domingo, 12 de julho de 2020

O COMBATE A PATOLOGIA DO FAKE NEWS PRECISA SER RIGOROSO!!! - Artigo: Julho/2020

A empresa Facebook toma esta semana uma atitude reativa com a decisão de extrema importância de realizar uma investigação mundial e com isso sinalizando com medidas de combate as Fakes News espalhadas nas plataformas das redes sociais.

Esta ação sinaliza com medidas de combate as Fakes News, com o objetivo principal de mapear e desparatar as redes de Fakes que visam dissiminar os discursos que pregam o ódio associados a notícias falsas com objetivo de atacar a imagem de pessoas e fazer uma lavagem cerebral na grande maioria dos internautas que não possuem raciocínio crítico. 

Este acontecimento, no meu entender, fortalece as ações que estão sendo realizadas pela CPMI das Fakes News instalada no congresso, e as investigações realizadas pela Polícia Federal por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes, que está à frente do inquérito das Fakes News no STF.

Vivemos um momento da Pós-Verdade, onde passa a valer mais o que as pessoas pensam mesmo sem fundamento comprovado a respeito de algum fato, do que propriamente o fato em si. Muitas pessoas só acreditam no que querem acreditar. A grande maioria delas em razão de suas preferências e conveniências. 

As redes sociais, em especial o Facebook, virou uma ferramenta de propagação de inverdades, calúnias e promoção de desinformação, que visam influenciar a opinião de um grande número de pessoas, como já afirmei, que não possuem poder de análise crítica. 

Como democrata devo deixar claro que sou intransigentemente contra qualquer medida de censura, sendo um defensor da liberdade em todos os sentidos, desde que esta se assegure na devida responsabilidade, portanto, sem ferir o dever primordial do respeito a verdade, embora está seja efêmera. 

Feito esses esclarecimentos, me permito algumas indagações:

Será que o ato de dissiminar inverdades, atacar com calúnias e insultos pessoais em redes sociais é algo normal, principalmente quando a pessoa que à pratica, covardemente, se esconde atrás de perfis falsos? 

Será que quem se utiliza desse tipo de comportamento suspeito não deve ser visto como um risco a democracia em razão da pratica criminosa da falsidade ideológica e/ou ocultação de identidade pessoal? 

Será que a promoção de Fake News com objetivo de denegrir imagem, que sendo caluniosa leva o por ela atingido a ter sérias dificuldades de desfaze-las, não configura um crime contra a integridade moral e pessoal de outros? 

Como limitar os excessos? 

Como evitar um crime de calúnia virtual sem identificação real?

Até que ponto, em nome da liberdade de opinião e expressão, que é um direito sagrado ao exercício democrático, se deve permitir a prática de falsidade de informação e agressões caluniosas nas redes sociais, sendo o autor um robô, um aplicativo falso ou uma pessoa usando um nome fictício?

Diante do volume de notícias falsas e agressões levianas a integridade moral, sem base em provas factíveis, não seriam motivos justos de estudar medidas de coibição?

Essas medidas vem em boa hora, pois se torna de fundamental importância o combate rigoroso e sistêmico a patologia do Fakes News!

Viva a liberdade de expressão com seriedade e responsabilidade!!!!



Amaury Cardoso 
www.amaurycardoso.blogspot.com.br

domingo, 21 de junho de 2020

O CENÁRIO PÓS-PANDEMIA E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS DA SOCIEDADE. - ARTIGO: JUNHO/2020



Arriscar um cenário pós pandemia é especular em cima de previsões de possíveis mudanças que ocorrerão na sociedade. Embora não se possa medir a intensidade dessas mudanças, ela irá ocorrer e deixará como herança uma transformação intensa na geopolítica mundial e, além de mudanças de comportamento e convivência, uma nova ordem nas relações internacionais com foco na economia de mercado é algo que já se pode afirmar. 

No caso específico do nosso país, a pandemia chegou a um momento dramático em razão de atravessarmos um período caótico no campo político e de grande fragilidade social, que tem como agravante o fato do governo estar demonstrando falta de capacidade para enfrentar essa grave crise sanitária, e isso é extremamente preocupante.

As tentativas fracassadas do presidente Bolsonaro de minimizar os riscos humanos causados pela pandemia e a escolha de colocar a atividade econômica acima da vida humana, se for uma estratégia política de não vir a ser responsabilizado pela derrocada da economia brasileira, que já se estima um PIB deficitário beirando 10% este ano, não está funcionando, pois o desgaste de sua popularidade vem ocorrendo não obstante o presidente ser sustentado por cerca de 30% dos eleitores. O governo brasileiro irá enfrentar uma crise política, econômica e social que continuará a avançar com fortes implicações geopolíticas regionais.


Sairemos dessa pandemia com uma grande recessão mundial, e o Brasil irá sofrer um forte impacto econômico, com reflexo profundo na sua frágil estrutura social, em razão do desemprego que em nosso país já era estrutural, e será o grande vilão a dificultar a retomada econômica brasileira. Os problemas estruturais nos setores da economia, educação, saneamento, saúde, violência, dentre outros que já vem de anos e cuja responsabilidade não é do atual governo, já eram um forte obstáculo e um grande desafio a ser enfrentado pelo governo Bolsonaro, que, em virtude da crise provocada pela pandemia do coronavírus, passa a ter uma proporção exponencial que irá exigir medidas urgentes e planejadas que visem tentar melhorar o atual quadro nos setores acima mencionados, sem, necessariamente, ter que contar com o crescimento da nossa economia. 

É fato que já vivemos momentos de crescimento econômico, e esse crescimento não foi capaz de melhorar a qualidade de vida da maioria da população marginalizada socialmente, ao contrario permitiu a continuidade e crescimento das mazelas que são provocadas pelas degradações e ineficiência dos serviços prestados nos setores destacados.

Esse fato lamentável passa a exigir do atual governo a elaboração de um plano de incentivos sociais com o objetivo de evitar o aprofundamento das desigualdades sociais, bem como a redução do aumento da pobreza. Parece-me que o governo Bolsonaro já planeja algo nesse sentido através da criação de um programa de “Renda Básica da Cidadania”. Espero que esse programa não se transforme em mais um programa de bondade que visa corromper eleitoralmente a população por ele atingida, como tem ocorrido em outros programas de cunho social com nítida vertente eleitoral a exemplo do programa “Bolsa Família” dos governos petista. 



Em virtude do não crescimento econômico previsto para os primeiros anos após o fim da pandemia, talvez fosse um caminho alternativo a realização de uma ampla reforma fiscal, em especial com o aumento de impostos aos bens de consumo mais caros, que iria contribuir para melhorar os recursos financeiros que serão aplicados para custear o plano de incentivos sociais a ser implantado.

Diante do fato da pandemia ter desarmado a economia mundial e assustado a todos, fica evidente que ela trouxe a necessidade de uma presença maior do Estado no amparo social, ou seja, na promoção do Bem Estar Social, em razão das evidencias diante das mudanças que irão ocorrer pós pandemia que deixou claro que as desigualdades irão aumentar, e que o aumento da miséria é uma possibilidade concreta. Percebo que estamos vivendo um momento onde as sociedades passam a perceber que esse modelo capitalista de lucros vultosos e de viés social excludente não pode mais perdurar. Essa mudança de paradigma social de cunho humanista, a meu ver, é extremamente positiva.

Essa reação da sociedade irá forçar os governos a reavaliar suas posições de que o mais importante em momentos de crise é fazer girar a economia, o que se mostrou um dilema falso, e essa pandemia revelou que o essencial é a adoção de medidas que visem à preservação da vida. Essa consciência das sociedades será determinante como fator de mudança de concepção da maioria dos governantes com relação à necessidade de crescimento de suas economias em detrimento do aumento das desigualdades entre as pessoas e a devastação do meio ambiente. 




Por fim, no caso específico brasileiro, entendo que se torna urgente repensar o nosso modelo democrático diante do enorme enfraquecimento das instituições representativas: Partidos políticos, Sindicatos e Movimentos Sociais Organizados em Geral, que após as manifestações populares que ocorreram a partir de 2013, sem a participação dessas “instituições representativas” que deixaram de serem os protagonistas das insatisfações e reivindicações da sociedade, a sociedade passou a não ver essas instituições como seus representantes, e expressam sua rejeição através do slogan “NÃO ME REPRESENTAM”. 

O enfraquecimento dessas instituições representativas, em especial os partidos políticos, associada ao descredito das pessoas com a classe política, coloca em cheque a legitimidade da democracia representativa, e trouxe como aspecto negativo a ampliação do espaço para o fortalecimento do líder populista extremista, tendo como contra partida a disseminação de uma militância radical, alimentada pelo ódio entre as correntes ideológicas radicais e extremistas, o que considero um preocupante retrocesso político e um obstáculo ao avanço da nossa democracia.

As instituições brasileiras a permanecerem em conflito, alimentado por vaidades, se enfraquecem e, consequentemente, enfraquece a nossa jovem e frágil democracia. A sociedade precisa interceder para que esse quadro não prospere e a esperança no avanço da nossa democracia esteja presente.


Amaury Cardoso

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terça-feira, 2 de junho de 2020

OS RISCOS DE UMA CRISE INSTITUCIONAL PROFUNDA. - ARTIGO: JUNHO/2020


“Quando um Estado tem suas instituições em situação de descrédito, começa a ruir toda a ordem institucional”. 

É preocupante o fato de constatarmos que o Brasil não se preparou para esse momento de pandemia, e se mostra vulnerável no setor econômico diante da declaração do ministro da economia de que “o país quebrou e que suas reservas não possui lastro”. O ministro Paulo Guedes, com essa declaração, passa uma insegurança para o mercado em razão de evidenciar a vulnerabilidade do país no campo econômico. 

Não obstante o fato de estarmos enfrentando uma crise econômica que tem tudo para se agravar, o país se encontra diante de uma crise institucional séria e preocupante face seus desdobramentos, pelo fato dos poderes da república não se entenderem e entrarem em conflito gerando uma crise política que só contribui para acelerar a crise econômica em nosso país, em virtude de inviabilizar o debate e aprovação, nas duas casas no Congresso, das importantes reformas: tributária, administrativa e política/eleitoral. 

O país está dividido no campo político, sem hierarquia e sem comando e isso é grave, principalmente, nesse momento de crise sanitária. As consequências desse acúmulo de crises para a população brasileira são severas levando ao aprofundamento da crise social, por ampliar as desigualdades em virtude do aumento do desemprego. 




É preocupante o fato de não se perceber, em curto e médio prazo, a possibilidade de haver um entendimento por parte das lideranças dos três poderes da república que levem a chegar a um consenso nas questões que são essenciais para amenizar os efeitos danosos no campo econômico e social pós-pandemia. Se as divergências no campo político e ideológico não forem deixadas de lado nesse momento em prol do país, as chances de se evitar um colapso econômico de grandes proporções serão pequenas. 

Há uma necessidade de se chegar a uma pauta mínima de medidas de consenso entre união, estados e municípios, caso contrário iremos enfrentar uma situação de casos de fome, onde milhões de pessoas não terão o essencial, e com isso se estabelecendo os ingredientes que levarão a uma desordem social de consequências imprevisíveis. 

A possibilidade de se chegar a uma situação que leve a desordem social, é um fator de extrema relevância que exige um movimento de união nacional entre os poderes institucionais, através do entendimento de que o que está em jogo é o destino de milhões de brasileiros que se encontram vulneráveis, muitos na marginalidade social, diante de um cenário de grande recessão pós-pandemia. 

A pauta de medidas deve priorizar um planejamento conjunto que vise amenizar os efeitos do alto índice de desemprego, a possibilidade de casos de desabastecimento, o socorro financeiro aos pequenos empreendedores e as micro, pequenas e médias empresas. 



A história universal tem registrado que a hora que as ruas se insurgem com críticas aos poderes de uma nação, esse é um forte sinal de que começam a aflorar o sentimento de revolta. É quando o povo não sabe a quem apelar e confiar. Esse desespero abre espaço para o surgimento de radicalismos, e casos de propostas de soluções extremadas passam a serem consideradas. Esse quadro favorece a uma situação de ruptura social, o pior que pode acontecer a uma Nação. 


O Brasil precisa urgentemente construir o seu grupo estratégico e, através dele, entender os efeitos da resseção mundial que já se instalou e como pensam os grandes monopólios financeiros espalhados pelo mundo e que não tem pátria, analisar seus impactos e construir um plano de ação amplo e robusto. Não o fazendo o Brasil irá sofrer um processo de desnacionalização de grande parte de suas empresas, com o risco da perda de sua soberania, se tornando um país servil diante dos interesses internacionais em nossas reservas. 

O governo brasileiro não pode continuar em estado de inação, sob o risco de colocar o nosso país em situação de alto risco diante do que virá pós-pandemia. Não havendo um gesto de grandeza dos líderes dos três poderes, a crise política, econômica e social brasileira continuará a avançar com fortes implicações geopolíticas regionais. 

Que as diferenças políticas, ideológicas e as vaidades sejam postas de lado e o espírito cívico e o bom senso prevaleçam!!! 


Amaury Cardoso 

Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

domingo, 24 de maio de 2020

COMO SERÁ O MUNDO PÓS-CRISE? - Artigo: Maio/2020


O mundo vem enfrentando uma tragédia, mas se não a utilizarmos para ganhar sabedoria, ficaremos reféns de um novo evento tenebroso mais à frente. A humanidade tem pressa em sair do isolamento forçado que o obriga ao distanciamento social, e, os governantes e líderes políticos mundiais pressa em sair da paralização da economia que inevitavelmente irá provocar duradouras recessões por toda parte, com consequências da queda dos PIBs no mundo. Mas, a ciência não avança no mesmo ritmo que o vírus. 

Concordo com os que defendem que essa crise histórica exige da sociedade e seus líderes políticos a clareza sobre o que precisa ser defendido: democracia, liberdades, a vida e o conhecimento científico. 

Somo-me aos que entendem que não podemos arriscar saúde e segurança das pessoas através de decisões tomadas sem uma base sólida de conhecimento, e ter a intenção de justificar possíveis erros pelo fato de estarmos vivendo o pavor diante do que está ocorrendo, com a sensação de que o pior está por vir. Contudo, é difícil fazer previsões como será o mundo do pós-crise. 

É fato que essa crise expõe falhas, evidencia as profundas e dolorosas desigualdades, exige mudanças de comportamento dos governos, bem como sobre o papel do Estado. “É preciso transformar o Estado cartorial e patrimonialista num Estado eficiente e a favor da população”... “Trata-se da oportunidade de revalorizar a política”, afirmou o economista André Lara Resende. 

Infelizmente em nosso país tem prevalecido o oportunismo político, a incompetência administrativa, a ineficiência de gestão, o descaso social e falta de valores morais e éticos que levam a prática da corrupção que, culturalmente, insiste em predominar no meio político, salvo raras exceções. Esses fatores tem sido os causadores das profundas mazelas sociais, em especial nos campos da saúde, educação e saneamento, que se perpetuam por longos anos em nosso país e tem ampliado a marginalização social de grande parcela da população. 


A pandemia que atravessamos tem escancarado à evidência da falência no setor da saúde no mundo e em especial em nosso país. No Brasil são as carências extremadas que atingem uma enorme parcela da população, associadas a serviços básicos deficitários, de baixa qualidade e que se eternizam, os responsáveis diretos pelo aumento da nossa marginalização social. 

Importante registrar que mesmo diante do enorme caos em que se encontra o nosso sistema de saúde, a crise na saúde brasileira não tem sido pior em razão do nosso Sistema Único de saúde – SUS estar funcionando como uma trincheira valiosa de atendimento a população, onde milhões dependem de seu atendimento, e se não possuí a qualidade ideal e desejável é razão da falta de um choque de eficiência administrativa e fiscalização rigorosa visando diminuir os casos de sangria de recursos com inúmeros casos de superfaturamento de seus gastos na compra de insumos hospitalares e convênios mal realizados. 

Contudo, a imoralidade do jogo politiqueiro sórdido praticado por muitos políticos, empresários e gestores públicos, a maioria incompetentes e corruptos, que em momentos de crise que leva a fatores emergenciais, se aproveitam do caos instalado para tirar algum benefício no campo político e eleitoral, proferindo discursos cuja suas práticas desmentem, quando na verdade se aproveitam do momento para a prática de atos de corrupção com recursos públicos, que, em razão de serem constantes, tem causado um grande prejuízo aos cofres públicos e levado indignação à população, que tem sentido os efeitos danosos dessa prática imoral, indecorosa e desumana. 

É deplorável que ocorram atos de corrupção em contratos emergenciais realizados em nome da urgência da prestação de serviços públicos que visam o tratamento e combate a expansão da contaminação causada pelo vírus covid-19. Em nome de uma pandemia que evidência uma grave crise na área da saúde, nos deparamos com casos de empresários, políticos e gestores públicos inescrupulosos e desumanos que se aproveitam da urgência e emergência para aquisição de remédios, material hospitalar e construção de hospitais de campanha, cujos gastos são realizados com dispensa de licitação, se aproveitando dessa oportunidade para obter vantagem financeira com a costumeira prática da corrupção. Essa atitude é intolerável! 

Atitudes abomináveis e desumanas como essas que são praticadas contra a população em razão da ganancia, precisam ser combatidas pelas pessoas de bem e serem levadas aos tribunais, e lá receberem o rigor da lei. 


O serviço público de qualidade, seja ele qual for, é um direito de todo cidadão, afinal é para isso que servem os altos impostos que pagamos. O que a população espera da classe política e de seus governantes são atitudes éticas, conduta transparente de suas ações, competência e eficiência de gestão nos três poderes da república. 

Devemos procurar sermos mais participativos na nossa vida social e política, nos tornando cidadãos conscientes e politizados, sendo nosso dever repudiar atos de corrupção cometidos por quem quer que seja, bem como a pratica política clientelista, assistencialista, fisiológica e, acima de tudo, corrupta. Agindo dessa forma iremos, aos poucos, diminuindo a cultura da corrupção em nossa sociedade. 

Até quando a corrupção, que é uma instituição que data dos primórdios da nossa nação e tem feito parte da nossa cultura, irá permanecer prevalecendo no seio da nossa sociedade? 

Amaury Cardoso 

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sexta-feira, 24 de abril de 2020

O PREÇO DE UMA INSENSATEZ! - ARTIGO: ABRIL/2020



Atos de insensatez devem ser evitados ao máximo, pois seu desdobramento e grau de consequências são imprevisíveis, porém terríveis. A saída do ministro Sergio Moro, em razão do conteúdo de suas justificativas feito em pronunciamento em sua coletiva de imprensa, coloca o governo do presidente Bolsonaro em situação política extremamente delicada, pelo fato de Sergio Moro ter deixado claro sua insatisfação com a forma do presidente tratar da demissão do diretor geral da polícia federal, delegado Maurício Valeixo.

Importante destacar a sua indagação sobre o porquê da saída do Delegado Valeixo, uma vez que o mesmo estava cumprindo com o devido rigor e competência técnica as suas funções afrente da instituição. Portanto, no seu entender, não ficou devidamente esclarecido o real motivo da demissão do diretor geral da Polícia Federal. Sergio Moro afirmou não ser admissível retroagir no combate a corrupção, e que a interferência política na Polícia Federal, comprometendo sua necessária autonomia, não seria por ele, na função de ministro, admitida. É fato que o ministro Sergio Moro vinha tendo uma conduta transparente e extremamente responsável na condução de suas funções no ministério que comandava, e que a sua decisão de sair do governo o deixa mais forte politicamente perante a opinião pública.

Entendo que essa decisão do presidente Bolsonaro precisa ser entendida pela sociedade. Afinal, porque o presidente da república vinha insistindo em interferir na Polícia Federal? Qual a real intensão de quebrar a autonomia da instituição da Polícia Federal através de interferência política? Por ser a polícia federal uma instituição do Estado e não do governo, a mesma não deve ter a sua autonomia de trabalho garantida?

O presidente em campanha para sua eleição assumiu a bandeira do combate intransigente “doa a quem doer” a corrupção, e recebeu em razão disso um grande apoio da sociedade que, indignada, não aceitava a continuidade de um grupo político que havia institucionalizado a corrupção sistêmica na maquina pública e se locupletado com os altos esquemas dessa corrupção. Ao se eleger convidou o então juiz Sergio Moro, principal símbolo do combate à corrupção em nosso país, para compor o seu governo a frente de um “superministério” que reuniu a pasta da justiça e da segurança pública, e dando a ele “carta Branca” para aplicar as políticas publicas que entendesse necessárias. Isso não aconteceu e tem que ficar claro o por que!

Em meio a uma crise de pandemia de coronavírus que o país atravessa cujo estrago a economia ainda é imprevisível, mas que a recessão é um fato, o presidente tem tomado atitudes que tem gerado crises política desnecessária agravada internamente pelo fato dele enfrentar dois superministros de uma só vez, Sergio Moro, que pediu demissão, e Paulo Guedes, que se encontra desconfortável.

Percebo que a saída do ministro Sergio Moro, embora ele não tenha deixado claro em seu pronunciamento, tenha, também, a ver com o fato do presidente Bolsonaro estar se aproximando de figuras políticas, no mínimo polemicas, líderes do “Centrão” em especial os ex-deputados Roberto Jeferson, Valdemar da Costa Neto e Ciro Nogueira, todos envolvidos em esquemas de corrupção.

O presidente deveria deixar de perder tempo com crises políticas que deveriam ser evitadas, e passar a tratar de questões sérias e prementes que estão no campo da prioridade que é o de atenuar os impactos econômicos da pandemia e, principalmente, adotar medidas para conter a disseminação do coronavírus, que no momento é a ameaça real.

Importante também destacar que o presidente se encontra diante de um cerco que se construiu em torno dele, que, em grande parte, ele poderia ter evitado e não o fez, razão pela qual passa a ter uma parcela de culpa de se encontrar em situação de isolamento diante dos demais poderes da república.

O presidente tem errado muito ao deixar de fazer política e ter apostado no confronto direto e demasiado, e pior, em várias frentes, sem ter tido o cuidado de se resguardar, construindo um razoável lastro político. Faltaram estratégia e sabedoria política, pois não dá para brigar com todos ao mesmo tempo.

A história política brasileira está repleta de exemplos do fracasso de quem jogou esse jogo errado no campo político, nessas condições, e perdeu. Acredito que a luta para tentar mudar as regras do atual sistema político do “toma lá da cá”, só tem chances de sucesso se estiver alicerçada em uma boa estratégia e for adotada em doses homeopáticas de combate e, principalmente, em sintonia com o anseio de grande parcela da sociedade, a fim de obter o seu importante apoio. De outra forma fica difícil vencer o “Mecanismo” que existe há tempos. Provocar a saída do ministro símbolo desse combate foi um erro político gravíssimo.

Diante da saída do ex-juiz Sergio Moro, fica imprevisível medir as consequências que advirão. Preocupa-me, também, a proporção das sequelas no campo político e econômico que ficará para o presidente Bolsonaro administrar agora e, em especial, após o fim da pandemia do coronavírus. Fica a pergunta: Será ele capaz de manter e avançar com a necessária governabilidade para terminar, com relativo êxito, o seu governo? 



Amaury Cardoso 
(www.amaurycardoso.blogspot.com.br)

segunda-feira, 30 de março de 2020

A CRISE DO CORONAVÍRUS E SEUS MULTIPLOS IMPACTOS. - ARTIGO: ABRIL/2020




A pandemia do coronavírus (covid-19) alterou a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo, modificando rotinas e modos de vida, em especial nos grandes centros urbanos.

A principal medida que vem sendo adotada para conter o avanço do vírus é o isolamento. Contudo, o isolamento é visto como algo totalmente atípico, até certo ponto radical.

A epidemia do coronavírus está causando um impacto enorme nas cidades brasileiras, e suas medidas para conter o contágio dividem opiniões, acirrando os debates, principalmente no campo político e ideológico. O que não irei aprofundar nesse artigo.


É fato que o isolamento tem um impacto no bem-estar das pessoas, principalmente nas pessoas mais pobres em razão do medo da perda do emprego. A história da humanidade registra grandes catástrofes que revelaram que as pessoas tendem a refletir mais sobre seu papel no coletivo, demonstrando que a cidadania se faz nas cidades.

A crise provocada pelo coronavírus inevitavelmente irá trazer um impacto econômico, político e social de grandes proporções, evidenciando a imprescindível necessidade de uma gestão global de cooperação. O mundo olha com bastante atenção para a China neste momento em que ela indica que venceu a batalha da epidemia, sendo de interesse geral saber como o país lidou com a epidemia e como vem lidando, quais os efeitos econômicos sobre a China e o mundo e o que representa essa pandemia para a cooperação global Brasil-China.

Percebo que a China tratou a sua epidemia do coronavírus em etapas bem estruturadas. A primeira etapa foi à imposição da medida de isolamento, em razão de se tratar de um fenômeno pouco conhecido. A segunda etapa foi a adoção de um procedimento de classificação de risco entre as regiões/províncias aplicando medidas severas ou não dependendo de cada realidade encontrada. A terceira etapa foi a utilização de meios digitais como monitoramento da população nas províncias mais afetadas, visando rastrear fontes de contaminação a fim de isola-las. Esse método ajudou muito a identificar os possíveis atingidos pelo contágio do vírus.

É certo que no início da pandemia não se podia prever o seu grau de alcance e a expressão de seus efeitos na economia mundial. Tem os que afirmam que a China demorou a atuar no sentido de conter a sua epidemia, fato que se tivesse se antecipado teria, talvez, evitado que se espalhasse pelo resto do mundo.

As medidas voltadas a retomada da economia chinesa, com foco maior na população rural e nas Micros e pequenas empresas, se deram nas seguintes frentes:
Criação de linhas de créditos especiais para o setor privado e Micro e pequenas empresas;



Garantia de flexibilização do pagamento de empréstimos que foram concedidos a essas empresas, com extensão do prazo para pagamento e redução das taxas de juros, evitando com isso uma quebra do fluxo de caixa dessas empresas;

Promoção de um ajuste da política trabalhista, buscando aliviar o gasto com encargos, e assim reduzindo os encargos e congelando por um período a contribuição previdenciária.

O que se percebe nesta atual fase na China, é o fato de que os impactos internos na economia chinesa não vieram na proporção que temiam. Outro fato importante a destacar foi a decisão da criação de uma coordenação central da crise, presidida pelo presidente Xi Jinping, o que permitiu unificar as decisões e aplica-las na proporção do nível de contaminação em cada província chinesa, com isso garantindo um melhor e maior controle da epidemia.

No campo da cooperação global ao combate ao coronavírus com vistas amenizar os reflexos que irá provocar uma recessão econômica mundial, visualizo uma dificuldade diante da atual e complexa conjuntura geopolítica mundial que requer muito diálogo no sentido de se obter uma maior cooperação internacional, em virtude do forte nacionalismo existente, em especial nas maiores potencias, que se revela diante da guerra comercial em andamento, onde a Organização Mundial do Comércio – OMC vem encontrando dificuldades em mediar.

Todavia, diante de um mundo globalizado e sem fronteiras, pouco adianta um ou poucos países vencer a suas batalhas internas contra a epidemia se outros também não alcançarem o mesmo êxito a curto e médio prazo. Torna-se crucial e de interesse de todos os países que ocorra uma cooperação material, técnica e científica entre as nações, objetivando debelar a pandemia, e a experiência dos países que vencerem o vírus se torna fundamental para o processo de eliminação.


Episódios históricos de surto de pandemias revelaram a ocorrência de períodos contínuos de décadas de investimentos limitados, fazendo com que a recuperação econômica da maioria dos países ocorresse de forma lenta. Isto irá se repetir, contudo face ao avanço técnico-cientifico pode se esperar que o período de recessão seja bem mais curto na proporção do tamanho do desemprego e das falências empresariais em cada país, bem como nas medidas tomadas pelos governantes que visem amenizar o impacto de suas crises internas, e uma medida crucial é a de que os governos ignorem os preceitos dominantes sobre endividamento público e utilizem o que estiver ao seu alcance para lidar com a crise.


No aspecto particular do Brasil, especialistas em economia em períodos de crise apontam um cenário cada vez mais negativo com um enfrentamento do recuo da economia, em patamar que irá lembrar a crise financeira de 2008 e a greve de caminhoneiros de 2018, levando-se em conta as expectativas econômicas de uma recessão mundial.

Diante de tal cenário, concluo deixando clara a minha visão de que, pelo menos, nos temas globais se torna necessário haver uma maior integração mundial, com troca de experiências e cooperação humanitária nas formas de tratar os problemas globais com o propósito de melhorar a governança global, e essa pandemia evidência essa necessidade de solução mais integrada e eficaz.

Nesse contexto, talvez possa surgir à necessidade de se criar uma condição de discussão construtiva de como a comunidade internacional pode, em conjunto, responder melhor a questões tão graves, a exemplo da pandemia do coronavírus, construindo consensos para o que ficar entendido ser o melhor para a convivência humana mundial.

A pandemia do coronavírus precisa ser encarada com a seriedade e responsabilidade governamental que ela exige. Medidas severas, por si só não são suficientes. Torna-se necessário aprofundar o processo de pesquisa visando sua cura, e para tal estão disponíveis os meios tecnológicos que o mundo dispõe. A pandemia pode ser vencida de forma equilibrada e com brevidade.


Neste momento não cabem disputas em nenhum campo, principalmente no campo político, e sim a consciência de que só através de ações bem coordenadas, eficazes e rápidas, que tenham como principal objetivo proteger a população, ou seja, o cidadão, é o mais adequado e importante.



Amaury Cardoso



segunda-feira, 23 de março de 2020

A CRITICA PARA QUEM PERDEU A CREDIBILIDADE NÃO TEM ÉCO! - ARTIGO: MARÇO/2020



Em democracias sólidas, a alternância de poder é resultado da vontade da maioria. 

Na maioria das vezes as mudanças que ocorrem no processo político vêm em decorrência de erros graves com capacidade de gerarem indignação em grande parcela das pessoas, e, como toda mudança abrupta, suas consequências são inicialmente imprevisíveis. 

Toda mudança, e aqui me refiro ao campo político ideológico, gera por parte do campo ideológico derrotado críticas ao grupo político vencedor, que se não são convincentes a maioria da sociedade caem no descaso e deixam de ser consideradas, principalmente, pelo fato das pessoas serem levadas a pensar que quem critica alguém no campo pessoal em razão de ser contrário aos seus métodos e atitudes evidencia a mascara social dos que possuem o ego ferido. 


A critica pode vir de diversas frentes, independente da origem de suas variáveis, e, em meu ponto de vista, quem é objeto de críticas, dificilmente irá considera-las positivas ou “construtivas” a não ser que tenha desenvolvido a humildade ao longo da vida. A pessoa pode criticar por ter noção do que é certo e tentar ajudar a outra pessoa a não errar. Ou pode criticar pelo simples fato de se achar superior e, tendo aversão a pessoa alvo de suas críticas, tem a predominância de interpreta negativamente tudo que vê no outro. 


Sabemos que é extremamente difícil agir sempre corretamente, e que uma hora ou outra a gente acaba tropeçando na própria crítica, como sabemos também que é muito mais fácil apontar o erro do outro do que os nossos e dos nossos amigos e/ou correligionários no campo político. 


Ao fazer a análise acima, e face às críticas viscerais que tenho visto por parte de parcela dos veículos de comunicação ao atual presidente, que são corroboradas com certa demasia pelos seus adversários no campo político, e muitos no campo pessoal, me permito fazer um paralelo do cerco sofrido, por longos anos, pelo saudoso ex-governador Leonel Brizola, cabendo destacar que pertencia a um campo ideológico completamente antagônico ao do presidente Bolsonaro, mas, curiosamente, pelos mesmos motivos: o inconformismo dos políticos adversários com a derrota sofrida e o preconceito da imprensa aos métodos e as causas defendidas e, também, por ter seus interesses ameaçados pelo governante de plantão. 
  

Continuando na minha análise, devo deixar claro que não sou “Bolsonarista” e que também não concordo com alguns de seus métodos que tem protagonizado episódios de confrontos desnecessários. Feito isso, reflitam comigo sobre as razões da vitória de Jair Messias Bolsonaro e a quem culpar: 

1- Perante a maioria da população brasileira, qual o sentimento deixado pela “esquerda lulopetista” que durante 14 anos (2003 a 2016) governou o nosso país? 

2- Não teriam sido os graves erros cometidos por essa “esquerda lulopetista” e seus “aliados” de conveniência sobre o argumento da garantia da “governabilidade” que levaram a direita ao poder? 

3- Não teria sido a pratica da corrupção sistêmica, da ineficiência de gestão, da exaustão de uma prática política de conchavos em defesa de interesses pessoais e de grupos, do excesso de patrimonialismo, fisiologismo, clientelismo e assistencialismo eleitoreiro exacerbados, que esgotaram a paciência de grande parte da população brasileira? 

4- Será que não foi por conta da resistência da grande maioria da classe política em não querer aceitar o clamor da sociedade por mudanças, em especial pelo fim da manutenção do foro privilegiado e da impunidade indecente e secular dos crimes de corrupção praticados pelos ditos “poderosos” em nosso país? 

5- Será que não foram pelas ações corporativistas que pautaram por longo período e continuam a pautar com relativa frequência as decisões adotadas pelos três poderes, quando estão em jogo os seus interesses e esses são confrontados pela sociedade? 

6- Será que não foram em razão da sociedade não ver, por décadas, resultados significativos em áreas fundamentais, por serem garantidoras do seu desenvolvimento humano e social, especialmente nos campos da educação de qualidade e universalizada, da adequada assistência à saúde, da falta da necessária atenção ao saneamento básico, da fragilidade cada vez mais agravante na segurança pública, dentre outras mazelas, a que tem sido submetida a conviver em plena segunda década do século XXI e que ficam sempre em promessas de campanha eleitoral? 

7- Será que não foi pela indiferença de considerável parcela da classe política que tentou de todas as formas deter o processo de combate a corrupção institucionalizada em nosso país, indo na contra mão do clamor da sociedade brasileira que exigia a fim da corrupção na maquina pública nos três poderes? 

8- Será que não foi em razão da atitude daqueles que não querem perder o foro privilegiado, que são contra a prisão em segunda instância, e não se importam em não estarem em sintonia com o clamor da grande maioria da população? 

9- Será que foi pelo fato da sociedade não concordar com a máxima da política de que saber governar é privilégio daquele que governa com o velho sistema do “presidencialismo de coalizão”, não estou querendo dizer para não governar com o Congresso, e sim, sem a pratica repudiada pela sociedade do “Toma lá da cá”, cuja regra é a de lotear o governo entre partidos políticos entregando áreas estratégicas para pessoas despreparadas e de caráter duvidoso, pratica que se revelou desastrosa por facilitar atos de corrupção? 

10- Por fim, será que a sociedade reconhece eficácia nos governos passados, ao se perguntarem: quem cuidou da saúde, equipou os nossos hospitais e valorizou os nossos médicos? Quem promoveu em escala nacional o saneamento básico nas comunidades carentes? Quem cuidou da segurança pública na proporção que o nosso país precisa? Quem cuidou do ensino público garantindo qualidade de ensino em todos os níveis? Quem, efetivamente, contribuiu para a diminuição das desigualdades sociais sem ser através de medidas pontuais e paliativas de aspecto assistencialista? Quem atuou para resolver a grave crise estrutural do sistema prisional em nosso país? Quem colocou o Brasil numa posição humilhante no índice internacional de desigualdade social? Dentre tantas outras perguntas que se fazem. 

Vamos encarar a realidade, deixar de hipocrisia e aprender com os erros cometidos pelos governos passados que foram apoiados muitas das vezes pelos os que hoje criticam e resistem em admitir que a grande maioria das mazelas e atrasos estruturais que o país atravessa ocorre em decorrência de não terem sido tratadas por quem deveria, com a eficácia, seriedade e responsabilidade que lhes cabia. 


Não obstante importantes avanços, erramos muito após o período da redemocratização, e essa falta de autocrítica têm sido responsável pela continuidade dos erros, e, pior, da inoperância política de muitos que se limitam a criticar os erros dos governantes de momento e de passagem pelo qual não tem simpatia no campo pessoal e/ou ideológico, mas fecharam os olhos para os graves erros, em especial no campo ético e moral, dos amigos, aliados políticos e/ou correligionários por serem próximos ou por terem sido ou estarem sendo beneficiados de alguma forma. 


A crítica é fundamental desde que se tenha credibilidade para fazê-la. Aqueles que no passado cometeram erros graves ou se omitiram e foram coniventes através de seu silêncio com os erros praticados pelos os que eram seus aliados ou companheiros, precisam entender que foram corresponsáveis, portanto lhes faltando credibilidade política para criticar. 


A história política brasileira nos revela que conflito entre os três poderes da República não é um fato novo. Em pelo menos três momentos da nossa história política ocorreram crises que culminaram com o fechamento de poderes. Refiro-me aos anos de 1930, 1937 e 1964. 


Atualmente vivenciamos um conflito entre executivo e o Congresso Nacional, colocando como fator emergencial a ocorrência de um “Pacto entre os três poderes”, e, para tal, o presidente Bolsonaro deve buscar evitar uma relação de tensão com os outros poderes, em especial o Congresso. 


O presidente, em virtude de seus erros, e, principalmente, por não exercitar a política do diálogo pela busca do entendimento, que é a essência da política, não dispõe de uma coalisão majoritária de partidos e tem adotado a estratégia de buscar apoio do seu eleitorado, o que a meu ver é um erro estratégico, pois a história política tem registrado que essa tática não tem dado certo, a exemplo, dentre outros, da estratégia de renúncia do ex-presidente Jânio Quadros, que achava que voltaria fortalecido nos braços do povo o que não ocorreu. 


O presidente está isolado em razão da crise de forças dos poderes, e esse isolamento, protagonizado pela inabilidade política do poder executivo, não é bom para o governo, só trará dificuldades em avançar na continuidade das reformas estruturais que o país tanto necessita. É certo que a economia terá um baixíssimo crescimento, ou, provavelmente, um quadro de recessão em razão da turbulência política agravada pela crise da pandemia do Coronavírus. 


“Assim como não se pode mostrar a luz aos cegos, não se pode mostrar conhecimento aos ignorantes, nem decência e honestidade aos indecentes e desonestos.” 



Amaury Cardoso 

Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

domingo, 1 de março de 2020

MINHA RELAÇÃO COM DEUS. - ARTIGO: FEVEREIRO/2020

Em nome do Pai, do filho e do Espirito Santo




“A quem não tem Deus, que tenha, pelo menos, Aristóteles”.


Há muito tempo venho refletindo sobre a importância da religião, em especial na minha vida. Estou no processo de crer e acho importante se ter a visão de que precisamos crer, porque isso nos ajuda suportar o que não aceitamos em razão de não entendermos o seu por que.

É sempre difícil compreender Deus, entretanto percebo que Deus está nos detalhes. Quando sou indagado sobre a minha religiosidade, em particular sobre a minha crença em Deus, tenho afirmado crer na existência de uma força divina, superior, a que os cristãos chamam de Deus, e que me dá o sentimento de estar sob uma proteção que me transmite paz, contudo, não me dispensa de ter o cuidado de não extrapolar e muito menos negligenciar no que me cabe.

Aprendi que as circunstâncias ruins a que sou acometido no processo da minha vida, seja ela qual for, não irão deixar de ocorrer ou se dissipar pelo fato de eu crer em Deus. Não tenho a ilusão de que Deus viverá por mim o que somente a mim cabe viver. No entanto, tenho a fé de sua presença me sustentando espiritualmente.

Não me prendo a crença do destino traçado para a minha vida. Penso que os resultados das escolhas que fazemos e atitudes que tomamos resultam nas consequências que influenciam a nossa vida, e que são lições para o nosso aprendizado, não cabendo a Deus mudar.

Tenho refletido sobre com que frequência somos ricos no que realmente importa, e na maioria das vezes não nos damos conta. Às vezes estamos cercados pelo que realmente importa, mas inventamos uma grande missão, uma grande ideia ou uma grande aventura. Achamos que isso é o que importa e perdemos de vista o que está a nossa volta, que é realmente importante, mas não nos damos conta.



As coisas mais importantes para a nossa vida precisam estar bem definidas. Devemos ser gratos pelas coisas boas, gratos pela saúde, gratos pelas bênçãos, gratos pelos amigos.

Erramos ao achar que Deus deva ser aquilo que queremos que ele seja. Deus não pode servir as minhas imperfeições, senão não seria esse espírito divino e superior em que creio. Confesso que ao levar a minha oração a Deus, falo com ele das minhas necessidades, mas me vem à incerteza: Será que o meu querer corresponde à necessidade que realmente tenho na visão de Deus? Será que elas não são mais profundas?

Com o decorrer do tempo passei a ter consciência de minhas limitações e, em razão dessa consciência, encontrei na fé o conforto para acalmar minhas angustias advindas das coisas para as quais não encontro entendimento. Aprendi que fé é uma entrega que necessita de disposição interior.

Aprendi, também, que a oração não pode ser uma forma de fuga diante dos meus insucessos em razão da minha inércia. Vejo a religião como um dogma, porém não ela não deve ser um instrumento de alienação, e sim uma forma de vivenciar ensinamentos que me ajude a amenizar minhas inquietações, angustia e sofrimentos.

A religião pode ser útil, mas pode ser destrutiva, pois ela tem uma capacidade de reforçar as mentiras em que acreditamos as vezes que nós mesmos inventamos, das quais passamos a ser prisioneiros. Ela também traz grandes confortos. Às vezes a nossa religião nos limita. Deus não veio fundar religiões, nós é que criamos as variadas religiões.

A religião precisa ser encarada como um caminho para transformação da mentalidade. Jesus condenou a religião que aliena! Penso que Jesus não veio para fundar uma religião, Jesus veio para nos dizer, ou melhor, para nos mostrar o que é ser plenamente humano, e totalmente cheio de vida. O evangelho não prega que você pode receber Jesus em sua vida. O evangelho prega que Jesus já recebeu você na vida dele, no relacionamento dele com Deus.

“Jesus Cristo é o salvador de toda humanidade e o Deus que nos ama está constantemente presente em nós.”


Em uma pregação do padre Fábio, o ouvi afirmar que: “Precisamos levar a sério os motivos pelos quais Jesus morreu. Ele morreu, sobretudo, porque ousou contradizer o discurso religioso de seu tempo. O fator religioso contou bem mais que o político”... “Tenho dificuldades em acreditar em um Deus que negocie favores. E pior, favores que são concedidos mediante exigências sádicas. Alguém promete que atravessará uma passarela de joelhos para que Deus lhe conceda um favor. Há um equívoco por trás dessa compreensão.”



Por formação acadêmica acredito que todos os ramos do conhecimento podem nos auxiliar no crescimento espiritual. A ciência nos ajuda a obter melhor compreensão sobre coisas que não entendíamos nos permitindo o aperfeiçoamento humano. Entendo que o crescimento espiritual está associado à evolução humana, e seguem juntos. Há ensinamentos que se encontram, e é através do conhecimento que aprendemos, superamos paradigmas e assimilamos o novo.

Diferente do que muitos pensam não é a religiosidade que transforma a vida, mas a espiritualidade que decorre dela. É essa espiritualidade cada vez maior que faz que alcancemos o objetivo de viver uma vida melhor, sendo um ser humano melhor, e com isso melhor suportar as demandas da nossa existência. Daí vem meu entendimento de que ter uma religião está longe de ser uma garantia de exemplo de caráter, valores morais e éticos. Exemplos nesse sentido é que não faltam!

Percebo que a religião é uma oportunidade de incorporar valores que nos humanizam, que nos tornam mais justo, mais verdadeiro. Não podemos permitir que a religião nos leve a condição de alienação, que nos cega, nos tirando a condição de racionalidade.

Para mim foi muito precisa uma citação do padre Fábio ao afirmar que a religião no mundo historicamente se institucionalizou através de normas, autoridades pagas, coletoras de taxas, possuidora de prédios e bens, influência política e entidade jurídica. Entendo que a associação entre religião e Estado é, sempre, em qualquer época, um desastre brutal.

É lamentável que o discurso religioso que mais cresce seja o que negocia com Deus a solução de todos os problemas que enfrentamos mediante o pagamento de dízimo. “Não é honesto apregoar que Deus fará por nós o que nos cabe fazer”. Aliás, como se deu no passado com a compra de indulto e perdão dos pecados. Jesus condenou essa prática religiosa.

É mesquinha a utilização pelo líder religioso, que em sua pregação apresente um Deus mercador, negociando os seus favores. É um desserviço à fé negociar milagres e favores.

Tenho me pautado na afirmação do padre Fábio, que entendi que a nossa fé em Deus é um instrumento para nos colocar na direção do eixo existencial, pois dessa forma tomamos conhecimento das nossas possibilidades e limites, nos dando condições de alcançarmos a liberdade interior.

Precisamos refletir sobre nossa definição do que é sucesso e fracasso, pensar sobre isso e descobrir o que esta faltando para sermos uma pessoa completa. Para mim o sucesso e o fracasso trazem a tona o que temos em nós, mas eles são diferentes, são dois tipos diferentes que revelam um aprendizado, e em parte, Deus é o arquiteto desse aprendizado.



Por fim, entendo que a ciência e religião são complementares e atuam em seus espaços. Aristóteles, um dos filósofos que tem pautado alguns dos meus argumentos, defendia a ideia de que o ser humano pode captar o conhecimento no próprio mundo em que vive, e que Deus não é o criador do universo, mas, sim, seu motor.

A vida é uma jornada, não um destino. O que precisamos é aprender a viver a dar sentido a nossa existência. A cura que precisamos esta na dor, no reconhecimento dos nossos erros que alimentam nossas imperfeições. E nem todos estão preparados para colher ensinamento com a dor e sofrimento.


Amaury Cardoso

Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

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