segunda-feira, 20 de maio de 2019

A IMPORTÂNCIA DE UMA GESTÃO EFICAZ E MODERNA DIANTE DO COLAPSO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS. Artigo: Abril/2019



Até quando vamos permanecer com a injusta situação tributária em nosso país que favorece demais a União e prejudica em demasia os municípios?

A legislação brasileira, através da Constituição de 1988, estabelece que cabe aos municípios a renda de alguns impostos, taxas e contribuições como fontes de arrecadação própria. A estas fontes somam-se o direito que os municípios têm a parte da receita dos tributos estaduais e federais e a formas de compensação financeira pela exploração de riquezas de seu território, os chamados royalties. Contudo, o que se constata ao longo dos anos é que a grande maioria dos municípios brasileiros se depara com a grave situação de déficit fiscal em face da soma dessas receitas não serem suficientes. 

O que se tem observado é a grave situação de falência financeira dos municípios brasileiros, salvo raras exceções, de responderem as suas atribuições junto à sociedade, o que os tornam eternos dependentes dos repasses estaduais e federais, que muitas das vezes atrasam por meses devido à situação de déficit fiscal que atinge os Estados e a União, o que vem comprometendo a governabilidade nas três esferas da federação, bem como sua dependência da liberação de recursos das emendas ao orçamento da União, apresentadas por deputados federais.

O poder público de um modo geral e os municípios em especial se depara com sérias dificuldades em atender a crescente demanda da sociedade local por melhores serviços em razão da escassez de recursos financeiros, um dos graves e frequentes problemas enfrentados pelos gestores públicos. As necessidades são muitas, e grandes, enquanto os recursos a serem obtidos são escassos e demorados. Nessas circunstâncias a busca de soluções criativas como alternativas é um caminho para se obter bons resultados com pouco dinheiro, e a adoção de medidas preventivas devem ser tomadas com o objetivo de evitar que muitos dos problemas enfrentados no dia a dia das cidades deixem de surgir ou, pelo menos, crescer.

Por entender que é no plano local que o poder público mais se aproxima das necessidades do cidadão, sobretudo quando há forte participação popular, é que sou um defensor do fortalecimento dos municípios por entender que não se constrói cidadania se o Município não conseguir cumprir com suas atribuições legais. Em razão de ser um gestor público, possuo o entendimento de que o municipalismo é parte integrante de minha visão de Brasil. Minhas experiências em anos de atuação no serviço público me levaram a convicção de que um país como o Brasil só é forte quando tem municípios fortes em sua base, por entender que é no plano local que o poder público mais se aproxima das necessidades do cidadão, sobretudo quando há forte participação popular.

Com a chegada do século XXI tornou-se cada vez mais difícil de definir e identificar determinados aspectos da cidade e seus problemas fundamentais, diante de sua evolução no tempo, dos fatores que afetam as estruturas sociais e as diferenças culturais. O novo conceito de cidade moderna exigirá do poder público municipal estabelecer a maior diversidade de oportunidades, de escolhas econômicas e de emprego para todos que nela habitam e trabalham, devendo assegurar melhor acesso a educação, à saúde e ao maior número de equipamentos. Enfim, novas formas de estruturas sociais e econômicas a fim de corrigir as grandes disparidades sociais, causadas pela exclusão, pobreza, desemprego e criminalidade. Os serviços urbanos e a habitação deverão estar adaptados à evolução muito rápida das necessidades básicas que devem ser asseguradas em condições acessíveis, principalmente financeiras, em condições que os cidadãos possam suportar.

Nesse contexto, as cidades precisarão cada vez mais fazer escolhas estratégicas, uma vez que as economias locais e regionais se tornarão cada vez mais interligadas às economias de outras regiões, em face a tendência do crescimento de sistemas de inter-relações econômicas entre cidades, criando redes urbanas de desenvolvimento, sem perda da sua diversidade.
Muitos dos importantes problemas financeiros e sociais com os quais as cidades se debatem atualmente conduzem a deficiências na prática da democracia local em razão dos cidadãos se sentirem abandonados pelos seus representantes democraticamente eleitos e perdem a confiança no poder estabelecido.

Por fim, devo destacar que o grande responsável pelo colapso dos serviços públicos é, na maioria das vezes, o despreparo e alto grau de ineficiência e irresponsabilidade fiscal do poder executivo, ou seja, do gestor público cuja má gestão por vezes se agrava com práticas ilícitas de corrupção.

Diante das constantes decepções, frustrações e revoltas a que são acometidos os cidadãos, as exigências da população ante os agentes políticos cresceram muito o que fez surgir no eleitor o interesse pelo candidato que se apresentar como um gestor moderno, com compromisso com uma gestão transparente, que apresente propostas para temas essenciais bem fundamentadas, que demonstre estar devidamente preparado para administrar com competência e eficiência e tenha propostas criativas de soluções para as principais e emergenciais demandas da sociedade e que acima de tudo se apresente como um gestor que seja capaz de fazer mais e melhor.
                                                                               

                                                                                            Amaury Cardoso

                                                             Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Século XXI: o século do empreendedorismo e oportunidades para as novas gerações - Artigo: Março/2019.

"O empreendedorismo é uma revolução silenciosa, 
que será para o século XXI mais do que a revolução industrial foi 
para o século XX" (Jeffry Timmons, 1990)



O processo histórico civilizatório sempre foi marcado por grandes revoluções que provocaram mudanças bruscas na sociedade, em especial no aspecto dos costumes e culturas. As transformações provocadas durante o tempo quebraram paradigmas e causaram significativas mudanças de comportamento na sociedade. A luta travada entre ciência e religião é milenar, e seus conflitos foram e são sentidos pela sociedade. Entender e aceitar sem resistência essas mudanças sempre foi um dilema societário.

A humanidade viveu três revoluções industriais desde o século XIX. A primeira introduziu a máquina a vapor, passou pela segunda caracterizada pelo uso da eletricidade e da produção em massa, em seguida a terceira, que teve como referência a tecnologia e a automação, chegando à atual, a quarta, da era digital.

Essas transformações sucessivas na civilidade humana permitiram o atual grau de civilização e o desenvolvimento de nossa época, no entanto, esse processo não seria obra de planejamento de uma única pessoa ou grupo de pessoas. Foi a somatória dessas transformações que permitiu a constituição da atual civilização. A primeira revolução industrial, ocorrida no século XIX, talvez por ter promovido a passagem de um longo período agrícola feudal para um ciclo industrial, onde a partir dela passou a influenciar fortemente a cadeia de ciclos sociais futuro, razão pela qual foi considerado o maior impacto civilizatório em vários aspectos da forma de vida em sociedade, em especial o sócio econômico, onde o cotidiano da população foi mudado completamente.

O século XXI se apresenta como uma nova onda de mudanças radicais na produção industrial, resultado da convergência da robótica, da nanotecnologia, da biotecnologia, das tecnologias de informação e da inteligência artificial. Esta nova revolução industrial, a quarta, também conhecida como Indústria 4.0, está provocando mudanças muito rápidas na indústria e no modo como os negócios ocorrem no mercado de trabalho, na relação com os clientes e na demanda de seus produtos.

A revolução que estamos vivenciando é mais rápida que as anteriores e provoca sensíveis mudanças na forma como produzimos, distribuímos e consumimos. A quarta revolução industrial em curso se caracteriza pela aceleração de todos os processos inovadores. De acordo com Klaus Schwab, em seu livro “A quarta revolução industrial”: “Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”. A atual e futuras gerações precisam urgentemente entender essa forte revolução que o atinge, pois ela transforma sistemas econômicos, políticos, sociais e ambientais, exigindo se preparar constantemente para enfrentá-la e saber conviver com ela.

É fato que as tecnologias emergentes criam novas formas de mobilidade, de comercialização, de geração de valor e distribuição de oportunidades. O desafio mais importante que temos hoje é garantir que essas oportunidades sejam distribuídas de modo equitativo. A história nos ensina que todas as revoluções têm ganhadores e perdedores.

Há, portanto, urgente necessidade de garantir que mais pessoas, tanto quanto seja possível, participem desse futuro de tecnologias cada vez mais sofisticadas. Ao governo cabe aumentar seus investimentos em educação, fortalecendo o ensino como um todo e, em especial, de ciências e matemática com base em novos valores. A produção industrial dependerá, cada vez mais, da educação em áreas que possibilitem a formação de talentos capacitados a criarem e gerirem processos de alto desempenho com base em valores como respeito ao meio ambiente e à diversidade humana.

Sinto a necessidade e poderia aprofundar um pouco mais sobre os impactos da Revolução Industrial 4.0 para sociedade contemporânea, contudo corro o risco de ficar muito longo, pois pretendo, também, fazer um paralelo sobre a fundamental importância para a atual e próximas gerações de vir a ter uma forte atuação no aspecto do Empreendedorismo, ou seja, no mercado globalizado Empreendedor.



”Com cerca de 27 milhões de pessoas envolvidas num negócio próprio ou na criação de um, o Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de empreendedorismo. O país fica atrás da gigante China, com 369 milhões de empresários e Estados Unidos, com 39 milhões de empreendedores.” A conclusão é de uma recente pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor feita entre 54 países, considerado o principal mapa do empreendedorismo do planeta.

Segundo opinião de vários especialistas sobre o tema, dos quais concordo, Não há cenário mais apropriado para se tratar de empreendedorismo que o cenário globalizado. Afinal o empreendedor busca oportunidades, e a Globalização por sua vez, às oferece. Globalização é a integração econômica, social, cultural e política, entre os países, é o encurtamento das distâncias. Ela afeta todas as áreas da sociedade, ao mesmo tempo em que isso nos permite maior acessibilidade às novas tecnologias, medicamentos, estudos, comércio, etc.

Nesse cenário tão controverso, multicultural, e extremamente competitivo o empreendedor, profissional que além de recursos e conhecimento, deve ser dotado de talento para empreender, é capaz de identificar os pontos negativos da Globalização, e criar barreiras para eles. E ainda aproveitar-se das tantas oportunidades oferecidas, e transformá-las em negócio lucrativo. Com todo seu conhecimento e experiência, esse profissional é essencial para o desenvolvimento econômico e social do seu Município, Estado e até seu País, atuando não só nas empresas privadas, mas também em empresas públicas, na própria Administração Pública ou de forma autônoma, o que chamamos de empresário independente. Nesse contexto, é possível observar a importância do empreendedorismo no sucesso profissional e das organizações.

Definir um perfil empreendedor não é fácil, mas para aproximar do ideal não podemos deixar de reunir os aspectos: liderança, riscos, independência, criatividade, energia, tenacidade e originalidade. Segundo Cavalcanti (2001) no Brasil, somente há pouco tempo as escolas e o ensino superior apresentaram a preocupação com a formação de novos empreendedores. Entidades voltadas às Micro, Pequenas e Médias empresas têm apresentado uma preocupação maior, como Sebrae, Senac, Senai e Simpi.

Os empreendedores genuínos possuem o sentimento aguçado de realizar coisas novas, são aqueles que dão importância às pequenas coisas, pois acreditam que elas se tornarão, no futuro, grandes conquistas. Inovação e crescimento são considerados duas palavras-chave para se definir um empreendedor.

Para um grande empreendedor o dinheiro não é o mais importante, e sim mais uma ferramenta. Talvez a melhor definição para qualificar o que torna um empreendedor diferente é o modo como “ele se posiciona e o seu foco na sua área de negócios”. Um empreendedor busca transformar um sonho, uma visão de oportunidade, num negócio que gere valor e riqueza para a sociedade. Segundo Cavalcanti, ele deve estar sempre pensando no futuro!

Na visão do sociólogo Carl Rhode, os empreendedores precisam escolher entre dois caminhos: trabalhar para atender as necessidades de um mundo digital, ou focar em todas as coisas que os computadores não podem fazer que envolvam experiência, empatia, hospitalidade. “Uma opção interessante para os empreendedores é focar em todas as coisas que os computadores não podem fazer. Smartphones podem fazer um monte de coisas, mas não pode oferecer empatia, criatividade, afetividade. Então há espaços para quem souber investir em hospitalidade, autenticidade, trabalhos feitos à mão, turismo de experiência, comidas típicas. Há espaço para quem souber contar boas histórias, que sobreviveram ao teste do tempo.”

Finalizando, cabe destacar que a concepção do jovem do mundo contemporâneo esta mudando e muito. Os jovens do século XXI, a chamada geração Y, possui um perfil de empreendedores, questionador e, até certo ponto, revolucionário por querer mudar o mundo. Parecem querer contrariar tudo que seus pais ou outras pessoas de mais experiência tentam lhes fazerem acreditar ser o correto.

O que se verifica é que um elevado percentual de jovens, o que atribuo à baixa oportunidade de ocupar um emprego convencional de carteira assinada, tem trilhado a experiência no ramo do empreendedorismo em razão de oferecer muitas vertentes, contudo a vertente mais procurada é o Marketing Multinível ou Marketing de Rede em razão da oportunidade de criar seus próprios ativos e adquirir Riqueza, sendo algo sem grande risco e sem grande investimento onde o jovem entra no empreendedorismo com relativa facilidade, realizando o sonho de, através de treinamento apropriado, ser autônomo não tendo chefes pegando no pé, submetendo os resultados, tão somente, as conseqüências direta de seu esforço.


sexta-feira, 12 de abril de 2019

Uma Análise Estratégica do Livro O Príncipe de Maquiavel. Artigo: Fevereiro/2019




“O Príncipe” tornou-se um livro referência aos estudiosos da Ciência Política, trata-se de uma coletânea dos pensamentos de Maquiavel os quais ele considera importante para o Príncipe Lorenze Di Pierro. O livro aborda vários temas, sempre buscando lições da história para confirmar seu ponto de vista. Esta coletânea de Maquiavel oportuniza um grande aprendizado não só no campo político, mas nos permite estudar a história para saber o que é possível. Neste curto texto irei destacar alguns pontos que reputo ser de grande ensinamento, muito embora toda a obra seja de grande relevância para o difícil campo do exercício da política.
Destaco que o ponto interessante na leitura dessa obra é o fato de que embora o livro “O Príncipe” seja largamente lido, em especial aos que se dedicam a área de humanas, poucas pessoas realmente interpreta o que está lendo, pois alguns insights são difíceis de retirar. Isso faz do livro ao mesmo tempo conhecido e obscuro em razão de poucas pessoas extraírem o verdadeiro conhecimento dele.
Na sua dedicatória, quando Maquiavel se reporta “Ao Magnificente Lorenze Di Pierro de Medici” destaco o trecho: “Aqueles que lutam para obter as boas graças de um príncipe estão acostumados a vir até ele com coisas que consideram mais preciosas, ou nas quais eles o vêem com mais prazer; por isso, freqüentemente se vê cavalos, exércitos, roupas de ouro, pedras preciosas e ornamentos similares presenteados aos príncipes, validos de suas grandezas.
Desejando, portanto, me apresentar para sua Magnificência com algum testimônio de minha devoção, eu encontrei em minhas posses nada que goste mais, ou valorize tanto quanto, o CONHECIMENTO das ações dos grandes homens, obtido por longa experiência....”. Trata-se de um trecho no mínimo interessante, pelo fato dele destacar que a posse mais valiosa que ele tem é o conhecimento.
Como Maquiavel afirmava e a história ensina, não devemos fazer coisas pela metade. “ O homem é sábio deve sempre seguir as estradas pavimentadas pelos Grandes e imitar aqueles que tiveram maior sucesso, de modo que se ele não alcançar a perfeição, ele pode pelo menos adquirir um pouco de seu sabor”.
Lição: Não faça as coisas pela metade. “O homem sábio deve sempre seguir as estradas pavimentadas pelos Grandes e imitar aqueles que tiveram maior sucesso, de modo que se ele não alcançar a perfeição, ele pode pelo menos adquirir um pouco de seu sabor.”
Uma lição devemos tirar desse ensinamento. Isso não quer dizer que não devemos buscar inovar e sempre repetir o velho. Por mais importante que seja seguir o caminho da Grandeza, não podemos nos pegar tentando copiar atitudes; os cenários são diferentes, nos cabe absorver os princípios e aplicá-los a sua realidade. É nosso papel, também, abrir novo caminho como legado para aqueles que estão por vir. No futuro, nossos ombros também servirão de apoio para escalada de outros.
Outra afirmação de grande ensinamento podemos encontrar neste trecho: “Aquelas crueldades nós podemos dizer são bem empregadas, se é permitido falar bem de coisas malignas, que são feitas de uma vez por todas pela necessidade de auto preservação e não são continuadas a seguir, mas só o suficiente para modificar a vantagem do governado. Crueldades mal impostas, por outro lado, são aquelas que começam pequenas e aumentam, ao invés de diminuir com o tempo. Ferimentos, por tanto, devem ser causados de uma vez, para que seu sabor seja menos duradouro e menos ofensivo, enquanto que benefícios devem ser conferidos pouco a pouco, de modo que eles sejam completamente saboreados.”
De modo resumido, Maquiavel quer dizer: ferimentos devem ser infringidos de uma vez e com intensidade, enquanto bondade deve ser demonstrada pouco a pouco. Isso faz as pessoas terem uma imagem poderosa de você: por um lado, há pulso firme, capaz de atingir com violência; por outro, há bondade e, como ela é prolongada e distribuída ao longo do tempo, permanece por mais tempo na mente do povo.
Esse insight pode ser importante na formação de alianças no mundo de hoje. Nós devemos ser sempre uma pessoa boa, mas se alguém errar com conosco, na primeira oportunidade, devemos ser enérgico e não deixarmos o outro se safar com aquilo. A imagem que vamos projetar é de  alguém sério, bom, confiável, mas com quem não se pode agir de má fé. Exatamente a imagem que Maquiavel sugeriu que o príncipe desenvolvesse.
Uma passagem do Velho Testamento aplicável a situações que enfrentamos ocorreu com a história de David e Golias. “David se ofereceu a Saul para lutar com Golias, o campeão filistino e, para encorajá-lo, Saul arma ele com suas próprias armas; o que David rejeita assim que ele as coloca, dizendo que não podia fazer uso delas, e que ele desejava encontrar o inimigo com seu batoque e espada. Em uma palavra, a armadura de outros ou é muito larga ou muito apertada; ou falha ou pesa em nosso corpo.”
No momento da batalha devemos jogar o nosso jogo; fazermos o que sabemos. Na hora em que tem muita coisa em jogo, devemos usar as nossas regras as quais nos sentimos mais confiante.
Outra lição importante que podemos tirar de Maquiavel é sobre um trecho de sua citação quando diz: “... é muito mais seguro ser temido do que amado, quando dos dois um deles tem que ser escolhido...” “... o príncipe que, confiando inteiramente em suas promessas, negligencia outras precauções, está arruinado; porque amizades que são obtidas por pagamentos, e não pela grande ou nobilidade da mente, pode de fato serem ganhas, mas elas não estão asseguradas e em tempos de necessidade não podem ser confiadas; e homens tem menos escrúpulos em ofender um a quem amam do que é temido, por amor é preservado pelo link de obrigação, mas medo preserva você pelo temor de punição que nunca falha.”
Segundo uma passagem de Sebastian Marshall: “se você não pode ser os dois (amado e temido), o modo mais alto seria ser amado, estimado e respeitado durante o dia a dia, com algo povoando o canto da mente das pessoas que se eles agirem de má fé com você, você vai ser fonte de inferno e miséria para eles. Isso mantém as traições e destruições arbitrárias em cheque.
Eu acho que o amor é mais forte do que o medo. Um comandante amado Poe seus soldados vai derrotar o comandante temido pelos seus soldados em quase todas as batalhas..., mas o comandante temido é menos sujeito a chances arbitrárias. Então, os dois têm valor. Esse trecho do livro destaca como os seres humanos têm muito em comum.
“É necessário, de fato, colocar uma bola cor nessa natureza e para ser hábil em simular e dissimular. Mas homens são tão simples, e governados tão absolutamente por  suas necessidades atuais, que aquele que deseja enganar nunca falha em encontrar patetas inclinados.”
Talvez isso explique como sempre tem gente caindo em golpes manjados de estelionato, muito embora eles tenham sempre fatores em comum.
“Não é essencial, então, que um príncipe deva ter todas as boas qualidades que eu enumerei acima, mas é muito essencial que ele pareça ter todas elas; eu mesmo me aventuro a afirmar que se ele tenha invariavelmente praticado todas elas, eles causam danos, enquanto que a aparência de tê-las é útil (misericórdia, boa fé, integridade, humanidade e religião).”
Para o príncipe, é mais importante aparentar ser algo do que realmente ser algo, pelo menos em termos de status social. Talvez isso explique o peso evolutivo da sinalização, quando você indica para outros que tem um comportamento, para ganhar as vantagens sociais de possuí-lo, mas não o tem na verdade. Só deixando claro que isso é ruim. Muitas vezes nos enganamos com comportamentos ineficientes sem realmente alcançarmos o que queremos.
Lição: Algumas pessoas vão te odiar, invariavelmente. Tente não levantar o ódio de pessoas com potencial de ameaçar seu poder.
Lição: Em momentos de incerteza, as pessoas acreditam no que é mais conveniente para elas, não necessariamente na verdade. Aparências são coisas poderosas.
“...ao príncipe é muito mais fácil conquistar a amizade daqueles homens que estavam satisfeitos com o regime passado, sendo, pois, seus inimigos, do que a daqueles que, por estarem descontentes, tornaram-se seus amigos e aliados, auxiliando-o na conquista do Estado.”
Neste trecho Maquiavel revela que ser mais fácil se aliar com o antigo status quo para se manter no poder do que com a facção revolucionária.
No capítulo XXI do “Príncipe” Maquiavel transmite uma lição de extrema importância quando diserta sobre “O QUE CONVÉM A UM PRÍNCIPE PARA SER ESTIMADO”. Em resumo destaco o trecho: “... quando surge a oportunidade de alguém ter realizado alguma coisa extraordinária de bem ou de mal na vida civil, obtendo meio de premiá-lo ou puni-lo por forma que seja bastante comentada, acima de tudo, um príncipe deve empenhar-se em dar de si, com cada ação, conceito de grande homem e de inteligência extraordinária.
Um príncipe é estimado, ainda, quando verdadeiro amigo e vero inimigo, isto é, quando sem qualquer consideração se revela em favor de um, contra outro. Esta atitude é sempre mais útil do que ficar neutro, ...” “...o príncipe deve ter a cautela de jamais fazer aliança com um mais poderoso que ele para atacar os outros, senão quando a necessidade o compelir, torna-se seu prisioneiro...”
Fazer uma análise estratégica do livro “O Príncipe” não é tarefa fácil, uma vez que a cada releitura de seus capítulos novas interpretações tiramos, tamanha a riqueza de seus conceitos e lições. Resolvi construir essa análise bastante resumida, motivado pelas observações feitas pela minha amiga Grace Anne, a quem agradeço por me provocar uma releitura dessa magnífica obra de Nicolau Maquiavel.

                                                                     Amaury Cardoso
                                               www.amaurycardoso.blogspot,com.br

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

TRAGÉDIAS NÃO PODEM FICAR SEM RESPOSTA! - ARTIGO: JANEIRO/2019



A tragédia em decorrência do rompimento de uma barragem da empresa Vale, ocorrida no município de Brumadinho/MG, é totalmente inaceitável. Até quando vamos conviver com crimes socioambientais de grande proporção, em razão de envolver rejeitos tóxicos que são de difícil reparação,  que tem como justificativa a ganância irresponsável de empresários, que por lucros fáceis e com a complacência de um seguimento político que são por essas empresas sem escrúpulos financiados, negligenciam suas responsabilidades sem se importar com as conseqüências que possam trazer?

A reincidência de mais um acidente de proporções catastróficas expõe o descaso, a incompetência técnica e de gestão do setor privado e público, agravada pela fragilidade na fiscalização ambiental em nosso país, cujas tentativas de fortalecer a legislação ambiental atual, conferindo mais rigor no combate e penalização por crimes ambientais são barrados no Congresso por um considerável numero de parlamentares que tem suas eleições financiadas por empresas mineradoras.

Por outro lado, não se pode eximir de culpa o poder judiciário, que em de razão de sua morosidade em julgar e sentenciar crimes, em especial os que envolvem setores que se encontram no topo da pirâmide socioeconômica, contribuem para a sensação de impunidade dos poderosos em nosso país.

É uma vergonha termos que assistir a repetição de mais um desastre ambiental causado por rompimento de barreira, com o agravante de ter sido em razão das mesmas circunstâncias do desastre ocorrido há três anos (2015) em Mariana/MG, cabendo destacar o fato de não ter ocorrido a criminalização dos responsáveis, bem como a devida indenização a população, as famílias que tiveram perdas de entes queridos e bens materiais e o meio ambiente local que sofreu perdas irreparáveis com o aniquilamento da sua fauna e flora.

Esse inaceitável desastre ambiental com mais de uma centena de mortos e desaparecidos, a grande maioria funcionários da própria empresa, evidencia a ineficácia do aparato burocrático de preservação ambiental no setor da mineração que precisa emergencialmente ser reformado.  O que não se pode continuar permitindo é que empresas, através de executivos inescrupulosos, continuem negligenciando na construção, manutenção e monitoramento de empreendimentos de alto risco, e muito menos continuar a leniência do poder público (Estado) na concessão de licenciamento e ineficácia na fiscalização.

Mais uma vez a sociedade espera e exige que o governo e a justiça responsabilizem severamente os responsáveis por essa tragédia, e que estes tenham o tratamento de criminosos. Só assim se inibira negligencias futuras e a permanência de executivos inescrupulosos na direção de empresas que operam grandes investimentos.

Tragédias não podem ficar sem resposta. Quanto às perdas, essas são irreparáveis!


Amaury Cardoso
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O HOMEM, SEU TEMPO E SUAS INQUIETAÇÕES - Artigo: Dez/2018



Recentemente li um artigo de Cacá Diegues publicado no jornal O GLOBO, o qual destaco um pequeno trecho: “ Sabemos, por experiência tanto teológica, quanto científica, que Deus criou o universo dinâmico, em constante evolução. Sua preocupação não é apenas com o que é, mas sobretudo com o que virá a ser. A principal linguagem descoberta pelos humanos é a da esperança.”

 Achei muito interessante, o que me instigou uma profunda reflexão,  que inicio com uma das afirmações de Pasteur: ...” Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muita, nos aproxima”.

Somos acometidos de muitas perguntas sendo algumas tão intrigantes que chegam a nos inquietar: Quem somos? Como é o mundo? Como são as coisas? Que lugar ocupamos no mundo? Afinal para onde vamos?

Essas indagações expressam nosso desejo de descoberta, de conhecer cada vez mais sobre algo que seja do nosso interesse e aguçam nossas reflexões, uma vez que observamos o mundo e os acontecimentos que nos cercam a partir de perspectivas diferentes.

Baseado no sentido de moral e ética que nos remete a um conjunto de questões comportamentais ligados ao dever, a como devemos agir em relação aos conceitos e valores pré-estabelecidos, Platão e Aristóteles concordavam que a finalidade de todos os indivíduos é a felicidade, contudo ela é vista por cada ser humano de forma diferenciada. Já o filósofo Kant observava que o nosso comportamento deve servir de  máxima universal, ou seja,  deve servir de exemplo para todos os homens.

Há os que encontram a felicidade no prazer das coisas mais simples, outros não concebem felicidade sem liberdade, tem os que condicionam a felicidade a bens materiais. Enfim, os elementos que levam a felicidade são dispares.

Dentro do plano das relações humanas, somos seres profundamente sociais. Estudos confirmam que tanto a vida familiar e conjugal, bem como o convívio com amigos e a relação com a comunidade são fundamentais para a constituição de nossa identidade pessoal e do sentido de nossas vidas. Esses ingredientes definem em grande medida a forma com que nos posicionamos em relação ao mundo e nossas possibilidades de sermos felizes. Uma coisa tenho certeza, a vida seria muito diferente se não houvesse tanta necessidade de afirmação pessoal e competição.

Percebo que a busca desenfreada de felicidade na sociedade contemporânea sinaliza no sentido de que grande parte das pessoas tomou um rumo equivocado. A vida feliz é uma construção nossa de cada dia, que sofre mudanças na medida da nossa compreensão de vida e elevação interior (espiritual).
Ambas  proporcionam o nosso alto conhecimento.

Muitas vezes nos deparamos com temas para os quais não encontramos respostas imediatas, e ficamos com dúvidas, com uma necessidade inquietante de explicação racional para algo da existência humana que nos parece incompreensível, ou cuja compreensão existe, mas não satisfaz, tais como: Porque tanta maldade? O que é o ser humano; e sentimos a necessidade de construir uma explicação lógica, bem fundamentada, clara e confiável, uma vez que investigar o mundo em que vivemos é uma experiência básica e necessária para nossa adaptação à realidade, à vida, à existência, o que é esse mundo que nos envolve e nos absorve.

Partindo do conceito elaborado pelo filósofo Aristóteles, “Não acreditamos conhecer nada antes de ter apreendido cada vez o seu porque”, devemos entender que esse algo mais é o efeito, justamente aquilo que queremos compreender, o que nos remete a uma causa, pois concordamos que para tudo que nos acontece existe um porque, uma razão, que nos faça entender os acontecimentos, como as coisas são de verdade, livres das aparências, ou seja, na essência.

As diversas religiões existentes apresentam explicações para o mundo, sobre como são as coisas. No entanto, as explicações religiosas são conflitantes e insuficientes, não estão fundadas em conhecimentos científicos obtidos por meio da razão, e sim se baseiam nas chamadas verdades reveladas, ou seja, em concepções consideradas verdadeiras pelo fato de constarem dos textos sagrados de cada religião, já que estes seriam a transcrição de revelações trazidas pela divindade, como no caso do Cristianismo, para ficar só neste exemplo, cuja crença predominante no mundo ocidental baseia-se nos relatos bíblicos do novo e velho testamento, especialmente aquele contido no livro do Gênesis: “Deus criou o universo e tudo o que nele existe a partir do nada”.

Com o passar dos séculos ocorreram uma série de transformações nas sociedades, no campo político, econômico e social, que foram responsáveis pela construção de novas maneiras de entender as coisas. Filósofos, e cientistas no passar dos tempos construíram novas teorias que não apenas modificaram sistemas antigos de explicação da natureza e do real, como também destruíram um mundo, substituindo-o por outro, que causaram uma reforma na estrutura do pensamento e a maneira de entender a realidade, situação que provavelmente irá perdurar nos séculos futuros, o descobrimento se redescobrindo numa verdadeira revolução espiritual vinculada, em grande parte, à física e à astronomia, cujos sucessivos êxitos em explicar a realidade se apresentam e se transformam em função do tempo, trazendo a evolução, em virtude da revolução do pensamento e novos experimentos.

Sou um homem inquieto, que vive a angústia da busca do conhecimento, que diante de uma gama profusamente variada de concepções sobre a origem, estrutura e organização das realidades já formuladas por profetas, sábios, filósofos e cientistas de todas as partes, que construíram distintas visões de mundo, se depara em desesperadora conclusão de que nesta curta existência, que sequer sei o meu tempo, não decifrarei as minhas várias dúvidas sobre inúmeras respostas que se acumulam na minha mente.

Sobre as coisas da vida e do meu mundo, parafraseando Sócrates, o pouco que sei me revela que na verdade menos ainda sei diante da grandiosidade de incertezas sobre determinadas coisas.

Concluo agradecendo a essa energia suprema que rege o imenso universo, que chamamos de Deus, pela oportunidade de estar neste plano astral chamado por nós de planeta terra, em busca do conhecimento, alimento da minha alma, tão fundamental a minha evolução.

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa tudo sempre passará. A vida tem milhões de ondas como o mar, num indo e vindo do infinito”.


Amaury Cardoso
Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A RESPOSTA DAS URNAS - ARTIGO: NOVEMBRO/2018


Concluímos mais um processo eleitoral, e estas eleições de 2018 se caracterizaram como uma das eleições mais imprevisíveis que já participei. Foi uma eleição marcada pelo repúdio a política, com forte rejeição a velha aristocracia política, onde a sociedade brasileira deixou claro o seu desapontamento com a degradação da estrutura política em nosso país.

O sistema político foi sendo destruído ao longo dos anos pós redemocratização e chega nesta eleição com evidencias claras de estar destroçado, razão pela qual se compreende o fato de afastar inúmeras lideranças da atividade política partidária e, por conseguinte, da busca de um mandato.

Chegamos a esse ponto em razão da falta de interesse de grupos dominantes da política brasileira em permitir o surgimento de novas lideranças que possibilitem uma renovação na representação política. Agindo desta forma tenta impedir a aproximação de novas expressões políticas junto ao conjunto da sociedade, o que se comprova na relutância em realizar uma profunda reforma na estrutura do sistema político e eleitoral.

Diante disso, o Brasil esta vivendo um momento dos mais preocupantes da sua história. As eleições de 2018 se tornaram um enfrentamento sem precedentes, culminando com uma disputa dos extremos ideológicos, sendo vencedor a corrente que incorporou a onda conservadora e anti-petista.

Esta eleição apresentou vários resultados que para muitos eram inesperados. Um desses resultados foi o fato de que o eleitorado nacional governado pelos três maiores partidos (MDB, PT e PSDB), em comparação as eleições passadas, em especial a de 2014, perderam considerável parcela de eleitores. O MDB foi o partido que mais encolheu no comparativo com 2014. Perdeu cerca de 19 milhões, ou seja, 66% do patamar que alcançou nas eleições estaduais de 2014, ao passar de 7 para 3 governadores, sendo um do Distrito Federal. Em seguida vem o PT que perdeu 13 milhões de eleitores ao passar de 5 para 4 estados governados pela legenda. O PSDB, mesmo mantendo o controle no estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, perdeu cerca de 8 milhões do eleitorado governado.

Outro resultado evidente foi o fato dos partidos tradicionais, que acostumados a dividirem a grande parcela do eleitorado e com isso obterem maior representação política, sofreram uma grande perda eleitoral em razão do fato da pulverização dos votos entre os partidos em disputa.

Fazendo um comparativo entre a eleição de 2014 e 2018, os maiores partidos tiveram perdas significativas em suas bancadas no senado, na câmara federal e nas assembléias legislativas.

SENADO:
2014 – 1º MDB 18  -  2º PSDB 12  -  3º PT 9
2018 -  1º MDB 11  -  2º PSDB   8  -  6º PT 6

Observamos que os três maiores partidos no senado (MDB, PSDB e PT) que atualmente tem juntos quase a metade do senado, na próxima legislatura passa a representar menos de um terço das cadeiras do senado.
CÂMARA FEDERAL:
2014 -  1º PT 69  -  2º MDB 65  -  3º PSDB 54
2018 -  1º PT 56  -  4º MDB 34  -  9º PSDB 29

Observamos que a bancada do MDB e PSDB tiveram uma grande baixa na câmara.

ASSEMPLÉIAS ESTADUAIS:
2014 -  1º MDB  142  -  2º PT 110  -  3º PSDB 97
2018 -  1º MDB    93  -  2º PT   85  -  4º PSDB 73

Esse quadro configura que ocorreu uma pulverização na representação legislativa no senado, na câmara federal e nas assembléias legislativas, onde os partidos tradicionais e maiores perderam poder e força.

Outro dado significativo ocorrido na câmara federal nas eleições de 1998 à 2018 envolve a relação do percentual da representação feminina e a taxa de renovação.

MULHERES NA CÂMARA:
1998 – 28 – 5,5%
2002 -  42 -  8,2%
2006 -  45 -  8,8%
2010 -  45 -  8,8%
2014 -  51 -  9,9%
2018 -  77 – 15%

RENOVAÇÃO NA CÂMARA:
     (deputados novatos)
1998 -  183 – 35,7%
2002 -  184 -  35,9%
2006 -  193 -  37,6%
2010 -  189 -  36,8%
2014 -  198 -  38,6%
2018 -  243 -  47,3%

A pulverização das forças políticas também se deu na representação dos governos estaduais e seu eleitorado por partido.
MDB – Elegeu três governadores (PA, AL e DF), totalizando 6,9% do eleitorado nacional.
PT – Elegeu quatro governadores (BA, CE, PI e RN), totalizando 14,5% do eleitorado nacional.
PSDB – Elegeu três governadores (MS, SP e RS), totalizando 29,4% do eleitorado nacional.
PP – Elegeu um governador (AC), totalizando 0,4% do eleitorado nacional.
DEM – Elegeu dois governadores (MT e GO), totalizando 4,6% do eleitorado nacional.
PSB – Elegeu três governadores (ES, PB, e PE), totalizando 8,31% do eleitorado nacional.
PDT – Elegeu um governador (AP), totalizando 0,3% do eleitorado nacional.
PSL – Elegeu três governadores (RO, RR, e SC), totalizando 4,4% do eleitorado nacional.
PSC – Elegeu dois governadores (RJ e AM), totalizando 10% do eleitorado nacional.
PHS – Elegeu um governador (TO), totalizando 0,71% do eleitorado nacional.
NOVO – Elegeu um governador (MG), totalizando 10,6% do eleitorado nacional.
PC do B – Elegeu um governador (MA), totalizando 3% do eleitorado nacional.
PSD – Elegeu dois governadores (SE e PR), totalizando 6,5% do eleitorado nacional.

Nesta nova configuração a posição dos partidos por número de eleitores em relação aos estados governados, fica:

1º - PSDB  -  29,4%
2º - PT       -  14,5%
3º - NOVO - 10,6%
4º - PSC     - 10.0%
5º - PSB     -   8,3%
6º - MDB   -   6,9%
7º - PSD     -   6,5%
8º - DEM   -   4,6%
9º - PSL     -   4,4%
10° PC do B  3,0%
11° PHS     -   0,7%
12º PP        -   0,4%
13º PDT     -   0,3%

Por fim, é importante destacar que os votos nulos, brancos e abstenções, os chamados “Não Votos”, alcançou o significativo patamar de 42,5 milhões de eleitores, sendo que o voto nulo teve alta de 3%, em comparação a 2014.

Abstenções – 21,25 %
Nulos          -    7,44%
Brancos      -    2,15%
Totalizando   30,84% ( Média nacional de “Não votos”)

EVOLUÇÃO DOS VOTOS NULOS, BRANCOS E ABSTENÇÕES
                  (Período eleitoral entre 2002 e 2018)

Nulos                                 Brancos                   Abstenções
2002 – 4,12%                      1,88%                         20,47%
2006 – 4,71%                      1,33%                         18,99%
2010 – 4,40%                       2,30%                        21,50%
2014 -  4,63%                      1,71%                         21,10%
2018 -  7,44%                      2,15%                         21,25%

O que se conclui diante do resultado das eleições de 2018 é que a resposta foi dada nas urnas, aqueles que no meio político e partidário não entenderam o clamor da sociedade, ou se entenderam relutaram em aceitar os novos tempos da política arcaram com as conseqüenciais.
                                                      



Amaury Cardoso
Presidente Estadual da FUG/RJ
Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

       




terça-feira, 9 de outubro de 2018

A SOCIEDADE DEU UM BASTA A VELHA POLÍTICA. - ARTIGO: OUTUBRO / 2018





Sinceramente, o resultado das eleições de 2018, não me surpreendeu. O clamor por renovação ganhou força a partir de 2013 e as manifestações de desencanto e indignação com a corrupção na política e a ineficiência na gestão pública, só aumentaram. Os atores políticos que subestimaram e preferiram ignorar o clamor da sociedade por mudanças no sistema político e eleitoral, foram, na grande maioria, rejeitados nas urnas. O fato é que estas eleições desorganizou o sistema político-partidário que durante anos ditou as normas no país.

Essa eleição deixa claro que o atual sistema político pós-nova república se esgotou. O golpe final veio diante da crise de valores morais e ético que assolou a classe política iniciada em 2014 em razão dos escândalos evidenciados nas etapas da operação lava jato, que implodiu a credibilidade da maioria dos partidos política junto à sociedade que se viu indignada e em desencanto com a velha prática política. O discurso do combate a corrupção, a impunidade e privilégios tiveram um grande eco nas eleições de 2018.

Além do apelo do discurso anticorrupção, o tema segurança pública e a defesa dos valores familiares, foram priorizados pelo eleitor. Forças tradicionais da política, em várias regiões do país foram derrotadas provocando uma renovação na média de 50%, a maior dos últimos 20 anos, na câmara federal e na maioria das assembleias legislativas, sendo que no senado federal, chegou a 85% onde de 54 cadeiras foram renovadas 46. Os grandes partidos tiveram suas bancadas reduzidas, o que causou um abalo nos partidos tradicionais, evidenciando uma clara mudança no eleitorado brasileiro.

Essa eleição também encerra um longo ciclo de polarização entre PT e PSDB e pulveriza a representação partidária, deixando de existir a supremacia de grandes partidos sobre as pequenas correntes partidárias.

Fazendo um comparativo da composição ideológica na câmara federal entre as forças de esquerda, centro e direita nas três eleições regionais/nacionais (2010-2014-2018), temos o seguinte quadro:

ESQUERDA:
Em 2010 elegeu 126 parlamentares;
Em 2014 Elegeu 138 parlamentares;
Em 2018 Elegeu 137 parlamentares;
·        CENTRO:
Em 2010 elegeu 157 parlamentares;
Em 2014 elegeu 137 parlamentares;
Em 2018 elegeu   75 parlamentares;
·        DIREITA:
Em 2010 elegeu 190 parlamentares;
Em 2014 elegeu 238 parlamentares;
Em 2018 elegeu 301 parlamentares;

Outro dato importante a ser comparado, é com relação à participação de mulheres na câmara federal entre as eleições de 2014 e 2018. Em 2014, foram eleitos 462 homens e 51 mulheres, já em 2018 foram eleitos 436 homens e 77 mulheres o que configura um aumento da representação feminina em 51% em comparação a 2014. Contudo, ainda a quem do peso eleitoral do voto feminino do país.

O resultado das eleições de 2018 deixa claro que ela foi tomada por uma forte onda conservadora que seduziu grande parcela da sociedade que se vê amedrontada pelo alto índice de violência, associada a grande indignação com o atual processo político que se vê afundada na lama da corrupção.

Cabe destacar que os novos eleitos não podem deixar de priorizar o compromisso com a garantia e avanço da democracia, bem como não fugir da responsabilidade de realizar reformas estruturais, fundamentais para o momento que o Brasil atravessa, a começar pela reforma política e eleitoral. A sociedade tem sinalizado no sentido da mudança desse sistema político aristocrático e corrompido.

Por fim destaco, por concordar, com o ponto de vista do imortal e jornalista Merval Pereira ao afirmar que “De forma clara e plebiscitária, a tese do golpe foi rechaçada. O povo chancelou o impeachment de Dilma e enterrou a narrativa do golpe”. 


Amaury Cardoso
Presidente da Fundação Ulysses Guimarães do Estado do Rio de Janeiro
www.amaurycardoso.blogspot.com.br

                                                                               

É PREOCUPANTE PARA A REPÚBLICA O FATO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA NÃO ACREDITAR NA SUPREMA CORTE. - Artigo: Abril/2026.

Entendo que a impunidade tem que ser extirpada em nosso país, dominado pela aristocracia e pelos que ascendem ao poder e fingem combatê-la, ...