sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O GARGALO NA EDUCAÇÃO, UM DESAFIO, AINDA, A SER VENCIDO! - ARTIGO: FEVEREIRO/2015.


O maior gargalo para o efetivo desenvolvimento do país tem sido a educação, e o Brasil insiste em ficar para trás, ariscando seu futuro como nação desenvolvida, em razão de não promover mudanças estruturais voltado para o ensino de qualidade e universal, sendo um dos principais obstáculos o baixo investimento e má gestão dos recursos que são destinados ao setor educacional.
Seria injusto deixar de registrar que no governo FHC, avançou-se na meta de universalizar o acesso ao ensino fundamental, e que no governo Lula, a opção de dar prioridade ao ensino superior, que considero um equívoco, foi revertida no segundo mandato, através da implantação do Plano de Desenvolvimento da Educação, para o ensino básico. O FUDEF, no governo Fernando Henrique, e o FUNDEB, no governo Lula, proporcionaram ao poder público investimentos para equacionar o repasse de verbas destinadas a educação para estados e municípios. Contudo, o que ficou claro com o passar dos anos, é que os problemas da educação, bem como para outras áreas do serviço público, não decorrem tão somente de aplicação de recursos, e sim de má gerência, comprovadas nos conhecidos casos de deficiência de gestão.
Um outro aspecto importante que evidencia o nosso atraso educacional, é o fato de nos depararmos com um número cada vez menor de jovens trabalhando em razão da baixa qualificação do ensino, que se configura como um grande desafio, colocando a educação na raiz dos principais problemas, que se tornou um entrave ao desenvolvimento social e econômico ao país.
O conhecimento esta no centro do futuro de toda nação por ser o principal ativo do século XXI. Concordo com o economista Sérgio Besserman Vianna, ao afirmar que o problema que o Brasil tem em mãos é, portanto, mais profundo. É cultural e é nesse plano que tem de ser enfrentado: a sociedade brasileira não dá valor e não se organiza para dar valor ao conhecimento.
As estatísticas oficiais, durante anos seguidos, alerta para o fato do atual modelo educacional em nosso país estar formando jovens sem grandes capacidades de desenvolvimento de idé ais através da escrita, o que foi comprovado em virtude do péssimo resultado na prova de redação do último Exame Nacional do Ensino (ENEM), revelando que 529 mil candidatos obtiveram conceito ZERO, confirmando que a educação é um desafio para aqueles que, como nós, tem responsabilidade com os destinos da sociedade.
No caso específico da realidade brasileira, na atualidade, a resolução das questões educacionais são primordiais para o nosso desenvolvimento global. Estamos numa situação delicada devido à carências estruturais que nos colocaram em nível baixíssimo dentre os países que buscam sua condição de pais desenvolvido, e essa situação é histórica. A questão política está presente de forma decisiva, tendo sido um dos fatores que contribuiu para o agravamento desse quadro. A política educacional implementada pelo golpe militar de 1964, pôs por terra todo um projeto qualitativo de educação e impôs uma diretriz quantitativa baseada em números e estatísticas, com a principal intenção de banalizar a filosofia adotada pelo sistema militar, como por exemplo: Baixa qualidade do ensino, professores eméritos aposentados, exilados ou presos, disciplinas humanas (sociologia, filosofia, antropologia, etc...) relegadas a segundo plano, ou simplesmente banidos da grade curricular, remuneração baixa para os professores, massificação do processo educacional, vide Mobral, dentre outros.
Privilegiar o ensino técnico também foi, e continua sendo, mais uma forma de se tentar colocar os alunos das classes pobres no mercado de trabalho prematuramente, os inviabilizando para o ensino universitário, deixando para esse, os oriundo das classes médias e/ou das elites, a formação de nível superior.
Diante desse quadro os governos pós golpe militar, nos quais a população depositava esperança de reversão desse quadro perverso não corresponderam as expectativas, decepcionando todos aqueles que acreditavam numa mudança ou retomada do processo interrompido em 1964. Entendo que uma exceção que confirma a regra foi a gestão do ex-ministro, já falecido, Paulo Renato que esteve a frente do Ministério da Educação na gestão do ex-presidente Fernando Henrique, e, no âmbito estadual, os CIEPs no governo Leonel Brizola, sob os ideais do saudoso Prof. Darcy Ribeiro.
Torna-se urgente uma tomada de posição por parte daqueles que como nós tem responsabilidade social e creem ser possível a libertação nacional sendo a educação seu motor propulsor.
Hoje é preciso uma reflexão profunda para que se tenha condições de fomentar ações sérias no sentido de redirecionar isso tudo que estamos vivendo dentro do contexto sócio-educativo. Entendo ser urgente a federalização do ensino básico, pois a grande maioria das prefeituras não possuem recursos necessários para uma boa qualidade do ensino e, nas que possuem recursos é comum o mau uso das verbas, quando não o desvio para outras atividades, sendo necessária uma fiscalização severa para garantir uma aplicação correta desses recursos.
Não alimentemos falsas ilusões, pois novas ações para que a educação seja o alicerce cultural da sociedade, só terão resultado a longo prazo e o momento de agir já se faz tarde, sinalizando que não temos tempo a perder, pois as novas gerações merecem respeito, e só ações sérias e responsáveis, que visem amenizar as perdas e prepará-las adequadamente para o verdadeiro exercício da cidadania, podem nos livrar de resultados vexatórios.
O governo petista não podem continuar a tratar a educação com frases de efeito, como foi o caso da última tirada cômica, de puro marketing, adotado no discurso de posse de reeleição da presidente Dilma, ao declarar que seu foco será a educação, através do "Brasil, Pátria Educadora". Ocorre que já se passaram 12 anos de governo do partido dos trabalhadores, havendo tempo suficiente de alterar o deprimente quadro educacional em nosso país e ter avançado neste aspecto social importante, principalmente para os filhos dos trabalhadores assalariados, e o "partido da classe operaria" vem confirmando seu fracasso em razão da sua ineficiência, também, nesse setor.

                                                                        Amaury Cardoso
                                                    blog: www.amaurycardoso.blogspot.com 
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domingo, 4 de janeiro de 2015

REDES SOCIAIS, E SUA INFLUÊNCIA NA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO - ARTIGO: JANEIRO/2015


Uma das principais mudanças no comportamento das pessoas, em particular crianças e jovens da primeira geração do século XXI, são as novas ferramentas digitais. Uma das principais preocupações da sociedade contemporânea, em particular os pais e avós, é com relação ao uso que a nova geração esta fazendo dessas novas tecnologias, que passam a maior parte do tempo conectados, fascinados, hipnotizados, anestesiados, distantes do mundo real.

A visão que tenho é que para a atual e futuras gerações, não existe o mundo aqui fora, em razão de toda atenção se concentrar no visor das variadas modalidades de comunicação virtual. Essa conexão as máquinas e menos as pessoas, tem sido o principal foco, e exagerado efeito exercido pela "modernidade tecnológica", sofrido por essa geração que se relaciona com inúmeras pessoas, recebendo e enviando uma enorme quantidade de mensagens de texto por dia, em detrimento da indispensável interação social, principalmente no seio familiar.

Sobre esse tema, li um artigo recente do acadêmico Zuenir Ventura onde ele destaca que pesquisas revelam que o circuito social e emocional do cérebro de uma criança aprende através do contato e das conversas com os que encontra durante o dia, ou seja, horas passadas com gente são mais úteis do que diante de uma tela digitalizada. Contudo, é impressionante o fato dos adolescentes de hoje receberem diversos estímulos e processá-los simultaneamente. Mas, por outro lado, é terrível o resultado desse vício digital, em virtude do fato de levar a dispersão e a preguiça mental, que retardam o raciocínio, privilegiando o reflexo ao invez da reflexão, onde a principal vítima é o hábito pela leitura. Hoje o livro é considerado maçante e talvez obsoleto, pela geração dos textos rápidos e abreviados, chegando em certos casos a serem incompreensíveis.

Nesses novos tempos somos forçados a velhas reflexões sobre convivência, chances de divulgação das culturas e maneiras de interação entre os diversos grupos sociais. Por um lado as crianças, os jovens e mesmo os adultos e idosos curtem jogos eletrônicos e redes sociais, por outro lado a família, cada vez mais sobrecarregada, oferece atividades sócio recreativas para os filhos: aulas de escolinha de futebol,  teatro, música, dança, etc.

A pós modernidade tem seus prós e contras: Acesso as novas tecnologias, aplicativos, compras pela internet, comunicação instantânea com todas as partes do mundo, em contra partida dá um crescente culto ao individualismo, egoísmo exacerbado, massificação cultural, dominação midiática, política de resultados, e, inerente ao sistema, o predomínio do TER sobre o SER, aparência sobre a essência.

Longe de nós sugerir, ou sequer comentar, soluções miraculosas, milagrosas nesses tempos de consumismo e beligerância. Somos observadores da realidade, o diálogo da esquina, conversa na calçada ou na mesa de bar, são substituídas pelas salas de bate papo, a paquera do dia a dia pelos sites de relacionamentos, os salões de bilhar pela sinuca virtual, etc.

Diante dessas grandes e rápidas mudanças de comportamentos e convivência social, por serem inevitáveis em razão do choque tecnológico, creio que devemos adaptarmo-nos aos novos tempos, porém, sem perder de vista a imprescindível convivência pessoal, o velho papo furado, saudável e estimulante, porque não afirmar renovador.

Temos esperanças sobre a possibilidade dessa convivência harmoniosa, pois, afinal, somos brasileiros, e como dizia o saudoso antropólogo e intelectual professor Darcy Ribeiro, "o futuro é aqui".


                                        Amaury Cardoso                                                             
              Presidente Estadual da Fundação Ulysses Guimarães / RJ
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domingo, 14 de dezembro de 2014

ARTIGO: Dez/2014 - O HOMEM, SEU TEMPO E SUAS INQUIETAÇÕES.

Somos acometidos de muitas perguntas sendo algumas tão intrigantes que chegam a nos inquietar: Quem somos? Como é o mundo? Como são as coisas? Que lugar ocupamos no mundo? Para onde vamos?

Essas indagações expressam nosso desejo de descoberta, de conhecer cada vez mais sobre algo que seja do nosso interesse e aguçam nossas reflexões, uma vez que observamos o mundo e os acontecimentos que nos cercam a partir de perspectiva diferente.

Baseado no sentido de moral e ética que nos remete a um conjunto de questões comportamentais ligados ao dever, a como devemos agir em relação aos conceitos e valores pré-estabelecidos, Platão e Aristóteles concordavam que a finalidade de todos os indivíduos é a felicidade, contudo ela é vista por cada ser humano de forma diferenciada. Já o filósofo Kant observava que o nosso comportamento deve servir de  máxima universal, ou seja,  deve servir de exemplo para todos os homens.

Há os que encontram a felicidade no prazer das coisas mais simples, outros não concebem felicidade sem liberdade, tem os que condicionam a felicidade a bens materiais. Enfim, os elementos que levam a felicidade são dispares.

Dentro do plano das relações humanas, somos seres profundamente sociais. Estudos confirmam que tanto a vida familiar e conjugal, bem como o convívio com amigos e a relação com a comunidade são fundamentais para a constituição de nossa identidade pessoal e do sentido de nossas vidas. Esses ingredientes definem em grande medida a forma com que nos posicionamos em relação ao mundo e nossas possibilidades de sermos felizes. Uma coisa tenho certeza, a vida seria muito diferente se não houvesse tanta necessidade de afirmação pessoal e competição.

Percebo que a busca desenfreada de felicidade na sociedade contemporânea sinaliza no sentido de que grande parte das pessoas tomou um rumo equivocado. A vida feliz é uma construção nossa de cada dia, que sofre mudanças na medida da nossa compreensão de vida e elevação interior (espiritual), que proporciona o nosso alto conhecimento.

Muitas vezes nos deparamos com temas para os quais não encontramos respostas imediatas, e ficamos com dúvidas, com uma necessidade inquietante de explicação racional para algo da existência humana que nos parece incompreensível, ou cuja a compreensão existe mas não satisfaz, tais como: Porque tanta maldade? O que é o ser humano?; e sentimos a necessidade de construir uma explicação lógica, bem fundamentada, clara e confiável, uma vez que investigar o mundo em que vivemos é uma experiência básica e necessária para nossa adaptação à realidade, à vida, à existência, o que é esse mundo que nos envolve e nos absorve.

Partindo do conceito elaborado pelo filósofo Aristóteles, “Não acreditamos conhecer nada antes de ter apreendido cada vez o seu porque”, devemos entender que esse algo mais é o efeito, justamente aquilo que queremos compreender, o que nos remete a uma causa, pois concordamos que para tudo que nos acontece existe um porque, uma razão, que nos faça entender os acontecimentos, como as coisas são de verdade, livres das aparências, ou seja na essência.

As diversas religiões existentes apresentam explicações para o mundo, sobre como são as coisas. No entanto, as explicações religiosas são conflitantes e insuficientes, não estão fundadas em conhecimentos científicos obtidos por meio da razão, e sim se baseiam nas chamadas verdades reveladas, ou seja, em concepções consideradas verdadeiras pelo fato de constarem dos textos sagrados de cada religião, já que estes seriam a transcrição de revelações trazidas pela divindade, como no caso do Cristianismo, para ficar só neste exemplo, cuja a crença predominante no mundo ocidental baseia-se nos relatos bíblicos do novo e velho testamento, especialmente aquele contido no livro do Gênesis: “Deus criou o universo e tudo o que nele existe a partir do nada”.

Com o passar dos séculos ocorreram uma série de transformações nas sociedades, no campo político, econômico e social, que foram responsáveis pela construção de novas maneiras de entender as coisas. Filósofos, e cientistas no passar dos tempos construíram novas teorias que não apenas modificaram sistemas antigos de explicação da natureza e do real, como também destruíram um mundo, substituindo-o por outro, que causaram uma reforma na estrutura do pensamento e a maneira de entender a realidade, situação que provavelmente irá perdurar nos séculos futuros, o descobrimento se redescobrindo numa verdadeira revolução espiritual vinculada, em grande parte, à física e à astronomia, cujos os sucessivos êxitos em explicar a realidade se apresentam e se transformam em função do tempo, trazendo a evolução, em virtude da revolução do pensamento e novos experimentos.

Sou um homem inquieto, que vive a angústia da busca do conhecimento, que diante de uma gama profusamente variada de concepções sobre a origem, estrutura e organização da realidade já formuladas por profetas, sábios, filósofos e cientistas de todas as partes, que construíram distintas visões de mundo, se depara em desesperadora conclusão de que nesta curta existência, que sequer sei o meu tempo, não decifrarei as minhas várias dúvidas sobre inúmeras respostas que se acumulam na minha mente.

Sobre as coisas da vida e do meu mundo, parafraseando Sócrates, o pouco que sei me revelam que na verdade menos ainda sei, diante da grandiosidade de incertezas sobre determinadas coisas.

Concluo agradecendo a essa energia suprema que rege o imenso universo, que chamamos de Deus, pela oportunidade de estar neste plano astral chamado por nós de planeta terra, em busca do conhecimento, alimento da minha alma, tão fundamental a minha evolução.

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará. A vida tem milhões de ondas como o mar, num indo e vindo do infinito”.






                                                                       Amaury Cardoso
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A sedução do poder e os desvios dos valores morais. ARTIGO: NOVEMBRO/2014

Quando estamos diante de uma decisão que envolve um julgamento moral, temos que nos orientar e basear em valores e códigos morais que devem pautar o comportamento humano. Contudo, cada pessoa embora herda um conjunto estabelecido de normas morais, chega um momento em nossas vidas em que podemos refletir sobre elas, aceitá-las consciente e livremente ou rejeitá-las, uma vez que o comportamento moral caracteriza-se essencialmente pela livre escolha do indvíduo, baseado no fato da liberdade ser a base da conduta moral.

O filósofo grego Aristóteles bem define que a característica específica do homem em comparação com outros animais é que somente ele tem o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e de outras qualidades morais. A política era uma continuação da ética, só que aplicada a vida pública,  as instituições públicas, a esfera de realização do bem comum como um ideal a ser alcançado.

Fiz a introdução acima, pois irei abordar um tema que vem tendo muito destaque nos últimos anos que são os casos de corrupção institucionalizada que se instalou em nosso país, que vem causando um grande mal a sociedade e ao avanço da democracia brasileira.

A corrupção em nosso país esta exposta como nunca antes em sua história, com o escândalo do roubo de milhões dos cofres públicos realizados na maior empresa pública brasileira, que a cada etapa da investigação da polícia federal, com a operação Lava-Jato, o ministério público e a justiça federal, com destaque a coordenação do juiz Sérgio Moro, se confirma a amplitude do esquema criminoso montado pelo partido dos trabalhadores numa conspiração para desviar dinheiro público envolvendo donos de grandes empresas e altos executivos ligados a cabeças coroadas do comando político em nosso país, no executivo e no legislativo federal, que corroem a democracia e os valores republicanos, abalando com a estrutura da política brasileira, em razão do processo destrutivo de financiamento político, montado pelo governo petista nos moldes do Mensalão, para financiar a base do governo, sendo pouco provável não haver o conhecimento de alguém do Palácio do Planalto, principalmente em razão do fato do doleiro Alberto Yussef já ter declarado, em depoimento na delação premiada, que tanto o ex-presidente Lula, como a presidente Dilma sabiam do esquema que envolve a Petrobras, tornando, com o aprofundamento das investigações, a situação de instabilidade política incontrolável, cujas as incertezas dos seus efeitos negativos para o futuro do Brasil nos assustam.

As investigações em curso identificaram 15 grandes empresas participantes do esquema, que juntas formaram um “ Clube” e fecharam contratos com a Petrobras no valor de R$ 59 bilhões. Contudo, a formação desse cartel nos permite suspeitar que seus tenebrosos negócios com o governo federal , tendo seus lucros ampliados com obras superfaturadas, ocorram em outras áreas, sendo o setor elétrico, através de contratos na construção de hidroelétricas, objeto de novas investigações.
A prisão do ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque, indicado pelo ex-ministro do governo Lula, o presidiário José Dirceu, é considerada explosiva por sua proximidade e ligações com a cúpula do PT e do governo. Em depoimento o ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, afirmou: “Olha, em relação à diretoria de serviços, todos sabiam que 2%, dos 3% cobrados de propina eram para atender ao PT. Outras diretorias, como gás e energia, e exploração e produção, também eram do PT... O comentário é que nesse caso, os 3% ficavam diretamente para o PT porque eram diretorias indicadas PT com PT”.

Concluo destacando um trecho da coluna do jornalista e acadêmico Merval Pereira, publicada no Globo de 16/11/14, onde diz: “O PT não inventou a corrupção, mas inventou um método sistemico de corrupção que perpassa todo o organismo governamental. Isso nunca ouve. Havia esquemas de corrupção localizados, pessoas corruptas atuando, mas nunca houve um esquema desse porte organizado pelo governo. A idéia de que é tudo igual ajuda a quem está envolvido com essas denúncias. Não é todo mundo igual. Nunca houve um partido que tenha montado um esquema dessa amplitude”.

No entanto, soa como o cúmulo do absurdo o fato da presidente Dilma em seu primeiro pronunciamento após a prisão de mais um ex-diretor da Petrobras nomeado no governo PT, juntamente com mais de duas dezenas de altos executivos de grandes e importantes empresas brasileiras, afirmar querendo capitalizar politicamente as ações da polícia federal na operação Lava-Jato, que é mérito do seu governo estar investigando a corrupção, quando, a bem da verdade, a investigação esta sendo desenvolvida pela polícia federal que é um Poder do Estado, e não subordinada a vontade política de qualquer governante e, pior ainda, querer culpar os governos passados pelo que esta acontecendo hoje na Petrobras, o que é uma desfaçatez, uma vez que os ex- diretores da Petrobras que estão presos e outros sendo investigados, foram nomeados pelo ex-presidente Lula, seu padrinho político, e mantidos em seu governo.

O interessante é que o governo vem atuando para impedir a investigação no congresso, rejeitando convocações de políticos do PT e aliados, inclusive o importante depoimento do ex-diretor de serviços Renato Duque, com isso estabelecendo um grande contraditório, ao afirmar que a investigação deve ser rigorosa “doa a quem doer”, não ficando “pedra sobre pedra”. Convenhamos presidente Dilma, até agora não temos motivos para acreditar na sua boa vontade em esclarecer os “malfeitos” ocorridos nos governos do seu partido (PT).

Ao que nos parece, o governo do PT se transformou em um grande balcão de negócios passando a querer controlar os outros dois poderes, onde os estratégicos setores da administração pública federal foram tomados e aparelhados pelo partido.

Diante do abalo que este escândalo da Petrobras trouxe a vida do país, há uma enorme preocupação no governo com relação a revelação dos políticos que serão atingidos, e esses com certeza estão em pânico. Depois dos desdobramentos do julgamento do Mensalão do PT, que embora o fato dos “companheiros” da direção do PT que foram presos estejam, um ano após, cumprindo prisão domiciliar, é inegável que a investigação da Petrobras passa a ser um marco histórico, um grande avanço no combate a corrupção, pois pela primeira vez corruptores e corruptos, donos de grandes empresas, altos executivos e líderes políticos são presos em nosso país.


Perde a democracia com o nível de criminalização da política.


                                                                                  Amaury Cardoso
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

“O MEDO VENCEU A MUDANÇA” ARTIGO: OUTUBRO/2014.

Diante do resultado apertado, que confirmou estarem os brasileiros divididos, a presidente Dilma obteve a concessão de 51,64% dos votos válidos para dirigir os rumos do país por mais quatro anos. Este quadro traz a confirmação de que o país esta dividido. populacionalmente e geograficamente, é demonstrada pelo fato do “vencedor” ter obtido uma vitória apertada, conquistada no “Fio do bigode”, o que exigirá da presidente reeleita muita humildade, sabedoria e capacidade de diálogo e articulação política, diante de uma oposição que sai bastante fortalecida, e com credenciais para exigir mudanças de rumo na condução do país e  as necessárias reformas.

Dilma em seu próximo mandato irá enfrentar tempos difíceis, causados pela insistência em continuar conduzindo a economia através de projetos que se revelaram frágeis e falhos, que não deram resultados, gestão ineficiente e a grave crise institucional que se desenha devido ao aparelhamento partidário que permitiu um elevado número de escândalos, sendo a corrupção na Petrobras, maior empresa brasileira, a ponta de um iceberg que começa a revelar a participação de cabeças coroadas da república do caixa 2.

Dilme venceu em 15 estados, na grande maioria do norte e nordeste, e Aécio venceu em 12 estados, concentrados no centro-oeste e sul, ficando a região sudeste do país dividida, com uma razoável vantagem para Aécio face a surpreendente vitória que obteve no maior e economicamente mais forte estado de São Paulo. Esse resultado estabeleceu uma divisão clara entre norte e sul do nosso país.

Diante de um país dividido eleitoralmente, do sentimento presente de mudança em razão de um quadro de baixo crescimento, inflação em alta, infraestrutura desmantelada e investimento em queda, o futuro governo precisará dar respostas urgentes.

Nesses 12 anos de governo do PT, o Brasil em geral tem chegado atrasado e o nosso ritmo de crescimento é um dado claro desse atraso, exemplo no fato do Brasil ter, neste período, crescido 4% ao ano em média, contra 4,8% do crescimento mundial e 7,6% do crescimento dos países emergentes. Estamos com a inflação em alta, enquanto o mundo com inflação em baixa; nosso crescimento zero, enquanto os emergentes crescem na média de 4,5% ; nossa taxa de juros na casa de 11% ao ano, bem acima do padrão mundial e dos emergentes.

Com relação ao alardeado baixo desemprego, em artigo recente o jornalista Carlos Alberto Sadenberg sustenta que se deve as mudanças que foram se consolidando e não uma proeza do atual governo, destacando: “Neste momento, o Brasil não gera empregos, a população trabalhando é estável faz algum tempo, segundo dados do IBGE. E, se continuar sem crescimento econômico, vai gerar desemprego”.

Nas eleições que ocorreram nos últimos 12 anos, a candidatura Aécio Neves, que conseguiu aglutinar a grande maioria dos segmentos políticos de oposição e a grande parcela da sociedade que clama por mudança, foi a que conseguiu chegar mais próximo da vitória, e com isso conseguindo rearticular a oposição, onde o fato de ter alcançado 51,5 milhões (48,5%) de eleitores o coloca no cenário político atual como o maior líder da oposição no país. A declaração do senador Aécio, de que: “Saio dessa eleição mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca”, dá o tom de que irá liderar uma oposição sem contemplação com a má gestão, ineficiência dos serviços públicos e, principalmente, com os desvios de natureza moral (corrupção) e de natureza administrativa (ineficiência), contudo, sem deixar de apontar os caminhos olhando os interesses do futuro do país.

Fica claro que o desgaste do PT, face a revelada rejeição nesta eleição, exigirá da presidente Dilma amadurecimento, competência e capacidade de diálogo para enfrentar a grave realidade de um país com estagnação econômica, inflação em alta e a corrupção institucionalizada nesses 12 anos de governo petista, que foram, estrategicamente, escondidos e negados sua existência, no jogo mentiroso de marketing eleitoral.

Com um congresso mais fragmentado, onde o PT encolheu, e um PMDB em razão de mágoas dividido e a oposição saindo desta eleição mais forte e com um certo grau de coesão, o próximo governo Dilma precisará cicatrizar feridas profundas, resultado de uma campanha agressiva, baseadas na desconstrução dos adversários através de mentiras e calúnias, a presidente Dilma tem como principal desafio restaurar a confiança do congresso, do setor produtivo e de parcela significativa dos brasileiros. Convenhamos, não será fácil!

Fica a certeza: “O Brasil quer o melhor do governo e da oposição”




                                                                    Amaury Cardoso
                                      Presidente Estadual da Fundação Ulysses Guimarães /RJ.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O TEMPO PERDIDO NO AVANÇO POLÍTICO. ARTIGO: SETEMBRO/2014

Fazendo uma retrospectiva dos momentos políticos vividos pela minha geração, tendo passado por longo tempo ( 1964 à 1989) sem eleições gerais para presidente, período de cassações, perseguições política e proibições de manifestações, vivi intensamente um movimento de resistência ao regime militar, participei de campanhas fundamentais para o restabelecimento do regime democrático de pleno direito.

Recordo-me da campanha pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, que permitiu a volta dos exilados, a campanha das Diretas Já e a campanha da Redemocratização, com a importante eleição indireta de Tancredo Neves a presidente no colégio eleitoral, que pôs fim ao ciclo de mais de 20 anos de governo militar, depois as passeatas pelo impeachment de Collor e, logo após, o movimento pela estabilização da economia, em meados dos anos 90, realizadas no governo FHC, e finalmente, assisti a eleição de Lula e o avanço do processo social da década passada. As conquistas foram lentas, mas alimentavam o sentimento de querer mais.

Com tristeza, percebo que essas lutas políticas que alimentaram os meus sonhos de juventude de mudar o Brasil, embora tenham provocado mudanças importantes, estão demorando a se concretizarem. É angustiante você perceber que seus sonhos do passado, sonhos e ideais políticos de 30 anos atrás, com o passar do tempo se tornam mais distantes.

Os processos eleitorais dos últimos anos, e o deste ano com mais evidência, tem revelado que o ciclo a que me referi acima, iniciado com o golpe militar de 64, esta terminando. Os partidos de hoje passam ao largo da maioria das pessoas, em especial para a juventude em razão do esgotamento de suas propostas, confirmando um quadro institucional partidário falido.

O que vivíamos a 30 anos atrás, a mobilização das ruas levantando a bandeira das eleições diretas, hoje se reflete numa descrença no processo político eleitoral, com a juventude inclinada para o voto branco e nulo, e muitos não interessados em se inscrever para votar, com o agravante do considerável número de abstenções.

Essa recusa é sintomática, que atinge diretamente os políticos e a instância partidária. Essa mensagem precisa ser entendida como advertência e alerta no sentido da necessidade da melhora da qualidade política e aperfeiçoamento da democracia representativa.

A sociedade não aceita mais “alianças” para sustentação da tal “governabilidade” em troca de espaços de poder, que passa a ser sustentada por uma base fisiológica e corrupta, com forte aparelhamento partidário, a exemplo do projeto de poder construído nestes 12 anos de governo do PT, responsável pelo aprofundamento da vergonhosa degeneração de nossas práticas políticas.

Essa perda de confiança e indignação com as práticas de governabilidade que se sustentam no aprofundamento da sucessão de escândalos praticados no governo petista, gerou uma crise institucional que atingiu frontalmente a necessária decência no trato da coisa pública, que precisa ser contida.

Não podemos nos eximir da responsabilidade de provocar a necessária mudança e, tão pouco podemos perder tempo. O novo congresso, cuja a renovação poderá influenciar nesse sentido, devido as evidências colhidas nesta eleição, onde a sociedade deixou claro não aceitar mais o atual, viciado, excludente e elitizado jogo eleitoral, razão pela qual a reforma política não tem como não entrar na pauta já em 2015. Esta eleição é uma prova incontestável de que o atual sistema eleitoral esta falido.

Não há outro caminho para a regeneração senão as urnas oficializando a mudança.



                                                              Amaury Cardoso
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terça-feira, 26 de agosto de 2014

O DESAFIO DO BRASIL É ENORME. ARTIGO: AGOSTO/2014.

Diante de uma economia global que passa por transformações profundas, o atual governo perde a oportunidade de adequar a produção brasileira e o desempenho do país aos novos tempos.

A história política e econômica do Brasil se formou através da existência de ciclos que se alteram nas fases de prosperidade e de atrasos. Dispensando a análise de ciclos anteriores, a partir de 2003 inicia-se no Brasil um ciclo marcado por quatro pontos principais: taxa de juros internacionais baixissíma; elevados preços das matérias primas (commodities); um alto contingente de desemprego; e apreciação cambial que possibilitou o país crescer, foram “anos dourados”, descontado o curto período da crise econômica de 2008.

Contudo, as circunstâncias econômicas favoráveis foram se modificando a partir de 2009: o preço das commodities perde força; os juros internacionais começa a se elevar; o desemprego começa a cair e a cotação do Real frente ao Dólar sofre mudança com a estagnação da queda do dólar.

Diante desse novo quadro o que fez o governo brasileiro, continuou cometendo equívocos na política econômica a ponto de causar enorme desgaste, cujo o aperto monetário tem se revelado insuficiente para inibir as expectativas pessimistas quanto a trajetória da inflação que começa a contaminar a confiança da sociedade, em especial a classe empresarial, face o governo Dilma não ter conseguido dar provas de que será capaz de colocar em ordem as finanças públicas.

O governo Dilma protagoniza um final de ciclo econômico mediocre em comparação aos países que compõem os BRICS, e, o que é pior, entre os países que formam a América Latina, pois esta amargando um pífio crescimento comparativo na faixa média de quatro anos, mal chegando a 2%.

No momento em que grande parcela dos países estão se preparando com afinco para um mundo de muita competitividade, o Brasil esta caminhando em direção contrária, deixando a desejar, sendo um dos mais urgentes problemas a escassa mão de obra qualificada, que se agrava em razão do nosso fraco nível educacional.

As medidas para contrapor esse quadro preocupante já foram por demais sinalizadas pelos especialistas econômicos, sendo as principais: Investimento através da melhoria da infraestrutura, na eficiência dos gastos públicos e no investimento na educação de qualidade tornando-a universal, mas que o governo Dilma reluta ou tem dificuldade em implantar.

Ao contrário, os investimentos estão se retraindo. O Banco Central já sinaliza que o país esta em leve recessão, e as didiculdades no setor elétrico contribuem para a retração dos investimentos em razão da ameaça da falta de energia ou do seu já inevitável encarecimento. “O governo do PT preferiu politizar o que deveria ser encarado de forma objetiva e técnica”.

A incompetência da gestão Dilma e o fato de não ter valorizado o planejamento com visão de longo tempo, esta causando um retrocesso econômico que começa a atingir os cidadãos naquilo que mais teme, a inflação crescente e o mal-estar provocado pelos péssimos serviços públicos, em especial nas grandes metrópolis.

Até quando permitiremos que a realidade social em nosso país e seus graves problemas continuem a serem banalizados?

Até quando conviveremos com o desconforto de sermos, pela avaliação da UNESCO, o 88º lugar em educação, segundo o PNUD, o 85º lugar no índice de desenvolvimento humano, na avaliação do Banco Mundial o 8º pior país em concentração de renda e o 54º país em competitividade no mercado mundial?

Não podemos nos conformar e nos acomodar com esse desastre em que nosso país se encontra. Parafrasendo Eduardo Campos: “NÃO VAMOS DESISTIR DO BRASIL”.

Já não basta ter que aceitar que o ajuste de tudo que nos leva ao atraso econômico e social ficará para o próximo governo? E com qua garantia?

A conta desse descaso não pode chegar depois do fechamento das urnas, com a tentativa do atual governo de continuar a nos iludir. Até porque os argumentos são frageis e não mais convencem.



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domingo, 10 de agosto de 2014

O CORONELISMO POLÍTICO PRATICADO NOS CENTROS SOCIAIS. ARTIGO: JULHO/2014

O Rio de janeiro outrora cidade maravilhosa, antiga capital da república, ambiente efervescente onde as decisões políticas nacionais eram tomadas, berço cultural onde eventos aconteciam diariamente, a arte em todos os níveis se desenvolviam, cidade mãe da bossa nova, movimento que ganhou o mundo, e dezenas, centenas de atividades que faziam do Rio de Janeiro atração e lugar desejado por todos.

Com a mudança da capital, em 1960, para Brasília, o Rio de Janeiro aos poucos foi perdendo a qualidade de vida que faziam dele exemplos para o país. É relevante notar que políticos de diferentes ideologias debatiam idéias fervorosamente, porém diferentemente de hoje, eram de alto nível intelectual, defendendo suas idéias com argumentos sólidos fundamentados em suas convicções. O que vemos hoje? Os serviços de saúde precários incapazes de atender a demanda, o transporte ineficiente, com engarrafamentos permanentes, a educação num nível extremamente baixo onde os alunos sem condições, devido ao ambiente social desfavorável, assistem aulas dadas por professores desmotivados com salários que mal dão para o seu sustento.

A cidade inchada devido a famigerada especulação imobiliária e ocupações irregulares agoniza. Por outro lado os políticos locais que deveriam lutar para que esse caos minimizasse, de forma acintosa procuram se beneficiar dessa insuficiência e ineficiência de serviços, não se interessando em melhorar esse quadro, se utilizando, face essas carências, do artifício do clientelismo e assistencialismo para “comprar” votos, através do cúmulo da criação de “Centros Sociais” onde oferecem serviços de baixa qualidade a população, quando deveriam cobrar do poder público o cumprimento das atribuições  que lhe são exclusivas.

É vergonhoso, esses políticos deveriam ser alvo de repúdio por parte da população e o Ministério Público investigá-los levando-os de volta ao anonimato de onde nunca deveriam ter saído.

A ampliação da utilização de “Centro Sociais” vinculados a atividade política, nos quais candidatos demagogos oferecem serviços a eleitores em troca de votos, configura-se em clientelismo descarado, explicitando em terras fluminenses o exercício da política no mais atrasado dos sertões, retornando a época do coronelismo político, ou seja, “compra” do eleitor através do fornecimento de serviços do quais já tem direito.

Os “Centros Sociais” tem dissiminado um clientelismo que distorce e desqualifica a representação política, por se utilizar da troca de favores estabelecendo o vínculo de gratidão do cidadão (eleitor) com aquele que o beneficia através dos serviços que oferece, tais como: tratamento dentário, consulta médica, orientação e apoio jurídico, cursinhos de baixa qualidade profissional e até mesmo “ajuda” em dinheiro, que passa a ser retribuído pelo beneficiado por votos, fato que tem sido recorrente nas regiões mais atrasadas e carentes, com deficiências na prestação de serviços público.

A pratica da política clientelista é um sintoma da degradação na forma de fazer política. A sensação absurda que se tem é a de que os políticos que se beneficiam desses métodos não se interessam pela mudança desse quadro, e não trabalharão para que serviços essenciais a população, como saúde e educação, melhorem de qualidade.

O clientelismo praticado nesses “Centros Sociais” é um eficaz instrumento de distorção da representatividade, cuja a qualidade é essencial para o aprimoramento da democracia. A demagogia, o clientelismo e o “toma lá dá cá” na prática política cresceu em alto grau, fazendo vítima o sistema eleitoral e político, que pela distorção sofrida amarga a indiferença de um eleitor indignado e incrédulo diante das imoralidades que são praticadas por aqueles que deveriam honrar com seriedade, correção e eficiência o mandato recebido.

É lamentável ter que admitir que do ponto de vista da consciência de muitos se aceite o princípio do “rouba mais faz”, “me ajuda com alguma vantagem que eu voto” e do “toma lá dá cá”, o que vem a comprovar que a ética não é uma questão decisiva para eleger e ou deixar de eleger em nosso país, e, infelizmente, exemplos são muitos.

Concluo com uma citação bem apropriada ao tema do poetinha Vinícius de Morais, que a cada eleição se torna mais atual: “POLÍTICOS, MELHOR NÃO OUVI-LOS. MAS, SE NÃO OS OUVIRMOS, COMO SABÊ-LOS?”.

É certo afirmar que, melhoramos a qualidade da política qualificando o nosso voto.



                                                                   Amaury Cardoso
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É PREOCUPANTE PARA A REPÚBLICA O FATO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA NÃO ACREDITAR NA SUPREMA CORTE. - Artigo: Abril/2026.

Entendo que a impunidade tem que ser extirpada em nosso país, dominado pela aristocracia e pelos que ascendem ao poder e fingem combatê-la, ...