quarta-feira, 28 de abril de 2021

MEU PONTO DE VISTA - ABRIL/ 2021


O STF INSISTE NAS SUAS CONTROVÉRSIAS E INCOERÊNCIAS JURÍDICA, AO DECIDIR EM SINTONIA COM SUAS CONVENIÊNCIAS!



O que a Suprema Corte está fazendo é NATURALIZAR OS ILÍCITOS se escondendo em argumentos frágeis, sustentadas por firulas processuais e teses estapafúrdias!

O STF envergonha a imagem do Brasil ao NEGAR A CORRUPÇÃO JÁ CONFESSADA E PROVADA.



Afinal, para a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal não importou os seis anos de investigação, elaboração de provas que confirmaram o monstruoso sistema de corrupção sistêmica e institucionalizada que provou através de investigação, denúncias e confissões, a ligação de empresas a políticos, partidos políticos e aos governos.

Venceu o velho sistema dominante, alimentado pela velha política, e perdeu o sentimento de decência e indignação da grande maioria da população brasileira que se viu humilhada e vilipendiada na sua esperança a duras penas renovada!



A frase do ministro Luís Roberto Barroso foi cirúrgica: A velha política agora quer vingança. Quer colocar na cadeia o ex-juiz Moro e o procurador Deltan Dellagnol.

O STF tem estabelecido uma insegurança jurídica em nosso país e com a decisão de anular a condenação de Lula, e, por consequência, dos demais 174 condenados nas ações penais deflagradas pela operação Lava-Jato acaba com a tentativa de combater a corrupção praticada, a longo tempo, por pessoas que entendem pertencerem a casta dos intocáveis, e assim agindo reafirma que o Brasil volta a ser à terra fértil da corrupção.



Não tenho conhecimento jurídico para discordar se existe motivos jurídicos que justifique a decisão tomada pela maioria dos ministros do STF, mas posso afirmar que é inegável que o efeito foi nefasto para a sociedade brasileira, pois sacramenta o fim da maior operação de corrupção já vista no mundo. Uma operação que levou o Brasil a ser admirado a nível internacional por ter levado a prisão altos empresários e grandes políticos acostumados a prática de atos ilícitos.


AFIRMO SER UM GRAVE ERRO, DE REPERCUSSÃO IMPREVISÍVEIS, SEGUIRMOS NATURALIZANDO OS ATOS ILÍCITOS!!!



Amaury Cardoso 

www.amaurycardoso.blogspot.com.br

Artigo: Abril / 2021



O processo civilizatório é marcado por importantes transformações resultado de novas descobertas influenciadas, principalmente a partir dos séculos XIX, XX e XXI, pelo avassalador avanço do desenvolvimento tecnológico.


Destaco um trecho da minha participação na live “SOCIEDADE EM DEBATE”, onde abordei as transformações ocorridas nos séculos XIX, XX e início do século XXI que influenciaram nas profundas mudanças sociais e econômicos que resultaram no aumento das desigualdades em diversas nações que, por falta de investimento em educação, ciência & tecnologia, não acompanharam o progresso científico e tecnológico tendo como consequência o subdesenvolvimento e marginalização da maioria da população.


Amaury Cardoso 

www.amaurycardoso.blogspot.com.br

Artigo: Abril / 2021



Carlos Sardenberg, em artigo, faz uma análise, ao meu ver, perfeita e irretocável sobre a decisão da maioria do colegiado do STF que ao votarem pela anulação das condenações de Lula abre a PORTEIRA DA IMPUNIDADE para os demais condenados com algum ponto de conexão com os casos de Lula de se sentirem no direito de reclamarem o mesmo “entendimento jurídico”, uma vez que houve a decisão de que a décima terceira vara federal de Curitiba é incompetente para julgar os atos ilícitos de corrupção de Lula, por que não seria para os demais membros da quadrilha denunciada pela Lava-Jato, mesmo tendo sido condenados em três instâncias.


Observa o fato do STJ ter, há anos, tido o entendimento de que a décima terceira Vara era competente para julgar os casos de Lula e argumenta que crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, do tamanho que foi evidenciado pela investigação da Lava-Jato, são praticados em diversos lugares ao mesmo tempo, pois o dinheiro foi roubado em contratos superfaturados com a Petrobras, cuja a sede fica no Rio de Janeiro.


Esse dinheiro circulou pelo sistema financeiro internacional e viajou pelo país inteiro, financiando desde triplex e sítio, que ficam em São Paulo, até campanhas eleitorais do PT em todos os estados, mas centralizadas em Brasília, o que propicia argumentos para sustentar a competência em muitos lugares.


Destaca que com isso se estabelece um ambiente propício para os advogados da turma da Lava-Jato avançarem no terreno que dominam: o das FORMALIDADES, dos DETALHES TÉCNICOS SECUNDÁRIOS, das FIRULAS PROCESSUAIS, e com isso evitam a discussão dos FATOS OBJETIVOS - SE HOUVE OU NÃO CORRUPÇÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO.


O QUE FICA CLARO É A EVIDÊNCIA DE QUE TODA A INVESTIGAÇÃO DA OPERAÇÃO LAVA-JATO PODE SER DESMONTADA NAS FIRULAS PROCESSUAIS, E SE NO JULGAMENTO SOBRE A SUSPEIÇÃO O STF DECIDIR PELA PARCIALIDADE DO EX-JUIZ SÉRGIO MORO, O FIM DA LAVA-JATO ESTARÁ DECRETADO!


DIANTE DESSES ARGUMENTOS CONCLUO QUE O BRASIL IRÁ SAIR ENVERGONHADO CASO ISSO OCORRA, E A GRANDE MAIORIA DA POPULAÇÃO DESENCANTADA E INDIGNADA COM ESSE ABSURDO RETROCESSO!


Amaury Cardoso
www.amaurycardoso.blogspot.com.br

quarta-feira, 31 de março de 2021

A PANDEMIA EVIDENCIA AS DESIGUALDADES EXTREMAS NO BRASIL. - ARTIGO: ABRIL/2021

 



Neste artigo pretendo expor de forma geral, portanto sem me aprofundar para não ficar muito extenso, o meu ponto de vista referente a alguns aspectos econômicos e sociais que colocam o Brasil em situação desvantajosa perante a maioria dos países, em relação às grandes dificuldades e desafios que se apresentam e se apresentarão após pandemia.

Com o surgimento da pandemia em novembro de 2019, que teve origem na China, a sociedade começou a experimentar mudanças de hábitos que a levou a ter que se adaptarem as mudanças indesejadas diante do abalo sofrido na economia, que foi afetada com a perda de milhões de empregos, redução dos salários, queda na produção industrial, no comércio e nos serviços.

Alinho-me aqueles que acreditam que iremos passar pela maior crise na geração e manutenção de empregos com consequente elevação do trabalho informal, que em nosso país já é alto.

Em razão de ter se transformado no epicentro mundial da proliferação descontrolada da Covid-19, o Brasil deverá ser a economia mundial mais atingida pela pandemia. Esta afirmativa se justifica pelo fato do nosso país estar diante de um processo de estagnação sem perspectivas de, em curto prazo, superar a crise pós-pandemiaem face da perda de milhões de postos de trabalho e o consequente aumento do trabalho informal, portanto sem proteção social, o que exigirá do Estado à adoção de uma ampla política de proteção social e uma inovadora política pública de empreendedorismo social com forte apoio as micro e pequenas empresas, em especial.

O Brasil vai sair da pandemia com a urgente necessidade de promover sua reestruturação diante das enormes mazelas sociais, que já eram preocupantes, e que agora se agravaram, evidenciando nossos antigos e graves problemas estruturais, que terão, de uma vez por todas, que ser equacionados.

O momento que o país atravessa evidencia a emergencial necessidade de uma efetiva e profunda mudança estrutural da organização do Estado brasileiro, respeitando as cláusulas pétreas da nossa constituição. Afirmo isso em razão do fato do Brasil está diante de um grande desafio que é o de promover uma mudança de métodos de governança que possibilite alcançar a garantia de um Estado mais ágil e eficaz no trato das suas responsabilidades e decisões governamentais no campo social e econômico que visem à garantia do necessário e fundamental investimento em infraestrutura, destacando que a margem orçamentária para investimento em nosso país tem sido nos últimos anos muito pequena.

A pandemia tem evidenciado nossas fragilidades, em especial no tocante as desigualdades extremas que assolam o nosso país expostas, principalmente, no campo da saúde e educação que precisam ser tratadas com a máxima urgência a fim de evitar o alto e crescente risco de revolta social e desordem pública. O grande desafio pós-pandemia será o de promover o avanço de maiores investimentos na área social e inserir milhões de brasileiros que se encontram na marginalidade econômica e social, e que precisam de oportunidades para viver com dignidade e, para tal, irão precisar de trabalho e renda. Porém, para que isso ocorra será necessário investir em qualificação profissional voltada para a realidade do mercado de trabalho do século XXI, e a vocação empreendedora do brasileiro é uma opção como canal facilitador para a qualificação da categoria do microempreendedor individual (MEI), o que abriria inúmeras possibilidades de renda.


A pandemia ampliou o que já vinha ocorrendo de forma gradual no Brasil, a mudança do método convencional de trabalho, que persistirão se fazendo necessária a adoção de novas ferramentas no campo digital e a consequente capacitação dessa nova forma de trabalho. Com relação às empresas, estas terão que revisar seus procedimentos de trabalho e suas cadeias de produção e comercialização, com isso se adequando a nova forma de competição de mercado. Agindo dessa maneira se inserem no processo de novas oportunidades que se abrirão.

É fato que se torna imprescindível à realização de profundas reformas estruturais reconhecidas como necessárias, mas politicamente evitadas por razões diversas. A começar por uma adequação na reforma da previdência, urge a necessidade da realização das reformas política e eleitoral, que considero uma das mais importantes, administrativa, tributária e fiscal, que terão o efeito de renovar o sistema político e reduzir a desigualdade de renda, bem como melhor adequar o uso dos recursos públicos, respectivamente.

Mesmo diante do fato da desigualdade de renda ter diminuído nos últimos 20 anos, é preciso deixar claro que o Brasil continua a transferir mais riqueza para os ricos em detrimento dos mais pobres, o que configura que há um longo caminho a percorrer para que deixe de figurar como um dos países mais desiguais do mundo. Esse desiquilíbrio se mantém na razão dos pobres, na proporção de sua renda, arcarem com o pagamento de impostos quase na mesma proporção que os ricos.

O agravante é o fato dessa secular desigualdade de renda e de oportunidades existir mais dos nossos governantes em razão da nossa cultura política patrimonialista, corporativa, fisiológica e corrupta. Esse cenário tem sido responsável pela crescente fragilidade da democracia representativa, cuja chance de ser contida, no meu ponto de vista, se dará através de uma profunda reforma no sistema político com capacidade de provocar uma mudança na nossa arraigada e atrasada cultura política.

Estudos e ações já comprovam que um programa eficaz de combate e redução da desigualdade está alinhado ao aumento dos investimentos públicos em setores importantes no campo social: educação, saúde, infraestrutura, transportes segurança, saneamento e meio ambiente, e que quando os investimentos são realizados com eficiência e planejamento estratégico o retorno se reflete na melhoria da qualidade de vida da população, em razão da melhoria dos serviços públicos nestas áreas.

Acredito que os efeitos devastadores nos campos da saúde e economia devem provocar uma estagnação antes da recuperação o que se revela imprescindível que o governo não descuide da necessidade de manter o orçamento público equilibrado, pois um endividamento excessivo irá significar um sacrifício maior para as gerações futuras.

Os números apontam para o pior desastre da economia desde a grande depressão da década de 30 tendo em vista que o Brasil entrou numa recessão em 2020 sem ter se recuperado das perdas da recessão ocorrida nos anos 2014 a 2016, onde tudo leva na direção de que o Brasil pós-pandemia terá um processo de reabertura da economia lento e gradual e com muitas restrições indicando que a recuperação será lenta, com a possibilidade de somente em 2026 voltarmos ao crescimento econômico sustentável.


Diante da inabilidade do governo brasileiro de construir e coordenar uma estratégia nacional de combate à disseminação do vírus, o país atravessa o ápice do contágio nesse primeiro semestre de 2021 e com grande risco de colapsar o sistema hospitalar. A crise sanitária provocada pelo coronavírus escancarou a vulnerabilidade social em nosso país, a elevada desigualdade e a extrema pobreza que irá aumentar significativamente o que irá exigir uma maior demanda dos serviços socioassistenciais.

O trágico momento que o Brasil atravessa diante dos efeitos da pandemia, exige do Executivo Federal e do Congresso Nacional a adoção urgente de medidas efetivas no que tange a aprovação de reformas macroeconômicas que venha a desobstruir gargalos que dificultam, quando não impedem, o nosso desenvolvimento econômico.

Por fim, o que parece é que as consequências econômicas e sociais trazidas pela pandemia irão permanecer por um bom tempo entre nós, pois face o endividamento do Estado brasileiro, seguido pelas suas unidades da federação e municípios, fará com que ocorram dificuldades em financiar políticas públicas voltadas para a recuperação do trabalho e renda da população e o combate à extrema pobreza através de programas de transferência de renda mínima. O quadro geral é grave e de difícil previsão de até quando perdurará. A situação atual do Brasil indica que iremos vivenciar uma elevação nos níveis de pobreza. Entendo e torço que esta realidade que se desenha deva servir de alerta no sentido do nosso país preparar políticas públicas efetivas, e com alto grau de eficiência, em defesa da população.


Amaury Cardoso

sexta-feira, 19 de março de 2021

HÁ MUITO MAIS NO UNIVERSO DO QUE AQUILO JÁ SE DESCOBRIU E ENTENDEMOS. - ARTIGO: MARÇO/2021


Inicio este artigo com duas afirmações. Primeiro que o título desse artigo revela o obvio, segundo que não tenho a pretensão de convencer ninguém sobre o que acredito, pois sei que as pessoas precisam achar o seu entendimento no seu próprio tempo e espaço, mais simplesmente revelar o que acredito com relação ao sentido da vida de acordo com minhas experiências, crença e valores. Sinta-se a vontade para tirar suas próprias conclusões.

Há muito me pergunto: Qual é a natureza da consciência humana? Será que ela existe fora do corpo?

Uma pessoa vive respirando em um momento e de repente, um minuto depois, não é mais nada. Esse processo me deixa curioso, intrigado e ansioso para entender como é que isso acontece. Deixamos nossos corpos e o que acontece depois?


 Acho que não existe ninguém que não se pergunte: A vida continua após a morte?

Por ser espírita acredito que a consciência sobrevive à morte, e que continuamos vivendo após a nossa morte física. Acredito que fazemos parte de algo contínuo, portanto o nosso espírito continua a sua jornada.

A ciência se coloca diretamente em conflito não só com a religião, que é muito poderosa, mas com as ideias das pessoas sobre quem são no mundo. Alguns cientistas se questionam sobre o fato da mediunidade poder fazer uma ponte entre o mundo mecânico, o mundo físico e o mundo espiritual.


O médium é um instrumento para se conectar com o mundo espiritual. Há um momento em nossas vidas em que precisamos de algo, e é ai que o mundo espiritual entra em cena e nos ajuda a entender o que está acontecendo e o porquê neste momento, da nossa vida, ao nosso redor.
Somos questionadores, e é bom que sejamos. Mas, também devemos ser abertos à possibilidade do que pode acontecer. Tenho o entendimento de que a mediunidade se trata de amor e de cura. Ela é um instrumento para ajudar as pessoas a criar uma relação com seus próprios espíritos, com a alma, para começarem a viver sua verdadeira expressão nessa vida.


A mediunidade traz esperança para as pessoas, permite a sensação de que há algo mais do que a matéria física e que faz parte de quem somos. Isso abre a porta para realidades que são inexplicáveis, e também aponta para algo maior sobre quem somos e o que acontece com a gente quando morremos. Quando essa porta se abre, podemos encontrar essa conexão!

Existem coisas que a ciência não consegue atestar. Mas isso não quer dizer que elas não aconteçam!

Eu acredito que existe mais na existência humana do que a realidade física. Sinto que fazemos parte de uma existência muito mais ampla, razão pela qual precisamos saber viver cada ciclo de nossas vidas, pois esses ciclos são parte, complemento, da nossa eternidade, razão que me leva a acreditar que nossos ciclos de vida são oportunidades para evolução/aperfeiçoamento espiritual. Nossa energia não pode ser destruída, ela vive em algum lugar!


 Por fim, entendo que a vida não é um simples acaso, ou seja, não nascemos por um acaso! A vida é uma oportunidade que nos é concedida no sentido de buscarmos o nosso destino: o aprimoramento de nosso caráter, a superação de nossos conflitos, a busca e construção da nossa harmonia íntima, em suma, a conquista de níveis mais elevados de evolução voltados para a perfeição e consequente leveza espiritual.

Desejo a todos vida longa, luz, paz e prosperidade!


Amaury Cardoso









domingo, 7 de março de 2021

O IMPACTO DO PROFUNDO DESENCANTO DOS JOVENS. - ARTIGO: MARÇO/2021.




A desilusão dos jovens em virtude de suas incertezas de futuro é um fato já comprovado. O mais grave é a consequência dessa desilusão para o futuro de qualquer país. O relatório que aponta riscos globais elaborados pelo Fórum Econômico Mundial de 2021 evidencia como principal ameaça global a desesperança e desilusão dos jovens do século XXI.

Estamos diante de uma geração assustada com o crescente desemprego e o agravamento do seu despreparo diante das profundas transformações do mercado de trabalho face ao brutal avanço tecnológico, que tem provocado um profundo desencanto em virtude da enorme dificuldade que o jovem vem encontrando de ocupar um emprego convencional de carteira assinada.

Os jovens nascidos no século XXI vivenciam uma revolução muito mais rápida que as anteriores. A atual e futuras gerações precisam urgentemente entender essa forte revolução que os atinge, pois ela tem transformado sistemas econômicos, políticos, sociais e ambientais, exigindo que as pessoas se preparem constantemente para enfrentar e saber conviver com os impactos da “Quarta Revolução Industrial” em curso, que tem provocado uma nova ondade mudanças radicais na produção industrial, resultado da convergência da robótica, da nanotecnologia, da biotecnologia, das tecnologias de informação e da inteligência artificial.

Diante deste fato, temos o agravante do impacto da desigualdade de oportunidades, que se evidencia com a COVID-19, que tem sido enorme para os jovens, e a crescente taxa de desemprego na faixa etária de 15 a 29 anos tem sido uma grande ameaça social. Os jovens deste século enfrentam os efeitos da segunda grande crise global em pouco mais de uma década, caracterizado pelo agravamento das condições sociais, em especial no campo da educação, que contribui fortemente para o aumento da desigualdade de oportunidades.

Com a pandemia do coronavírus descoberta em novembro de 2019 na China e sua disseminação pelo mundo no início de 2020, vários países atravessaram o ano com enormes perdas no campo econômico e social com o agravante do fato de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo terem vindo a óbito em razão da gravíssima crise sanitária provocada pelo COVID-19. Iniciamos o ano de 2021, após completar um ano de restrições e isolamento, sentindo os efeitos dessa grande crise global e seu preocupante agravamento através de suas variantes e, em decorrência, todas as incertezas que estão por vir.

Sem boas perspectivas para a volta a normalidade, cujas consequências tendem a se agravar em todas as áreas o sentimento que temos é assustador. Mas, na área da educação em especial por ser de grande relevância para os jovensà volta ao ensino presencial, principalmente nas escolas públicas que possui milhões de jovens sem acesso à internet para seguir seus estudos através do aprendizado virtual, é primordial. Contudo, diante o agravamento da contaminação, tudo indica será mais um ano perdido o que é extremamente prejudicial aos jovens das classes sociais mais baixas.

Estou certo que os desdobramentos dessa interrupção veremos nos próximos anos, com o aprofundamento das desigualdades e da ameaçadora lacuna tecnológica deixando para trás quem não receber a atenção necessária agora. Diante dessa possibilidade, como engajar o jovem na construção do seu futuro? Como lidar com seus sentimentos de raiva, frustração, medo e apatia que alimentam suas inquietações?

Os jovens chegam ao mercado de trabalho em um momento de obsolescência, agravada pela pandemia, e torna-se imprescindível direcionar seu treinamento e crescimento profissional dentro da nossa realidade, uma vez que tecnologia significa empregabilidade, e a oferta de cursos de qualificação é fundamental, aliada a ampliação de educação profissionalizante, que objetive a formação de mão de obra necessária, capaz de criar novos mercados para os jovens.

Nesse cenário tão controverso, ao governo cabe aumentar seus investimentos em educação, fortalecendo o ensino como um todo e, em especial, de ciências e matemática com base em novos valores, e com isso estará ajudando na mudança de concepção do jovem do mundo contemporâneo.



Amaury Cardoso

Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

ENTENDENDO A CONSTRUÇÃO DA NOSSA REPÚBICA. ARTIGO: FEVEREIRO/2021– PARTE III – FINAL DA TRILOGIA.



Neste trabalho faço um resumo de meus estudos e pesquisas sobre os principais fatos que marcaram a construção do Brasil República, tendo como fonte principal analise e opiniões de vários pensadores, tendo o livro “Em busca da República”, sido uma principal fonte de dados. Para não ficar muito extenso, será dividido em três partes.


No campo político, 2018 foi um ano que evidenciou a grande insatisfação da sociedade brasileira com os rumos da política, e a reação dos eleitores foi a de votar no candidato que melhor se apresentava “contra tudo que está aí” e que representava um novo caminho diante da indignação generalizada com a corrupção sistêmica simbolizado no Partido dos Trabalhadores e seus aliados fisiológicos da velha política e a cumplicidade com a continuidade das velhas práticas e erros. O resultado das eleições nacional de 2018 deixou clara a preocupação de grande parcela da população com os rumos do país. Importante destacar que as eleições municipais de 2020 confirmou esse sentimento de indiferença e indignação com a classe política através do crescente aumento dos NÃO VOTOS (somatório dos votos nulos, brancos e abstenções).

Diante desse quadro, para entender o atual processo político que vivenciamos, entendo ser importante conhecer e compreender a jornada dos 131 anos (1889 a 2020) de Brasil República.

“O FASCÍNIO DO ESTUDO DA HISTÓRIA RESIDE EM IDENTIFICAR A FORÇA DE CERTAS TENDÊNCIAS, MOLDANDO O COTIDIANO DAS SUCESSIVAS GERAÇÕES”.

REVENDO ALGUNS DOS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS NO PERÍODO ENTRE A DÉCADA DE 1980 A 2020, DESTACO.

Cabe ressaltar que o retorno à democracia em nosso país se deu na esteira de uma onda democrática que pôs fim aos regimes autoritários do sul da Europa, notadamente Portugal, em 1974, e Espanha, em 1976, chegando à América Latina nos anos seguintes.

No caso específico do Brasil a transição do regime autoritário para o democrático foi viabilizada por um acordo político entre setores moderados da oposição e setores dissidentes do regime autoritário. À volta a democracia que ocorreu em janeiro de 1985, foi inaugurada com a eleição indireta de Tancredo Neves e se institucionalizou com a aprovação da nova constituição, em outubro de 1988. Em matéria de participação, liberdades civis e políticas e extensão de direitos sociais, vivemos há pouco mais de 30 anos a mais longa, ampla e profunda experiência democrática da história do país, a despeito de percalços.

Cabe destacar que dois fatos políticos foram de grande relevância para a aceleração da volta do regime democrático: o êxito das oposições, em especial do PMDB, nas eleições para os governos dos principais Estados da federação, ocorridas em outubro de 1982 e a mobilização popular que culminou com a realização de grandes comícios pelo restabelecimento das eleições diretas para presidente da república.



Tancredo Neves é eleito presidente pelo colégio eleitoral tendo derrotado Paulo Maluf que representava o partido do governo PDS. Para tanto, contou com os votos dissidentes do regime, que romperam com o PDS e seu candidato Paulo Maluf, e formaram o partido da Frente Liberal (PFL) e indicaram na chapa o vice-presidente, senador José Sarney até pouco antes presidente do partido do governo (PDS).

A chapa Tancredo Neves e José Sarney vence a eleição indireta com 72% dos votos do colégio eleitoral. As vésperas de assumir Tancredo Neves veio a falecer em 21 de abril de 1985, e Sarney assume a presidência da República e governa por cinco anos, ou seja, toda a segunda metade dos anos de 1980. Governou com grande habilidade política e com respaldo das forças armadas, porém faltava-lhe a legitimidade do voto e as credencias da luta a ditadura militar. Respeitou-se a solução constitucional, embora uns desejassem que Ulysses Guimarães assumisse, contudo esbarrava na resistência dos militares.

Não obstante as adversidades, Sarney investiu na consolidação da transição. Partidos políticos clandestinos foram legalizados, a liberdade de imprensa e de manifestação foi reconhecida. Em novembro de 1986 ocorreram eleições gerais e o PMDB elegeu 22 governadores, entre 23, e para o senado 29 senadores, entre 48 cadeiras em disputa e fez 53% das cadeiras da Câmara Federal, essa vitória foi atribuída à euforia com o Plano Cruzado, lançado pelo presidente Sarney. Em 1987 teve início a Assembleia Nacional Constituinte. Durante o processo da Constituinte o PMDB sofre uma cisão, e dissidentes formam o PSDB.

Por fim, a década de 1980 começa com o último presidente general, João Figueiredo, passa por Sarney, eleito indiretamente, ou seja, sem o voto popular, é promulgada uma nona Constituição e termina com a eleição de Collor de Mello para presidente. Em síntese, os anos 1980 marcaram uma dupla transição para o Brasil. No ponto de vista político-institucional, assinalaram a passagem do regime militar para a democracia. No ponto de vista econômico, a década foi considerada perdida, pois registrou a inflexão negativa da taxa de crescimento brasileira, em razão dos sinais evidentes de descontrole macroeconômico, aceleração inflacionária e desequilíbrio grave no balanço de pagamentos.



Cabe destacar a aprovação da “Constituição Cidadã” que estabeleceu, de fato, uma democracia vigorosa, favorecendo a divisão dos poderes e reforçando a federação. A constituição de 1988 enfatizou os direitos individuais e sociais.

Passamos para os anos 1990 a 1999 que se destacou por ser um período de reformas econômicas e turbulência internacional. A década de 1990 foi o apogeu do liberalismo, a globalização acelerando o comércio mundial, privatizações e a teoria da redução do Estado.

Os anos 90 marcou na América Latina o encerramento da era das ditaduras militares. No contexto brasileiro os anos 90, em razão do retardo em controlar a inflação e do Impeachment do presidente Collor, primeiro presidente civil eleito pelo voto popular após o fim do regime militar, foi uma década que dividiu o Brasil em duas metades. A primeira prolongou a instabilidade da “Década Perdida” dos anos 1980. Foi apenas na segunda metade, em 1994 – 1995, a partir do Plano Real, que o traçado da curva se tornou ascendente, com a estabilização da economia e na construção de instituições, apesar de incompletas e imperfeita, essas conquistas forneceram a base para um salto qualitativo que promoveram forte redução da pobreza, atenuação da desigualdade e melhoria geral da inclusão social.

No cenário político, os anos 1990 inicia com Collor de Mello vencendo as eleições diretas em 1989. O Brasil aguardava com grande expectativa o reencontro com a democracia. Pouco depois vivemos um impeachment do presidente Collor em razão de envolvimento em corrupção.

Collor inicia seu governo diante de uma economia em crise, com as mais altas taxas de inflação da história do país. Ele decreta o “Plano Collor” baseado em um inédito confisco da riqueza financeira dos cidadãos, que em curto tempo levou o país a mais profunda recessão.

Acusado de montar um amplo esquema de corrupção, para não ser destituído Collor renuncia à presidência no final de 1992. Assume seu vice-presidente Itamar Franco, que montou um governo unindo diversas forças políticas de vários partidos. Num golpe de mestre, em maio de 1993, Itamar nomeia o senador Fernando Henrique Cardoso, que era seu ministro de relações exteriores, para comandar o ministério da fazenda.



Depois de várias tentativas frustradas de estabilizar a economia, que ocorreram em diferentes governos pós-regime militar, tais como: Plano Bresser em 1987, Plano Verão em 1989, Plano Collor em 1990 e Plano Collor II em 1991, todos baseados em congelamento de preços e salários, o governo Itamar Franco lança o Plano Real em 1994, em um momento em que a inflação brasileira tinha atingido cerca de 2.500%. Com a implantação do Plano Real, a inflação começa a cair, chegando três anos depois, ou seja, 1997 a cifra de 5%, fazendo com que o Brasil conquistasse a estabilidade econômica, garantindo o sucesso do Plano Real.

Na onda do sucesso do Plano Real, FHC foi eleito presidente da República em 1994 e reeleito em 1998. Seus oito anos de governo foi marcado como um período de profundas transformações, tais como: Consolidação da estabilização dos preços; Renegociação das dívidas dos Estados e Municípios; Saneamento dos sistemas bancário público e privado, com extinção ou privatização de quase todos os bancos estaduais; Redefinição do papel do Estado na economia, com o fim do monopólio estatal nas áreas do petróleo e das telecomunicações e a privatização de empresas estatais importantes como Vale do Rio Doce; Abertura ao capital estrangeiro; Sanção da Lei de Responsabilidade Fiscal; Autonomia operacional do Banco Central; Recuperação do poder de compra dos salários; Ampliação da escolaridade; Fortalecimento do sistema de saúde.

Em 1999, o último ano da década, foi de redefinição da política econômica que visava preparar o Brasil para enfrentar o desafio da retomada de um crescimento sustentado.

Avançando entramos no século XXI e passamos a analisar os principais pontos ocorridos no período republicano de 2000 a 2009. Essa década teve como maior protagonista Luiz Inácio LULA da Silva, eleito presidente por grande maioria em 2002 e reeleito em 2006 e responsável pela eleição de Dilma Roussef em 2010.

Lula surgiu na política brasileira nos anos 1970 como representante de uma “nova” esquerda. Desafiava o governo militar com greves dos metalúrgicos no ABC paulista. Em 1980 Lula fundou o partido dos trabalhadores - PT, que se transformou em um grande partido de massas, com o apoio e a participação de sindicalistas, líderes religiosos, intelectuais, estudantes e respectivos movimentos e organizações sociais.

A grande marca do governo Lula foi a bandeira social, a promessa de fortalecer os direitos sociais e reduzir a pobreza e as desigualdades. O grande programa para atuar no campo social foi o “Fome Zero”, inspirado na luta contra a fome liderada por Herbert de Sousa, o Betinho. Esse programa não chegou a ser implantado, sendo substituído, em 2004, pelo programa “Bolsa Família”, que resultou na expansão dos gastos públicos e a sua distribuição entre os grupos, especialmente os mais pobres que davam sustentação ao governo petista, independente da pobreza e desigualdade continuarem altas.

No campo da educação o governo Lula começou com três grandes prioridades: a erradicação do analfabetismo; a expansão do “Bolsa – Escola” (que era um programa do governo Fernando Henrique Cardoso); e mais financiamento e autonomia para as universidades federais. Contudo, cometeu o erro de não interferir nas instituições universitárias a fim de melhorar seu desempenho.

Com a economia crescendo, os programas sociais se expandindo e a popularidade em alta, fica difícil entender por que o governo Lula optou por garantir sua maioria no Congresso pela distribuição de dinheiro, benefícios pessoais e vantagens a partidos e lideranças políticas com as quais não tinha nenhuma afinidade ideológica.

Em 2005 veio a conhecimento público o chamado “MENSALÃO”, promovido pelo governo, que, pela primeira vez na história do país, levaram à prisão líderes políticos e empresariais. Esse crave escândalo fez com que o governo e o PT passassem a perder apoio de setores importantes da sociedade e de militantes mais à esquerda, que se opunham às políticas populistas, às práticas de corrupção política e à tolerância e participação em frequentes casos de corrupção.



Em 2006, Lula se reelege e lança um ambicioso “Plano de Aceleração do Crescimento” (PAC), voltado em especial para a construção de moradias populares. Em 2010, o PT lançou como candidata Dilma Roussef, e a elege a presidência. Essa eleição marca o apogeu e o fim da era Lula.

Cabe destacar que no campo jurídico a segunda década do século XXI revela o protagonismo político do poder judiciário, onde o STF e seus ministros se transformam em atores determinantes para tudo que viria em seguida.

Inegável que a década de 2000 foi um período rico em acontecimentos relevantes. Foi a década do boom de commodities, de forte crescimento global, com importantes impactos no Brasil, mas também foi a década da crise financeira internacional e da estagnação econômica que provocou. Entretanto, a firme reação à crise de países emergentes como China ajudou o Brasil a se recuperar e o PIB expandiu-se ao patamar de 7,5% em 2010. Em contrapartida, esse aquecimento da economia levou a inflação anual pular de 3,7% para 6,1%.

A década de 2010 a 2020 foi marcada por período de incertezas e rupturas. O PT inicia a década envolvido em escândalos de corrupção que aprofunda seu declínio no poder. O sistema político-partidário inicia seu esgotamento com a perda crescente de credibilidade em razão da generalização da corrupção.

O ano de 2010 foi o último do Lula na presidência. Duas grandes investigações em torno da corrupção político-empresarial deram início à redução da impunidade na política e nas relações entre empresas e governo. Importante destacar que também, em 2010 é promulgada a Lei da Ficha Limpa, determinando a inelegibilidade de condenados em segunda instância, um projeto de Lei nascido da iniciativa popular, que passou a ter efeitos fundamentais nas eleições posteriores.

Em 2013 ocorre uma grande manifestação de rua em São Paulo que dá início a uma reviravolta no campo político, que nos anos seguintes passou a contar com a insurreição das redes sociais que passaram a alimentar manifestações de indignação e solidariedade. Era o início de uma vasta onda antipetista que teve como consequência mais importante o fim do PT no poder, com a eleição em 2018 de Jair Bolsonaro para a presidência da República.

Dilma Roussef foi eleita presidente da república em 2010, contudo os resultados dessa eleição mostrou um continuado declínio dos partidos tradicionais: PMDB, DEM, PSDB e PT. A eleição de 2014 marca o final da polarização política entre PT e PSDB, que foi vencida pela presidente Dilma Roussef sobre o candidato Aécio Neves. Foi uma eleição muito acirrada, com profundos ataques pessoais. Dilma inicia em 2015 seu segundo mandato cometendo um erro grave de apoiar a candidatura à presidência da Câmara Federal de um candidato de seu partido, indo de encontro com as forças políticas de centro-direita que a derrotou.

Em 2015 as manifestações de rua se intensificam, o governo Dilma, paralisado, não consegue administrar a crise que se aprofundava com a economia só piorando. O clima popular de insatisfação e indignação se agravava, e o clamor nas ruas e redes sociais pedia o avanço de providências judiciais decorrentes dos resultados das investigações da Operação Lava-Jato. Era o início de uma nova polarização, que desembocaria de forma radicalizada e raivosa nas eleições presidenciais de 2018.




Em setembro de 2015 o presidente da Câmara recebe o pedido de impeachment da presidente Dilma por crime de responsabilidade fiscal, com o agravamento do Tribunal de Contas da União - TCU recomendar ao Congresso a rejeição das contas da presidente referente ao exercício de 2014, último ano de seu primeiro mandato.

Em 2016, o ministério público de São Paulo pediu a prisão do ex-presidente Lula, que foi remetido ao juiz Sérgio Moro, da 13ª vara federal do Paraná. As manifestações populares contra Dilma e pelo impeachment ganha força e a Câmara Federal concede autorização, em abril de 2016, para que Dilma fosse processada por crime de responsabilidade. Em maio, o senado autorizou a abertura do processo de impeachment contra Dilma, que foi afastada temporariamente, e o vice-presidente Michel Temer assume como presidente interino.

Em junho de 2016 o relator da Lava-Jato no STF, ministro Teori Zavascki, envia para o juiz Sérgio Moro o inquérito sobre o ex-presidente Lula por envolvimento em corrupção. Em julho de 2016, o deputado federal Eduardo Cunha renuncia a presidência da Câmara Federal, sendo eleito para sua vaga o deputado federal Rodrigo Maia.

Em agosto de 2016, Dilma Roussef foi destituída do cargo de presidente da República, e Michel Temer toma posse como presidente em definitivo. Michel Temer foi o segundo vice-presidente a tomar posse como presidente após o impeachment do titular. Seu governo teve três fases distintas. Na primeira, apoiou-se em uma coalisão coesa tendo o PMDB como partido pivô, e aprovou medidas como o teto para gastos públicos. A segunda fase começou em maio de 2017 e ele a consumiu lutando para evitar que a Câmara autorizasse o STF a processá-lo por corrupção. A terceira fase foi durante o período eleitoral de 2018.

Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro em julho de 2017. A sentença foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que ordenou sua prisão em abril de 2018. A eleição de 2018 revelaram tanto a ampla rejeição popular dos partidos políticos tradicionais quanto o novo papel das redes sociais na campanha eleitoral.

Em 2019, iniciou-se um novo ciclo político, que estará em teste o presidencialismo de coalisão, a estabilidade democrática e a reorganização do sistema político-partidário, com vistas à recuperação da democracia representativa. Indiscutivelmente há um sentimento geral da sociedade brasileira por elevação da ética na política, ética nos serviços públicos e privados que procura substituir o sistema oligárquico de saque do Estado.

Os vários episódios de corrupção em grande escala acelerou o processo de descrédito da população na maioria dos políticos. Outro sintoma que marca o final da década (2010 – 2019) é a constatação de uma falência generalizada do Estado, que é visto como ineficiente, corrupto, injusto e ineficaz, com históricas deficiências nos serviços públicos prestados a população.

Diante desse quadro, já passou da hora de se promover uma reforma profunda do Estado, que busque maior eficiência da máquina pública. Apesar da aprovação de algumas reformas estruturais, a classe política não tem sido capaz de encarar uma ampla agenda de reformas, em razão de não possuir uma coesão política para promovê-la.

Cabe observarmos a análise do ministro do STF Luís Roberto Barroso ao afirmar que a partir da Constituição de 1988, o judiciário passou a viver uma progressiva ascensão institucional, passando a ocupar um espaço maior no imaginário social e na partilha entre os poderes. Esse fato contribuiu para a crescente judicialização das decisões no campo político, econômico, social e ético, muitas das vezes provocados pelos próprios atores políticos tradicionais. Não cabe a suprema corte brasileira atuar como tribunal criminal de primeiro grau, razão pela qual tem ocorrido a superexposição do STF.

Contudo, é relevante destacar dois importantes acontecimentos no campo do judiciário nesta segunda década do século XXI, que foram o julgamento do escândalo de corrupção do “Mensalão” que durou cerca de dois anos (2012 – 2014), tendo como resultado final a comprovação de um esquema de compra de votos, pelo governo do PT, no Congresso Nacional, com recursos provenientes de desvios de dinheiro público e empréstimos fraudulentos, levando a prisão 24 dos 38 réus entre empresários e políticos rompendo com o paradigma de impunidade que sempre vigorou em relação à criminalidade do “Colarinho Branco”, sobretudo quando associada ao universo político.




O outro caso importante, que veio em sequência ao julgamento do “Mensalão” foi iniciado em 2014, deflagrado pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal, a operação Lava-Jato que inicia um desmonte do esquema de corrupção montado na Petrobras. As investigações avançam alguns julgamentos, após delações de executivos, o STF autoriza, em 2017, a abertura de inquérito contra políticos com foro privilegiado (oito ministros, três governadores, 24 senadores e 39 deputados federais), bem como o presidente da república Michel Temer, que é denunciado pela Procuradoria Geral da República. No mesmo ano, o juiz Sérgio Moro condena o ex-presidente Lula a prisão por corrupção.

Finalizamos essa segunda década do século XXI com velhos e novos desafios a enfrentar. No campo econômico, a economia brasileira, desde 1995, tem crescido bem menos que a dos demais países emergentes e menos até que dos países desenvolvidos. Um dado positivo foi o fato de entre o período de 1995 a 2010, a economia pelo menos conseguiu acompanhar o crescimento da América Latina. A causa mais visível do nosso baixo crescimento é o desequilíbrio das contas públicas. Desde 1991, o gasto do governo federal cresce 6% acima da inflação, levando ao aumento da carga tributária e a ocasionais desequilíbrios macroeconômicos.

Importante destacar que, são muitas as razões do elevado crescimento do gasto público. Nas últimas três décadas, novas regras legais tem aumentado sistematicamente os gastos públicos obrigatórios, como as despesas com benefícios assistenciais, saúde e educação. Atualmente o Brasil gasta 13% do seu PIB com previdência.

Temos uma escolaridade média bem menor do que a registrada nos demais países, apesar de gastar 6% do PIB em educação, contudo nosso Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), da OCDE, é medíocre. Nosso investimento em infraestrutura é menor do que nos outros países emergentes, sendo a expansão da infraestrutura essencial para a produtividade do setor privado. Temos um imenso custo de logística para transportar matérias-primas e mercadorias produzidas. O resultado é um país que desperdiça capital e trabalho em estruturas ineficientes que sobrevivem somente pelo acesso a regras tributárias especiais ou à proteção contra concorrência.

Diante do fato da reforma da previdência ter avançado e deixado de ser um tabu, ela por si só não será capaz de resolver o grave problema do déficit público brasileiro. É emergencial atacar o gargalo que impede ampliar nossos investimentos, e a continuidade do aprofundamento das reformas estruturais na área tributária, administrativa e política, para ficar nessas três em especial, se coloca como imprescindíveis.

Por fim, é importante concluirmos com a visão de que o Brasil é marcado pela modernização conservadora, em parceria e envolvimento estreito com o capitalismo autoritário que exclui a participação das massas e classes subalternas que vem se reproduzindo ao longo dos anos do nosso regime republicano, a despeito de suas mutações, sempre a partir de rearranjos e novas coalisões que se formam, muitas das vezes esdrúxulas, entre líderes e as elites políticas, econômicas e sociais.

Esse status quo centenário da política brasileira só será transformado quando o sistema que a mantém for enfraquecido, onde o papel da população com um elevado grau de educação e cultura for construído, atuando como elemento imprescindível para a construção de um tsunami transformador da democracia, através de seus avanços promovedores da ampliação da participação popular com experiência de exercício da cidadania.

Infelizmente o que se percebe é que para alguns a política não se trata de princípios e ideias, pois para os que assim pensam não se importam com a forma que irão ganhar o público. Para eles os meios, não importam quais, justificam os fins.



Amaury Cardoso

Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br









domingo, 31 de janeiro de 2021

A FILOSOFIA ASSOCIADA À FÍSICA QUÂNTICA E A ASTRONOMIA SERÃO O GRANDE SABER DO SÉCULO XXI. - ARTIGO: FEVEREIRO 2021.



A vida dura um lapso de tempo pequeno, razão pela qual a morte é vista por muitos como eterna, ou seja, a morte e entendida como uma vida eterna em outro plano. E eu me incluo entre os que possuem esse entendimento.

Sou uma pessoa que convive com muitas indagações, em especial no ramo do saber, e tenho buscado ler sobre filosofia, embora tenha o entendimento de que a filosofia não tenha uma finalidade própria, específica, contudo sua importância é grande, pois a filosofia busca o saber e o conhecimento, visando construir muito para várias áreas do saber humano. A filosofia não pretende apresentar respostas e sim formular indagações, divagações, excitando reflexões e questionamentos.

Platão acreditava que só existem verdades absolutas no mundo das ideias, e demonstra sua crença através da construção da sua tese na “Alegoria das Cavernas”, onde cria uma metáfora de homens presos em uma caverna que só enxergavam suas sombras, não viam realmente as coisas. Portanto achavam que já sabiam de tudo, ou seja, de conhecer a verdade. Contudo, o que eles sabiam eram as sombras da vida, que se comprova quando alguém consegue sair da caverna, ou seja, da ignorância, e descobre que o que se acreditava como verdade absoluta não passava de mentira diante de outra realidade, uma nova descoberta.




A história está repleta de fatos onde aqueles que contradizem verdades, até então, absolutas são incompreendidos e sofrem sanções do sistema vigente da época. Na filosofia Sócrates é o principal exemplo, que o levou a ser condenado a morte, dentre tantos outros contestadores das verdades absolutas.

Dito isto, destaco uma afirmação do filósofo Sócrates “que esta (...) é a ordem de Deus; e estou persuadido de que não há para vós maior bem na cidade do que esta minha obediência a Deus. Na verdade, não é outra coisa o que faço nestas minhas andanças a não ser persuadir a vós, jovens e velhos, de que não deveis cuidar do corpo, nem das riquezas, nem de qualquer outra coisa antes e mais do que a alma, de modo que ela se torne ótima e virtuosíssima; e de que não é das riquezas que nasce a virtude, mas da virtude nascem à riqueza e todas as outras coisas que são individualmente para cidadãos como para o Estado.”.

Quando Sócrates afirmou “Só sei que nada sei” eu pergunto: A ignorância é um castigo ou uma dádiva? Ou seja, é melhor vivermos nas sombras, sem pensamento crítico, ou buscarmos o conhecimento e com ele descobrir novas verdades?
Eu me enquadro no grupo dos que não se contentam com verdades estabelecidas, e  estão abertos para o exercício do aprimoramento do pensamento crítico. Eu busco o desconhecido, busco sempre o querer saber mais como forma de ampliar minha compreensão sobre coisas que me são importantes, pois não aceito viver dentro da caverna da parábola de Platão.




São tantos os filósofos, muitos com grande genialidade, mas Platão foi o filósofo que mais influenciou a forma de pensar no ocidente, sob a influência de Santo Agostinho e toda a igreja católica, o pensamento de Platão continua original e bastante interessante.

A filosofia moderna foi fundamental na formulação do pensamento moderno, e entre os grandes filósofos da modernidade destaco o filósofo Baruch Spinoza, que era português e judeu. Ele escreve uma obra maravilhosa, de título um tanto estranho, chamada “Ética demonstrada à maneira dos geometas”. Ele afirmou que Deus é intranscendente, Deus é a natureza. Essa declaração o levou a ser excomungado pelo Judaísmo e pela igreja católica, em razão de contrariar a definição de que Deus é transcendente e onipotente.

Para Spinoza Deus está contido em todas as coisas do universo. Esta visão do filósofo Baruch Spinoza caiu como uma bomba para as religiões, pois, como ele afirma, se tudo está ligado, dentro, de Deus é o mesmo que afirmar que as pessoas não precisam de religião – que tem como fundamento ligar as pessoas a Deus – para estar ligado a Deus. Partindo desse pensamento a igreja se vê ameaçada de perder poder.  




Outro filósofo que marcou o pensamento moderno, que junto com Kant e Descartes formou o tripé da modernidade, foi Nietzsche cujo pensamento de amar a vida com tudo que ela tem para nos dar, vem para quebrar os antigos mitos, destruir as ideias pré-concebidas, propondo uma nova forma de ver o mundo, onde as pessoas devem “Amar a vida com tudo de bom e ruim que ela tem para nos dar... aceitando tudo e entendendo que a vida também é composta por tragédias”. Ele pregava o “Amor Fati”, ou seja, entender as tragédias da vida e amar a vida pelo que ela tem. Ele afirmava também que nós não devemos seguir o que outras pessoas querem que sigamos, mas devemos ter o nosso próprio pensamento e segui-lo. Que devemos encontrar os nossos valores e fazer aquilo que nos faz bem, não seguindo simplesmente o que já está pré-determinado pela sociedade. Fica a pergunta: O que é ser normal? Será que ser normal é ser e pensar em harmonia com a grande maioria? A sociedade forma um padrão e quem foge a ele é por ela marginalizado!  

O padrão de normalidade na vida em sociedade não seria um comportamento social, uma forma de dominação de uma classe dita superior sobre uma classe dita inferior? Isso não seria uma forma de imposição da elite social sobre a maioria marginalizada socialmente?
Do pouco que li no campo da filosofia, sendo meus estudos superficiais, destaco que entre os pensadores da filosofia moderna o pensamento de Nietzsche, Spinoza e Foucault repercutem na filosofia contemporânea. 

“E se Deus não for aquele velhinho de barba branca” – O Deus de Spinoza. Poucos filósofos foram tão controversos quanto Baruch Spinoza.
“A vida não é um mar de rosas”. Como encarar a vida com tudo que ela tem para nos dar – uma análise nietzschiana.
“Ainda existe a normalidade?” – Durante praticamente toda a existência da humanidade, sempre tivemos uma ideia do que era ou não era normal. Ninguém discutiu isso de uma forma tão profunda e sofisticada quanto Foucault.  




Convenhamos que a tolerância nunca foi o forte da humanidade. A intolerância está nas pessoas e tem crescido muito com o avanço das redes sociais, pois ela é uma característica do ser humano. 
Ao falar de tolerância não posso deixar de citar a importância do pensamento de Voltaire. Ele tinha a visão de que não vivemos no melhor dos mundos. Afirmava que as pessoas não podiam concordar com tudo e todos. Partindo dessa premissa ele reconhecia a importância do papel da tolerância e que as pessoas precisam suportar as discordâncias e serem tolerantes com as diferenças, pois a verdade não pode ser alcançada apenas com a razão, uma vez que a ciência estava revelando a ocorrência de vários erros e equívocos da suposta verdade definitiva.

Voltaire tinha uma visão de que a tolerância era o apanágio da humanidade. Nós todos estamos prenches da fraqueza e de erros. Perdoemo-nos reciprocamente nossas bobagens. Essa é a primeira lei da natureza. Voltaire enxerga a nossa incapacidade de conhecer tudo apenas com a razão. Ele reconhece que a melhor forma de conhecer a verdade está cheio de erros. Baseado nesta visão podemos concluir que não existe essa coisa de um filósofo, de um teólogo, de um religioso, de uma pessoa apenas sentar e conseguir descrever como o universo funciona, falar sobre um modelo ético perfeito e absoluto. 
Precisamos admitir que todos nós somos passíveis de cometer erros e não devemos nos abalar por isso, e sim reconhecer que cometemos erros. A meu ver uma celebre frase de Voltaire sobre esse tema é: “A discórdia é a grande peste do gênero humano e a tolerância é o seu único remédio”.

Portanto, ideias que pregam tratamentos desiguais não podem ser toleradas, não podem ser admitidas como normal e precisa sofrer o nosso repúdio para que não nos acostumemos com a banalização do mal, da violência, da corrupção e com o descaso com a prevalência do erro. A filosofia nos provoca reflexões sobre se algo tem fundamento ou não, e melhor entender para construir o nosso pensamento crítico, bem como amadurecer o nosso conhecimento.




Por fim, o que vejo de mais interessante no estudo da filosofia é que ela não pode ser taxada como tendo viés político, embora seus pensadores nas três fases (Clássica, Moderna e Contemporânea) tenham suas posições políticas/ideológicas no núcleo de seus pensamentos que os levam a divergir no mundo das ideais. O estudo da filosofia é um ramo do saber que nos revela que ela busca fazer perguntas com a tentativa de nos fazer compreender o mundo e nós mesmo no aspecto físico e também no aspecto metafísico. 

Amaury Cardoso
Blog de artigos: www.amaurycardoso.blogspot.com.br   

É PREOCUPANTE PARA A REPÚBLICA O FATO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA NÃO ACREDITAR NA SUPREMA CORTE. - Artigo: Abril/2026.

Entendo que a impunidade tem que ser extirpada em nosso país, dominado pela aristocracia e pelos que ascendem ao poder e fingem combatê-la, ...