundamental a minha evolução.

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa tudo sempre passará. A vida tem milhões de ondas como o mar, num indo e vindo do infinito”.


Amaury Cardoso
Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A RESPOSTA DAS URNAS - ARTIGO: NOVEMBRO/2018


Concluímos mais um processo eleitoral, e estas eleições de 2018 se caracterizaram como uma das eleições mais imprevisíveis que já participei. Foi uma eleição marcada pelo repúdio a política, com forte rejeição a velha aristocracia política, onde a sociedade brasileira deixou claro o seu desapontamento com a degradação da estrutura política em nosso país.

O sistema político foi sendo destruído ao longo dos anos pós redemocratização e chega nesta eleição com evidencias claras de estar destroçado, razão pela qual se compreende o fato de afastar inúmeras lideranças da atividade política partidária e, por conseguinte, da busca de um mandato.

Chegamos a esse ponto em razão da falta de interesse de grupos dominantes da política brasileira em permitir o surgimento de novas lideranças que possibilitem uma renovação na representação política. Agindo desta forma tenta impedir a aproximação de novas expressões políticas junto ao conjunto da sociedade, o que se comprova na relutância em realizar uma profunda reforma na estrutura do sistema político e eleitoral.

Diante disso, o Brasil esta vivendo um momento dos mais preocupantes da sua história. As eleições de 2018 se tornaram um enfrentamento sem precedentes, culminando com uma disputa dos extremos ideológicos, sendo vencedor a corrente que incorporou a onda conservadora e anti-petista.

Esta eleição apresentou vários resultados que para muitos eram inesperados. Um desses resultados foi o fato de que o eleitorado nacional governado pelos três maiores partidos (MDB, PT e PSDB), em comparação as eleições passadas, em especial a de 2014, perderam considerável parcela de eleitores. O MDB foi o partido que mais encolheu no comparativo com 2014. Perdeu cerca de 19 milhões, ou seja, 66% do patamar que alcançou nas eleições estaduais de 2014, ao passar de 7 para 3 governadores, sendo um do Distrito Federal. Em seguida vem o PT que perdeu 13 milhões de eleitores ao passar de 5 para 4 estados governados pela legenda. O PSDB, mesmo mantendo o controle no estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, perdeu cerca de 8 milhões do eleitorado governado.

Outro resultado evidente foi o fato dos partidos tradicionais, que acostumados a dividirem a grande parcela do eleitorado e com isso obterem maior representação política, sofreram uma grande perda eleitoral em razão do fato da pulverização dos votos entre os partidos em disputa.

Fazendo um comparativo entre a eleição de 2014 e 2018, os maiores partidos tiveram perdas significativas em suas bancadas no senado, na câmara federal e nas assembléias legislativas.

SENADO:
2014 – 1º MDB 18  -  2º PSDB 12  -  3º PT 9
2018 -  1º MDB 11  -  2º PSDB   8  -  6º PT 6

Observamos que os três maiores partidos no senado (MDB, PSDB e PT) que atualmente tem juntos quase a metade do senado, na próxima legislatura passa a representar menos de um terço das cadeiras do senado.
CÂMARA FEDERAL:
2014 -  1º PT 69  -  2º MDB 65  -  3º PSDB 54
2018 -  1º PT 56  -  4º MDB 34  -  9º PSDB 29

Observamos que a bancada do MDB e PSDB tiveram uma grande baixa na câmara.

ASSEMPLÉIAS ESTADUAIS:
2014 -  1º MDB  142  -  2º PT 110  -  3º PSDB 97
2018 -  1º MDB    93  -  2º PT   85  -  4º PSDB 73

Esse quadro configura que ocorreu uma pulverização na representação legislativa no senado, na câmara federal e nas assembléias legislativas, onde os partidos tradicionais e maiores perderam poder e força.

Outro dado significativo ocorrido na câmara federal nas eleições de 1998 à 2018 envolve a relação do percentual da representação feminina e a taxa de renovação.

MULHERES NA CÂMARA:
1998 – 28 – 5,5%
2002 -  42 -  8,2%
2006 -  45 -  8,8%
2010 -  45 -  8,8%
2014 -  51 -  9,9%
2018 -  77 – 15%

RENOVAÇÃO NA CÂMARA:
     (deputados novatos)
1998 -  183 – 35,7%
2002 -  184 -  35,9%
2006 -  193 -  37,6%
2010 -  189 -  36,8%
2014 -  198 -  38,6%
2018 -  243 -  47,3%

A pulverização das forças políticas também se deu na representação dos governos estaduais e seu eleitorado por partido.
MDB – Elegeu três governadores (PA, AL e DF), totalizando 6,9% do eleitorado nacional.
PT – Elegeu quatro governadores (BA, CE, PI e RN), totalizando 14,5% do eleitorado nacional.
PSDB – Elegeu três governadores (MS, SP e RS), totalizando 29,4% do eleitorado nacional.
PP – Elegeu um governador (AC), totalizando 0,4% do eleitorado nacional.
DEM – Elegeu dois governadores (MT e GO), totalizando 4,6% do eleitorado nacional.
PSB – Elegeu três governadores (ES, PB, e PE), totalizando 8,31% do eleitorado nacional.
PDT – Elegeu um governador (AP), totalizando 0,3% do eleitorado nacional.
PSL – Elegeu três governadores (RO, RR, e SC), totalizando 4,4% do eleitorado nacional.
PSC – Elegeu dois governadores (RJ e AM), totalizando 10% do eleitorado nacional.
PHS – Elegeu um governador (TO), totalizando 0,71% do eleitorado nacional.
NOVO – Elegeu um governador (MG), totalizando 10,6% do eleitorado nacional.
PC do B – Elegeu um governador (MA), totalizando 3% do eleitorado nacional.
PSD – Elegeu dois governadores (SE e PR), totalizando 6,5% do eleitorado nacional.

Nesta nova configuração a posição dos partidos por número de eleitores em relação aos estados governados, fica:

1º - PSDB  -  29,4%
2º - PT       -  14,5%
3º - NOVO - 10,6%
4º - PSC     - 10.0%
5º - PSB     -   8,3%
6º - MDB   -   6,9%
7º - PSD     -   6,5%
8º - DEM   -   4,6%
9º - PSL     -   4,4%
10° PC do B  3,0%
11° PHS     -   0,7%
12º PP        -   0,4%
13º PDT     -   0,3%

Por fim, é importante destacar que os votos nulos, brancos e abstenções, os chamados “Não Votos”, alcançou o significativo patamar de 42,5 milhões de eleitores, sendo que o voto nulo teve alta de 3%, em comparação a 2014.

Abstenções – 21,25 %
Nulos          -    7,44%
Brancos      -    2,15%
Totalizando   30,84% ( Média nacional de “Não votos”)

EVOLUÇÃO DOS VOTOS NULOS, BRANCOS E ABSTENÇÕES
                  (Período eleitoral entre 2002 e 2018)

Nulos                                 Brancos                   Abstenções
2002 – 4,12%                      1,88%                         20,47%
2006 – 4,71%                      1,33%                         18,99%
2010 – 4,40%                       2,30%                        21,50%
2014 -  4,63%                      1,71%                         21,10%
2018 -  7,44%                      2,15%                         21,25%

O que se conclui diante do resultado das eleições de 2018 é que a resposta foi dada nas urnas, aqueles que no meio político e partidário não entenderam o clamor da sociedade, ou se entenderam relutaram em aceitar os novos tempos da política arcaram com as conseqüenciais.
                                                      



Amaury Cardoso
Presidente Estadual da FUG/RJ
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

       




terça-feira, 9 de outubro de 2018

A SOCIEDADE DEU UM BASTA A VELHA POLÍTICA. - ARTIGO: OUTUBRO / 2018





Sinceramente, o resultado das eleições de 2018, não me surpreendeu. O clamor por renovação ganhou força a partir de 2013 e as manifestações de desencanto e indignação com a corrupção na política e a ineficiência na gestão pública, só aumentaram. Os atores políticos que subestimaram e preferiram ignorar o clamor da sociedade por mudanças no sistema político e eleitoral, foram, na grande maioria, rejeitados nas urnas. O fato é que estas eleições desorganizou o sistema político-partidário que durante anos ditou as normas no país.

Essa eleição deixa claro que o atual sistema político pós-nova república se esgotou. O golpe final veio diante da crise de valores morais e ético que assolou a classe política iniciada em 2014 em razão dos escândalos evidenciados nas etapas da operação lava jato, que implodiu a credibilidade da maioria dos partidos política junto à sociedade que se viu indignada e em desencanto com a velha prática política. O discurso do combate a corrupção, a impunidade e privilégios tiveram um grande eco nas eleições de 2018.

Além do apelo do discurso anticorrupção, o tema segurança pública e a defesa dos valores familiares, foram priorizados pelo eleitor. Forças tradicionais da política, em várias regiões do país foram derrotadas provocando uma renovação na média de 50%, a maior dos últimos 20 anos, na câmara federal e na maioria das assembleias legislativas, sendo que no senado federal, chegou a 85% onde de 54 cadeiras foram renovadas 46. Os grandes partidos tiveram suas bancadas reduzidas, o que causou um abalo nos partidos tradicionais, evidenciando uma clara mudança no eleitorado brasileiro.

Essa eleição também encerra um longo ciclo de polarização entre PT e PSDB e pulveriza a representação partidária, deixando de existir a supremacia de grandes partidos sobre as pequenas correntes partidárias.

Fazendo um comparativo da composição ideológica na câmara federal entre as forças de esquerda, centro e direita nas três eleições regionais/nacionais (2010-2014-2018), temos o seguinte quadro:

ESQUERDA:
Em 2010 elegeu 126 parlamentares;
Em 2014 Elegeu 138 parlamentares;
Em 2018 Elegeu 137 parlamentares;
·        CENTRO:
Em 2010 elegeu 157 parlamentares;
Em 2014 elegeu 137 parlamentares;
Em 2018 elegeu   75 parlamentares;
·        DIREITA:
Em 2010 elegeu 190 parlamentares;
Em 2014 elegeu 238 parlamentares;
Em 2018 elegeu 301 parlamentares;

Outro dato importante a ser comparado, é com relação à participação de mulheres na câmara federal entre as eleições de 2014 e 2018. Em 2014, foram eleitos 462 homens e 51 mulheres, já em 2018 foram eleitos 436 homens e 77 mulheres o que configura um aumento da representação feminina em 51% em comparação a 2014. Contudo, ainda a quem do peso eleitoral do voto feminino do país.

O resultado das eleições de 2018 deixa claro que ela foi tomada por uma forte onda conservadora que seduziu grande parcela da sociedade que se vê amedrontada pelo alto índice de violência, associada a grande indignação com o atual processo político que se vê afundada na lama da corrupção.

Cabe destacar que os novos eleitos não podem deixar de priorizar o compromisso com a garantia e avanço da democracia, bem como não fugir da responsabilidade de realizar reformas estruturais, fundamentais para o momento que o Brasil atravessa, a começar pela reforma política e eleitoral. A sociedade tem sinalizado no sentido da mudança desse sistema político aristocrático e corrompido.

Por fim destaco, por concordar, com o ponto de vista do imortal e jornalista Merval Pereira ao afirmar que “De forma clara e plebiscitária, a tese do golpe foi rechaçada. O povo chancelou o impeachment de Dilma e enterrou a narrativa do golpe”. 


Amaury Cardoso
Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de Janeiro
www.amaurycardoso.blogspot.com.br

                                                                               

domingo, 23 de setembro de 2018

O TEMPO PERDIDO NO AVANÇO POLÍTICO. - ARTIGO: Setembro/2018


Fazendo uma retrospectiva dos momentos políticos vividos pela minha geração, tendo passado por longo tempo (1964 à 1989) sem eleições gerais para presidente, período de cassações, perseguições política e proibições de manifestações, vivi intensamente um movimento de resistência ao regime militar, participei de campanhas fundamentais para o restabelecimento do regime democrático de pleno direito.


Recordo-me da campanha pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, que permitiu a volta dos exilados, a campanha das Diretas Já e a campanha da Redemocratização, com a importante eleição indireta de Tancredo Neves a presidente no colégio eleitoral, que pôs fim ao ciclo de mais de 20 anos de governo militar, depois as passeatas pelo impeachment de Collor e, logo após, o movimento pela estabilização da economia, em meados dos anos 90, realizadas no governo FHC, e finalmente, assisti a eleição de Lula e o avanço do processo social da década passada. As conquistas foram lentas, mas alimentavam o sentimento de querer mais.


Com tristeza, percebo que essas lutas políticas que alimentaram os meus sonhos de juventude de mudar o Brasil, embora tenham provocado mudanças importantes, estão demorando a se concretizarem. É angustiante você perceber que seus sonhos do passado, sonhos e ideais políticos de 30 anos atrás, com o passar do tempo se tornam mais distantes.

Os processos eleitorais dos últimos anos, e o deste ano com mais evidência, tem revelado que o ciclo a que me referi acima, iniciado com o golpe militar de 64, esta terminando. Os partidos de hoje passam ao largo da maioria das pessoas, em especial para a juventude em razão do esgotamento de suas propostas, confirmando um quadro institucional partidário falido.


O que vivíamos a 30 anos atrás, a mobilização das ruas levantando a bandeira das eleições diretas, hoje se reflete numa descrença no processo político eleitoral, com a juventude inclinada para o voto branco e nulo, e muitos não interessados em se inscrever para votar, com o agravante do considerável número de abstenções.


Essa recusa é sintomática, que atinge diretamente os políticos e a instância partidária. Essa mensagem precisa ser entendida como advertência e alerta no sentido da necessidade da melhora da qualidade política, onde os valores morais e éticos sejam primordiais, condição fundamental ao aperfeiçoamento da democracia representativa.

A cada processo eleitoral fica mais claro que a sociedade não aceita mais “alianças” para sustentação da tal “governabilidade” em troca de espaços de poder, que passa a ser sustentada por uma base fisiológica e corrupta, com forte aparelhamento partidário, a exemplo do projeto de poder construído nos 13 anos e meio de governo do PT, que foi, a meu ver, responsável pelo aprofundamento da vergonhosa degeneração de práticas políticas corruptas. A polarização dessa eleição entre os eleitores anti-petista e os simpáticos ao lulopetismo confirmam a indignação e desencanto de uma grande parcela da sociedade, que em resposta consagram a vitória daquele que incorpora o sentimento anticorrupção e anti PT. A decepção com os erros no campo moral e ético agravados no governo do PT forjou o fenômeno Bolsonaro.


Essa perda de confiança e indignação com as práticas de governabilidade que se sustentam no aprofundamento da sucessão de escândalos praticados no governo petista gerou uma crise institucional que atingiu frontalmente a necessária decência no trato da coisa pública, que precisa ser contida.


Não podemos nos eximir da responsabilidade de provocar a necessária mudança e, tão pouco podemos perder tempo. O novo congresso, cuja renovação poderá influenciar nesse sentido, devido às evidências colhidas nesta eleição, onde a sociedade deixou clara sua rejeição e intenção de não aceitar mais o atual, viciado, excludente e elitizado jogo eleitoral, razão pela qual a reforma política não tem como não entrar na pauta do novo Congresso. Esta eleição é uma prova incontestável de que o atual sistema político eleitoral esta falido.


Não há outro caminho para a regeneração senão as urnas oficializando a mudança.
Contudo, a mudança nem sempre é garantia de avanço.




Amaury Cardoso
Presidente Estadual da Fundação Ulysses Guimarães/RJ

Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A REFUNDAÇÃO DO SISTEMA POLÍTICO, DIANTE DE UM CONGRESSO QUE NÃO REPRESENTA AS DEMANDAS DEMOCRÁTICAS DA SOCIEDADE. ARTIGO: JULHO/2018



O Brasil experimenta uma longa crise cuja sua permanência por mais tempo pode comprometer o seu futuro. Não falo de uma crise qualquer, mas de um conjunto de cinco crises – financeira, política, policial (com a Operação Lava Jato), de retração no mercado internacional e de valores morais, agravada por um déficit de liderança diante de um Brasil sem estratégia. E isso acontece em um momento onde o mundo se organiza em grandes espaços comerciais e de investimentos. 

O Brasil se encontra nesta situação em razão de nos últimos 15 anos ter negligenciado em fazer a lição de casa, o que lhe permitiria competir internacionalmente. Refiro-me ao fato de não terem sido feitas as reformas estruturais importantes para o nosso país aparecer bem lá fora. Em resumo, os governos passados não utilizarão os bons tempos da economia internacional para se preparar para os dias difíceis, que chegaram. Em razão desse irresponsável erro o Brasil paga um preço muito alto. Eu acredito que estamos no pior dos mundos neste momento. O presente não é bom e as perspectivas de futuro também não são boas. 

Como ter uma democracia forte diante do grande desencanto da sociedade com política? Como incorporar a sociedade a massa marginal de 27 milhões de desempregados? O que fazer com os milhões de não empregáveis, em razão de estarem fora do mercado de trabalho por baixa escolaridade, e que irá se agravar em razão do processo industrial de automatização?

O quadro é gravíssimo, e os cidadãos em desencanto e indignados já não percebem a democracia representativa como um canal de solução dos seus anseios.

È fato que estamos experimentando no sistema político uma transição do velho para o novo, onde a saída é a refundação do atual modelo político brasileiro, com fortes bases na ética política.

Diante deste quadro, o que mais nos preocupa é o fato de que seja qual for o próximo presidente eleito, ele terá uma enorme dificuldade de desarmar a “Bomba relógio” que irá assumir na elaboração do orçamento e, principalmente, resolver o grave desafio de eliminar o oportunismo no Congresso que inviabiliza qualquer governo. Temos presenciado que o executivo fica a mercê de corporações. Refiro-me as corporações do Serviço Público, a Ruralista e a Evangélica.

Há um desarranjo no sistema político com a prevalência do domínio das corporações no Congresso, onde seus interesses estão acima dos interesses do país e das necessidades primárias da sociedade.

Mesmo diante de um cidadão que clama por renovação na representação política, em razão de entender que o atual Congresso não representa as demandas democráticas da sociedade, arisco afirmar que muito embora tenhamos um crescimento no número de “Não Votos” a renovação esperada será alguém da vontade popular, pelo fato do parlamento brasileiro ter criado um sistema político/eleitoral que preserva seus mandatos. Entendo que de cada 10 parlamentares do atual Congresso, em torno de sete irão se reeleger.

As grandes reformas estruturais: Sistema Previdenciário, Sistema Político e Sistema Tributário são imprescindíveis para viabilizar investimentos que provoque o desenvolvimento, e desta forma garantindo o crescimento econômico e social do país. Essas medidas, pelas razões citadas acima, vem sendo proteladas pelos atores políticos no Executivo e no Legislativo, e a sociedade vem atravessando eleições sem que essas reformas estruturantes sejam aplicadas.

O que se observa nos processos eleitorais são, na maioria das vezes, propostas superficiais que são feitas sem sustentação pelos candidatos a presidente, e que não foram implantadas antes por uma simples razão: Os grupos que ditam o poder não têm interesse que essas reformas ocorram. E nesse campo estão às necessárias reformas estruturantes, em especial a do sistema político.

Por fim, diante de um cenário de grave crise econômica é obvio que se torna necessário que toda a política de gastos esteja assegurada em uma fonte de receita, bem como toda política pública de viés social tem que estar assegurada no amplo retorno social.


Amaury Cardoso
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br
E-mail: amaurycardosopmdb@yahoo.com.br

É só para você ter uma ideia - Ep. 24 - Amaury Cardoso

Essa entrevista concedida a minha amiga Teresa Couri - professora, psicanalista, terapeuta ocupacional- foi para mim muito especial. Por nos...